14 Artistas Negras Para Conhecer, Acompanhar E Compartilhar

Ao longo dos meus estudos na área de arquitetura, me deparei com história da arte e, consequentemente, com muitos artistas e referências. Mas o fato é que quando se tratava de pessoas como eu, negras, os exemplos praticamente não existiam.

Negros não fazem arte? Negros não criam, pintam, desenham, escrevem? Onde estavam os negros?

Essas perguntas me acompanharam por um tempo. Hoje, depois de ler as essenciais Carolina Maria de Jesus e Maya Angelou, e depois de ver as obras de Lois Mailou Jones, percebi que mulheres negras precisam da arte tanto quanto ela precisa de nós — exatamente por tudo que nossas vidas significam. A questão é que o racismo e o machismo silenciam e apagam muitos nomes, por isso fiz uma lista com quatorze artistas negras que todos deveriam conhecer.

01. Angélica Dass

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Fotógrafa brasileira com reconhecimento internacional, Angélica Dass retrata em suas obras a exploração da busca por identidade — como é possível ver no trabalho Humanae, onde criou uma escala de cores Pantone a partir de pessoas de diferentes idades, gêneros, formas. É um trabalho que valoriza a individualidade, mas tem caráter coletivo. Como ela mesma coloca: “uma ponte entre máscaras e identidade”.

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Série Humanae de Angélica Dass // Reprodução

Conheça mais sobre Angélica Dass em angelicadass.com.

02. Sabrina Fidalgo

É diretora, roteirista, produtora e artista visual. Escreveu, dirigiu, atuou e produziu os curtas Sonar, Rainha (sobre o qual já falamos aqui), Special Report, Das Gesetz des Stärkeren (A Lei do Mais Forte), Black Berlim, Cinema Mudo e Personal Vivator. Black Berlim foi selecionado para mais de 20 festivais nacionais e internacionais. Sabrina Fidalgo é, sem dúvida, sensacional. “É importante que hoje a gente possa fazer os nossos filmes do jeito que a gente quer fazer, contando as histórias que queremos contar e sob o nosso ponto de vista”, ressalta.

Conheça mais sobre Sabrina Fidalgo em seu perfil no Facebook.

03. Rosana Paulino

Uma das minhas artistas favoritas na atualidade. Rosana é doutora em artes visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e consegue envolver inúmeras técnicas numa obra que tem como característica principal questionar o racismo e o machismo, evidenciando dessa forma a posição do negro e da mulher negra na sociedade atual. Uma de suas esculturas, a Ama de Leite, é uma das minhas obras preferidas por tudo o que representa.

A própria Rosana enfatiza a luta contra o racismo quando fala de onde vem sua inspiração: “Minha infância está presente em meus trabalhos. Fatos como se perceber negra e não ter nenhuma boneca com a qual pudesse me identificar, olhar as heroínas e princesas e ver que entre elas não havia nenhuma negra, as famílias nos comerciais e livros escolares, tudo isso foi chamando minha atenção e me levando a discutir o motivo dessa invisibilidade negra”.

Conheça mais sobre Rosana Paulino em rosanapaulino.com.br.

04. Sonia Gomes

A artista plástica Sonia Gomes foi a única brasileira na lista da Bienal de Veneza de 2015, que será realizada entre 9 de maio e 22 de novembro. A sua arte simples e poética consiste em criar esculturas com tecidos usados, que são bordados e torcidos. Sonia explica a sua arte como algo que busca a transformação do que seria “inútil” em útil.

Conheça mais sobre Sonia Gomes em soniagomes.com.br.

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05. Tatyana Fazlalizadeh

É uma artista americana, ilustradora, pintora, feminista, militante engajada que ganhou notoriedade com um trabalho chamado: Stop Telling Women to Smile, que começou no Brooklyn em 2012 e aborda a questão do assédio em espaços públicos. Além desse trabalho, destaco o mural The Roots, onde ela faz uma homenagem a artistas da música negra.


Um pouco sobre a série Stop Telling Women To Smile // Reprodução

Conheça mais sobre Tatyana Fazlalizadeh em tlynnfaz.com.

06. Zadie Smith

Escritora inglesa considerada como uma das mais talentosas entre os jovens autores da Grã-Bretanha. Zadie Smith tem ascendência jamaicana e o seu primeiro livro, o premiado Dentes Brancos, tornou-se best seller instantâneo, com vendas acima de 1,5 milhão de cópias. Recomendo também seus outros romances: Sobre A Beleza, O Caçador de Autógrafos e NW.

Conheça mais sobre Zadie Smith em sua página no Facebook.

07. Maria Beatriz Nascimento

Foi uma escritora, pesquisadora, ativista negra, poeta brasileira e roteirista idealizadora do documentário Ôri, o filme que registra os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, fazendo uma ponte entre Brasil, África e a história pessoal da própria autora. Fica a dica: procure os seus poemas e o longa.

Conheça mais sobre Maria Beatriz Nascimento no Geledés.

08. Tamara Natalie Madden

Tamara Natalie Madden é jamaicana e cria imagens com base nas memórias de seu povo, usando belos tecidos. Além disso, tem nos pássaros tema recorrente de suas pinturas como representação da busca por liberdade. Foi recentemente adicionada à lista dos 40 artistas da MSNBC. Diz que seu trabalho tem a intenção de dar voz para aqueles que são negligenciados todos os dias, por isso adorna os negros em suas pinturas com símbolos que remetem à realeza.

Conheça mais sobre Tamara Natalie Madden em tamaranataliemadden.com.

09. Ava Duvernay

Escritora, produtora, diretora e distribuidora de filmes independentes. Ficou mais conhecida pelo seu trabalho no filme Selma, sobre a luta pela igualdade racial nos EUA. Pelo longa, tornou-se a primeira mulher negra a ser indicada como Melhor Diretora ao Globo de Ouro. Soma inúmeros prêmios em seu currículo e é, sem dúvidas, uma das promessas do cinema atual. Recentemente, dirigiu o documentário 13th, sobre a 13ª emenda da constituição dos Estados Unidos e o encarceramento em massa da população negra americana.


Trailer do longa Selma // Reprodução

Conheça mais sobre Ava Duvernay em avaduvernay.com.

Continuando a lista, escolhi também cinco promessas nacionais para destacar por aqui.

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10. Alile Dara Onawale

Foi eleita pelo Blogueiras Negras como umas das mulheres negras mais influentes da internet em 2014. É uma das colaboradoras da revista Capitolina. Quem conhece um pouco mais do seu trabalho não tem dúvidas de que todo destaque que vem recebendo é merecido: Alile faz fotografias sensíveis e criativas envolvendo principalmente a natureza e corpos femininos

Conheça mais sobre Alile Dara Onawale em sua página no Cargo Collective.

11. Tainá Lima (Criola)

Artista mineira de rua, essa grafiteira é conhecida por suas obras que buscam a valorização da mulher negra e a busca por ancestralidade, evidenciando os cabelos afros. Criola, como é chamada, tem consciência do papel de sua arte e engajamento: “Hoje como educadores temos esse lugar privilegiado para tratar da diversidade, nessa formação de identidade. O grafite que eu faço apresenta formas e cores que apesar de serem inofensivas à primeira vista, carregam consigo gritos de resistência que ecoam desde à época da escravidão.”

Conheça mais sobre Tainá Lima nesta matéria do Hoje em Dia.

12. Ana Maria Sena

Aos 20 anos, cursa o segundo ano de artes plásticas na Universidade de Brasília. Já teve suas ilustrações publicadas na Folha de São Paulo e é colaboradora da revista Capitolina. A sua inspiração recorrente é o feminismo negro. É uma das criadoras do Afronta, um projeto colaborativo que nasceu da necessidade de representação feminina e negra nas histórias contadas e ensinadas no Brasil. Da necessidade de um espaço-tempo em que as mulheres possam falar livremente sobre si e sobre a sociedade em que estão inseridas.

Conheça mais sobre Ana Maria Sena no site do Afronta.

13. Luna Monquelat Aabenhaim

Aos 19 anos, a brasileira que mora em Madri traz em seus projetos fotográficos negros, trans e idosos representados muitas vezes nus. Recomendo que fiquem de olho, pois em 2015 Luna vai passar umas semanas na Etiópia para um trabalho voluntário envolvendo fotografia.

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Retratos de Luna Aabenhaim // Reprodução

Conheça mais sobre Luna Monquelat Aabenhaim em seu perfil no Facebook.

14. Yasmin Thayná

Yasmin também está na lista das mulheres negras mais influentes na internet. É produtora e idealizadora do KBELA, “uma experiência audiovisual sobre ser mulher e tornar-se negra”. O filme surgiu do conto MC K_Bela, da própria Yasmin, e será fruto de financiamento coletivo. Vale acompanhar a página do projeto no Facebook.

Conheça mais sobre Yasmin Thayná em suas colaborações no Brasil Post.

Texto originalmente publicado na Confeitaria. Editado e republicado para o Modefica com autorização.

Imagem Capa: Reprodução

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