50 Tinder Dates: As Aventuras De Uma Expert Do Tinder

Sabe aquela amiga que está em todos os apps de relacionamentos, que engata conversa com várias pessoas ao mesmo tempo, que tem um encontro diferente marcado por semana? Aquela amiga que sempre chega no bar com histórias hilárias e emocionantes sobre o último cara com quem saiu?

Se você não tem uma amiga assim, não se preocupe, a newsletter 50 Tinder Dates está aqui para suprir essa sua vontade. Escrita por uma garota familiarizada em apps de relacionamento, a newsletter anônima conta as experiências reais de uma jovem paulista de 20 e poucos anos que já teve mais de 50 encontros com homens conhecidos pelo Tinder.

Uma autodeclarada Tinder Expert, ela começa contando as experiências que a levaram ao Tinder – um relacionamento complicado com um homem mais velho, um histórico de problemas de saúde sexual, as inseguranças com o corpo e a família –, e segue, capítulo a capítulo, e-mail a e-mail, narrando seus encontros (os bons e os ruins) e seu processo emocional.

Para entender melhor o projeto, conhecer as intenções dela com a newsletter e ainda aprender algumas técnicas valiosas para interações no Tinder, nós conversamos com ela.

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O que te motivou a criar essa newsletter? Por que você optou por esse formato?

E-mails são super íntimos, até um pouco românticos. Eu gosto da ideia que estou escrevendo como se estivesse contando para minhas amigas em tempo real, mesmo que a história tenha começado há 2 anos. Minhas amigas têm feito newsletters bem interessantes, então achei o melhor formato para esse projetinho.

Na primeira newsletter, você conta sua experiência com problemas sexuais – mais especificamente, vaginismo e uma gravidez fantasma – e com o tratamento. Você quis dedicar os primeiros capítulos a esse tema para dar um panorama do que te levou ao Tinder, ou também para dar alguma visibilidade a esse tipo de experiência? Não vejo muita gente falando desse tipo de assunto, apesar de falarem sobre sexo o tempo inteiro; você acha que existe um estigma ao redor desse tipo de problema?

Durante meu tratamento, descobri que o vaginismo afeta até 80% das mulheres brasileiras. E quem tem vaginismo pode ter dificuldade de gozar. Então acho importante usar os veículos que tenho para conversar sobre o assunto, porque a verdade é: os médicos não são equipados para cuidar da nossa saúde sexual, que está totalmente ligada à saúde mental.

O primeiro capítulo fala sobre como achei que estava grávida mesmo sem ter ocorrido penetração no contato sexual. Mesmo sabendo disso, teve uma médica que disse: “bom, se a menstruação atrasou é porque está grávida mesmo”. Imagina? Eu estava lá, alucinando uma gravidez, e uma profissional completamente despreparada não soube enxergar que meu problema era mental. Isso porque estava em São Paulo, onde o acesso a saúde é mais amplo do que em outras cidades. Imagino que tenha muita menina por aí que tem o mesmo problema e não sabe simplesmente por incompetência médica.

Tenho um pouco de receio de despertar em alguém a ideia de que tem um problema de saúde como o meu, mas sem o diagnóstico correto. Por isso quero dar visibilidade ao assunto, sim. Mas também espero que quem se identifique tenha a ajuda apropriada.

Como você sente que esse seu histórico afetou, no geral, sua experiência com os dates?

Meu histórico é relacionado a um problema ginecológico de origem psicológica. Então minha experiência com os dates é muito associada com minha evolução no tratamento. Acho que a palavra que define o começo dos dates é desconexão: desconexão do homem mais velho com quem me relacionava na época, desconexão da religiosidade da minha família e desconexão da ideia de que eu nunca seria sexualmente desejada por ser gorda. Depois que me desconectei de tudo isso, precisei me encontrar novamente.

Foram 50 dates exatamente? Você decidiu desde o começo fazer esse experimento dos 50 ou foi o que ocorreu naturalmente? Quando você decidiu que isso seria um experimento pessoal/social/artístico?

Acho que agora já cheguei em 70 dates. Nem sei se vou parar no 50. Mas quando cheguei no 47 percebi que tinha saído com gente pra caramba e minhas amigas me incentivaram a contar a história. Era pra ser engraçadinho, sabe? Sobre os dates que deram errado. Mas quando comecei a escrever, percebi que a história não fazia nenhum sentindo sem o prelúdio. Depois do 50 acho que comecei a pensar mais como um projeto, mas até então eu realmente queria sair e ficar com os caras.

Você percebeu algum padrão na sua escolha dos caras para os dates? Faixa etária, estética, profissão, etc.?

No começo, só tinha jornalista, publicitário e desenvolvedor, que normalmente são os primeiros a saberem de novidades relacionadas à tecnologia. Mas logo estourou e começou a aparecer gente de todos os tipos – mesmo assim, acho que continuei ficando com caras da comunicação. Às vezes aparecia um engenheiro ou advogado. Mas acho isso um pouco característico de São Paulo. Não sei explicar direito, mas, agora que estou no exterior, não vejo esse padrão.

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Quando comecei a usar o Tinder, estava me relacionando com um homem mais velho. Então acho que evitei sair com caras mais velhos, mesmo sem perceber. A maioria estava na faixa dos 30. Esteticamente acho que tinha um padrão também: só peguei homem bonito.

E, além da escolha inicial, você percebeu algum padrão/tipo que de fato era mais compatível com você na hora do encontro?

Acho que além da escolha óbvia de não me envolver com racistas e machistas, não acho que tenha um padrão. O básico seria: homens inteligentes, intelectualmente ambiciosos e com boa pegada.

Quais foram o melhor e o pior date? O mais criativo? O mais surpreendente?

Hmmm acho que vou responder essa pergunta nos próximos meses na newsletter, porque uma das coisas que aprendi foi: quase nenhum date é igual os filmes, sabe? Não tem essa de piquenique no parque nos dates do Tinder.

Já que você é uma autodeclarada Tinder Expert depois de toda essa experiência: você tem algum método/técnica/processo para encontrar dates no Tinder?

Tem algumas coisas que observei. Nem sempre o cara que é legal pessoalmente tem o melhor papo via mensagem. Às vezes vale a pena dar uma chance para alguém que parece ter química e interesses em comum mesmo se não rolou imediatamente no aplicativo. Mas se o rapaz demonstra zero interesse em mim no aplicativo, não vou sair com ele de jeito nenhum. É um bom filtro.

Existem algumas red flags que já indicam que aquela combinação não dará um bom date?

Não curto quando chegam com o papo “o que você está procurando por aqui?” – cara, fala logo que só tá aqui pra transar. Não gosto de cara que supõe que todas as garotas estão procurando namoro. Esses aí têm tendência a serem imaturos e não saberem lidar com transas casuais (acho uó quem some depois de uma transa legal só por covardia). Prefiro alguém que chega com um “Oi, tudo bom?” do que um “E aí, gostosa?”. E claro: machistas não passarão.

O que você aprendeu com essa experiência que gostaria de compartilhar com as meninas que estão começando a usar o app?

Me sinto muito mais segura quando escolho o lugar onde vamos nos encontrar. É algo relacionado com estar em um lugar familiar, onde me sinto à vontade. Falando em segurança: sempre que saio com alguém, mando uma mensagem para alguma amiga com o número de telefone do cara e o lugar onde vamos nos encontrar. Depois, se for para a casa dele, mando a localização também. Parece besteira, mas não dá para bobear com essas coisas.

Demorei muito para perceber que saía, às vezes, para suprir carência. Eu não queria me envolver necessariamente com os homens que fiquei, mas queria me envolver com alguém e ficava preenchendo o vazio desse alguém com dates. Isso é a maior cilada e todo mundo se machuca. Acho que ir com todos mecanismos de defesa ligados é sempre uma boa forma de se proteger.

Você pode assinar a newsletter aqui ou acompanhar o Tumblr do projeto.

Imagem: Time Modefica

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