“A Revolução das Mulheres” Ressalta a Vanguarda do Pensamento Feminino

A Revolução das Mulheres celebra a luta das mulheres russos-soviéticas // Divulgação

 

“Todas as torturas e perseguições da Idade Média, bem como os deboches e proibição nos tempos modernos, são incapazes de abater o espírito feminino. Pois mesmo ocultando-se em pseudônimos masculinos e escondendo-se atrás dos homens, inspirando-os e incentivando-os, as mulheres sempre participaram da vida intelectual e social da humanidade”.

A frase acima é de Anna A. Kalmánovitch, uma das 11 mulheres que ganham destaque no lançamento da editora Boitempo A Revolução das Mulheres. Com organização da pesquisadora Graziela Schneider, o livro celebra o centenário russo e a importância das mulheres na Revolução de Fevereiro, um prenúncio da Revolução de Outubro, que derrubou o tsarismo, deu poder aos sovietes e levou à construção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas ou simplesmente URSS.

O ponto de partida dessa jornada é a manifestação de 8 de março de 1917, contra o tsar Nicolau II e a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial. Mais de 90 mil mulheres se reuniram nesse dia para também reivindicar melhores condições de trabalho e o fim da fome que se alastrava pelo país. A Revolução das Mulheres é uma antologia com dezenas de artigos, atas, panfletos e ensaios de autoras russo-soviéticas produzidas nesse contexto de convulsão social e política.
 


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Não à toa, as reflexões e intervenções vêm com discursos fortes e calorosos, destacando-se sobretudo a importância da igualdade entre os gêneros na defesa da classe trabalhadora. Para essas mulheres estava claro: a separação entre mulheres e homens interessava apenas ao capital. Temas como feminismo, emancipação, trabalho, luta de classes, família e religião são colunas para os pensamentos dessas mulheres ativistas e a leitura permite distinguir que houve a conquista de direitos desde então, mas que diversos critérios desiguais continuam em vigor. É por isso que, apesar de clássico, as reflexões dessas mulheres e suas pautas são extremamente atuais.

 

“A tarefa de determinar o início do movimento feminista revela-se ou muito difícil ou extremamente fácil. Acho que ele começou naquele exato momento em que Adão, após comer a maçã colhida por Eva, tão gentilmente jogou nela toda a culpa pelo ocorrido. Desde então, seus descendentes seguem seu bom exemplo: arrancam os frutos do prazer, mas não aceitam lidar com as inconveniências subsequentes.”

Anna A. Kalmánovitch

 

Integralmente feita por mulheres, da capa à edição, passando pela tradução, preparação, revisão e diagramação, a coletânea reúne também fotografias das autoras e cartazes soviéticos em homenagem ao 8 de março. Os textos, em sua maior parte inéditos no Brasil, foram traduzidos direto do russo para o português.

Na apresentação de Graziela Schneider, um esclarecimento da importância das mulheres russas-soviéticas e seus posicionamentos de vanguarda: “O prenúncio desse Dia da Mulher havia ocorrido quatro anos antes, em 1913, quando foi realizado o I Dia Internacional das Trabalhadoras Pelo Sufrágio Feminino. Na ocasião, as trabalhadoras se reuniram em Petrogrado e foram reprimidas. Outro marco para a determinação do 8 de Março como Dia Internacional das Mulheres foi em 1921, na Conferência Internacional das Mulheres Comunistas. No evento, remetendo a tal iniciativa das trabalhadoras russas, a data foi proposta como oficial. A partir de 1922, o Dia Internacional da Mulher passa a acontecer em 8 de março.”

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