6 Reflexões Que Toda Mulher Branca Deve Fazer Sobre O Uso Do Turbante

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O debate sobre apropriação cultural tem ganhado grandes proporções na web. Todos os dias aparecem novos vídeos ou textos relacionados ao assunto. Vários deles são embasados com fontes e pesquisas muito bem estruturadas, outros apenas com referências do Wikipédia, feitos rapidamente para não perder a oportunidade de entrar na discussão.

Quem precisa de ajuda para se situar no assunto, a dica são esses dois vídeos muito didáticos que me ajudaram bastante a compreender a problematização em torno disso. Eles são: “What is Cultural Appropriation”, da youtuber Marina ShutUp e “Don’t Cash Crop On My Cornrows”, protagonizado pela atriz de Jogos Vorazes, Amandla Stenberg, no canal Hype Hair Magazine. Em português, tem um texto bem bacana da Revista Capitolina respondendo as perguntas mais comuns sobre o tema.

Mas de todo o conteúdo que anda surgindo, o que mais me intriga é aquele tipo de texto que eu chamo de “justificativa”. Você já deve ter lido um desse tipo, que, como o nome sugere, existe para fundamentar (a qualquer custo) o uso de uma peça em específico e que gera muita discussão: o famigerado turbante.

Com o tempo, aprendi a diferença entre o turbante africano e os truques de styling para uso de lenços, uns até são vendidos prontos em lojinhas de bijuterias. São duas coisas diferentes e por isso nem vale a pena entrar no debate quando a discussão gira em torno do segundo.

Mas o modo como a moda se apropria de amarrações e estampas de inspiração ou de origem africana acaba apagando as diferenças entre as duas coisas. Numa sociedade racista e que ignora a desigualdade, é muito fácil mascarar estes pequenos roubos de cultura disfarçando-os como inspiração ou homenagem, enquanto a exclusão social de mulheres negras continua acontecendo.

Mesmo consciente do quão tênue essa linha é, fica difícil entender porque, mesmo dentro de grupos feministas onde deveriam também ser desconstruídas as necessidades de consumo, se faz tanta questão de defender o uso do turbante. Por isso, eu proponho a quem já brigou muito pelo direito de usar turbante não sendo mulher negra uma reflexão em torno do assunto através dessas sete questões.

1. O turbante não é essencial

Ele pode ser muito estiloso, de fato, mas na verdade o turbante não é peça essencial para uma mulher branca, saudável (que não faça quimioterapia ou sofra de alguma doença que provoque queda de cabelos) e de cabelo liso, ao contrário de quando se tem cabelo afro.

O turbante é uma solução rápida nos dias mais embaraçados, para conter a deformação causada nos cachos pelo travesseiro, cobrir o frizz que muitas vezes aparece incontrolável, ou ainda servir como coroa para realçar a autoestima de uma pessoa que sempre teve problemas com ela, principalmente por causa do cabelo.

Não é como se estivessem pedindo para você deixar de usar calças ou sapatos para andar na rua. No fim das contas, o turbante é só mais um acessório dispensável.

2. É preciso fazer o recorte social

O que é evidente (e incômodo também) é que existe uma sororidade seletiva, quando não fútil, acerca do uso dos turbantes. Isso significa que: o problema de outras mulheres é importante até ele começar a atrapalhar o seu senso fashion ou seu livre arbítrio de usar o que deseja.

Você já parou para pensar o quanto você está ajudando a reproduzir esta ideia de acessório “tem que ter” passado pela indústria da moda, que sempre usa modelos brancas em suas propagandas, ao se apropriar do turbante?

Não parece justo, não quando mulheres negras sofrem apontamentos e, principalmente, piadas de intolerância religiosa quando usam turbante, enquanto a mulher branca recebe elogios e é considerada muito estilosa.

3. E reconhecer privilégios

Existem alguns textos explicando sobre mulheres da elite branca dos anos 20 usando turbantes em festas sociais. Nesse caso, não há problema para qualquer mulher se inspirar neles, uma vez que a referência viria de um público que não sofreu opressão estética ou social e, provavelmente, criou este estilo para ser reproduzido.

Entretanto, mesmo que todas as mulheres brancas hoje usassem este mesmo estilo de turbante, as negras ainda seriam discriminadas e as brancas ainda seriam protagonistas. Logo, esse argumento falha ao tentar estabelecer uma simetria no uso de turbantes, principalmente porque ignora que os turbantes de estilo africano também são copiados e utilizados, e não somente as versões da elite branca dos anos 20.

4. Toda esta pesquisa não está sendo feita de forma superficial?

O primeiro “texto-justificativa” que eu li (ou tentei ler) era escrito num tom pejorativo, com conteúdo fora de ordem cronológica da suposta história do turbante, e ainda era longo e cansativo.

Com o tempo, percebi que todos os outros textos e falas com essa vontade de justificar o uso do turbante seguem as mesmas características e conteúdo. Todos reproduzem uma pesquisa rasa e ideias pré-estabelecidas para rebater os argumentos colocados na fala da mulher negra de uma forma já quase decorada e sem espaço para real reflexão.

Não é a toa que as conversas sobre isso se tornam tão cansativas, principalmente do lado da minoria, nunca ouvida e muito menos respeitada. Espero um dia poder ler um estudo definitivo – ou quem sabe pesquisar eu mesma – sobre o que é apropriação, de preferência tendo o turbante como objeto de estudo.

5. Se apropriar de outras culturas está permitido?

“Mas essa amarração que eu fiz é de turbantes usados no oriente médio”. Então, para não ser taxada de racista por fazer turbante africano, o “textão-justificativa” traz uma pesquisa sobre qualquer outra cultura onde os turbantes também são presentes e atribui o uso à ela.

De fato, o turbante não é exclusividade da cultura negra e africana, mas não é porque você está evitando usar um que seja dessa origem, que é ok usar um indiano ou egípcio.

Mesmo que a associação do turbante com a origem indicada esteja certa, será que houve uma busca sobre aquela tradição ou simbologia do turbante? O uso do turbante para determinada cultura pode significar muito ou nada, porém quem se importou tanto para tê-lo como referência deveria ao menos se preocupar também com sua história.

6. Livre-se da culpa

É possível notar muitas feministas preocupadas com a opinião dos outros sobre o uso do turbante. Se mesmo após tantas justificativas não existe conforto com o uso da peça, por que insistir?

No fim das contas, essa vontade absurda de usar turbantes só alimenta a indústria que se apropria disso e ajuda a diminuir ainda mais a voz de quem tem sua ancestralidade banalizada. De quebra, ainda provoca horas de discussões e uma culpa desnecessária.

Imagem Capa: Time Modefica

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  • Bruna Flores Bazzoli

    Eu sinto que deveria concordar com esse tipo de discussão, mas realmente não consigo. Não me levem a mal, mas parece tão natural o uso de peças ou acessórios por outras culturas apenas pelo valor estético que eu não consigo ver o ponto negativo nisso. Apresentar e popularizar um traço de uma cultura marginalizada historicamente não deveria abrir portas para uma aceitação maior do seu povo? Não deveria trazer benefícios de inclusão e reflexão?
    Não estou falando isso para ser escrota, é que realmente gostaria de ler alguma coisa que realmente me fizesse entender, porque esse texto e os outros citados eu já li e ainda tenho enormes dúvidas.
    Não quero fazer uma crítica com este comentário, quero apenas uma explicação que eu entenda melhor e me tire de cima do muro.

  • Cristina Helcias

    Sou a tal branca de cabelo liso que usa turbante. Também tenho dias de cabelo com vontade própria e o turbante, de estampa africana ou da loja de bijou, ajuda-me a passar pelo dia com o cabelo no lugar. De fato, é um acessório útil e utilidade é algo que levo bem mais em consideração na hora de me vestir do que qualquer tipo de modismo. Além disso, morei algum tempo na Àfrica do Sul, tenho amigas africanas e, justamente, por admirar a forma como se vestiam e misturavam elementos locais a peças mais comuns, terminei aprendendo a fazer o mesmo e passei a incorporar enfeites (pulseiras, turbantes, colares…) e estampas africanos a forma como me visto. Mas, na contramão do artigo, as minhas amigas não só me elogiavam quando usava peças de lá, como me presenteavam com esses mesmos acessórios e também adoravam quando as presenteava com peças brasileiras. No final, o que aqui é tratado como apropriação cultural não passava de troca entre amigas que sempre existiram e existirão, independentemente de origem ou cor, já que, o que se vê em um amigo (e o que deve ser visto em qualquer pessoa) não é cor da pele, o local de origem ou o tipo de estampa que usa. Por não conseguir entender o que tem de errado ou de falta de respeito no uso de um simples acessório, resolvi deixar aqui a minha experiência: por trás do turbante da branca de cabelo liso pode haver uma historia bem mais bonita do que essa que tenta ditar – e justificar – o que uma pessoa pode ou não usar.

  • Juli Moreira

    Eu tinha jurado que não entraria mais nessas discussões mas algumas coisas ainda não consigo deixar para lá, então vamos
    lá:

    Eu não sou branca. Eu me identifico como uma mistura de
    negro, português e índio, como uma típica brasileira. Meu avô paterno, por
    exemplo, não tinha o nome da mãe na certidão de nascimento pois seu pai era
    negro e sua mãe portuguesa e naquela época, isso não poderia acontecer. Ele só
    colocou o nome de sua mãe na certidão de nascimento lá nos anos 1980. Mas não é
    sobre isso que vim falar.

    Vim falar que como descendente de negros, que apesar da pele
    clara carrega uma cabeça cheia de cachos e um nariz da batatinha (adoooro!),
    não vejo problema em pessoas brancas usando turbante.

    Assim como não vejo problema em negros celebrarem o Natal.

    Porque eu estou dizendo isso? Porque eu sou bruxa. Daquelas
    que festejam a mudança das estações e as luas cheias. E como bruxa, eu tenho um
    sabbath chamado Yule. Yule é a festa pagã que celebra o Solstício do Inverno e
    acontece muito antes da religião católica ser inventada. Nesta festa, que no hemisfério
    norte acontece por volta de 21 de dezembro, as famílias levavam uma árvore
    verde para dentro de casa para que os seres mágicos tivessem um lugar quente
    para passarem o inverno. Nessa festa, celebra-se o renascimento do Deus. Então,
    uma festa que acontece em dezembro, que envolve enfeitar uma árvore verde
    dentro de casa e celebra o nascimento de um Deus te lembra algo?

    Pois é. A religião católica se apropriou dessa festa (e de
    muitas outras), da nossa festa, e ainda nos queimou em fogueiras porque tínhamos
    pacto com o demônio.

    Então, eu não estou desmerecendo o fato do turbante ser uma característica
    das mulheres negras. Mas acho que a antropofagia cultural vai acontecer, a
    gente querendo ou não. Negros e bruxos sofreram nas mãos de uma hegemonia, mas
    isso não desmerece quem hoje não faz parte de qualquer uma dessas categorias e
    ainda assim usam aquilo que se originou nelas.

    Afinal, vc coloca uma árvore de Natal em sua casa? E come
    Ovo de Páscoa? Pula a Fogueira ou brinca no Mastro de São João? Pois saiba isso
    tudo também foi apropriação de uma cultura que quase destruiu a minha.

    Acho lindo as negras que assumem seus cabelos e usam seus
    turbantes, mas não acho que uma branca (e eu não me encaixo nessa característica,
    para deixar bem claro) usar turbante seja errado.

  • Flora Refosco

    Oi Karoline, como estás?
    Fico um pouco como a moça que comentou primeiro, Bruna Flores Bazzoli. Estou deixando um comentário para ver se no diálogo a gente vai desanuviando as idéias.
    Li teu texto, depois li o da Capitolina.

    Concordo que a apropriação é um movimento de uma cultura dominante incorporando uma parte de uma cultura desfavorecida (quando digo desfavorecida, é no sentido de não ter espaço para se manifestar livremente. Pra mim, faz mais sentido do que dizer minoria).
    E na maior parte das vezes, este movimento não leva em conta o contexto de onde foi tirado um aspecto específico da cultura em questão – o que pode ser interpretado como um grande desrespeito (no seu exemplo, é tirar o turbante do contexto em que ele é um símbolo religioso).
    Por outro lado, acredito que mesmo as pessoas que não compreendem o significado de uma determinada estética ou símbolo podem apreciá-los a partir dos seus próprios referenciais.
    O exemplo que me vem na cabeça é da história da arte, o momento que chamam de japonismo, quando muitos pintores europeus incorporaram características da arte japonesa. Eles não tinham nem como compreender o que aquela estética significa, mas percebiam que era muito rica e incorporaram várias características, que depois foram se desenvolvendo por outros caminhos e trazendo propostas inteiramente novas.

    A questão de não permitir que pessoas de origem européia adotem uma estética vinda da cultura negra me incomoda por dois motivos: primeiro, não vai à raiz do problema, que é de fato a segregação; e segundo que reforça essa segregação.
    Faz sentido para ti?

    • Eu até ia escrever um comentário, mas o comentário da Flora foi tão perfeito e consciente que falou tudo por mim! Acho que os negros lutaram tanto contra a segregação que é contraditório e feio segregar dessa forma. Seja livre e deixe livre os outros para usar o que quiserem, sem essa de “Ei vc esta se apropriando da minha cultura, pare com isso”. Please né!? Em pleno 2015? Já parou pra pensar quantas coisas você usa no seu dia-a-dia que é uma apropriação de outro povo? se fizer isso com certeza não viverá mais. Enfim.

    • Carolina CJordão

      Eu entendo que o turbante seja uma arma de luta das mulheres negras, uma forma de gritar que existe orgulho de ser negro e é muito plausível que as pessoas sintam raiva de ter seus elementos de luta banalizados, mas é impossível parar as transições culturais.
      Só de falar em tentar controlar um comportamento cultural meu corpo estremece. Toda a música que me interessa vem da cultura negra, o blues foi criado inteiramente pelos negros e deu origem ao rock; o samba, outra criação, também influencia grande parte da música brasileira, da bossa nova à MPB. Durante esse processo de criação de gêneros musicais vários artistas negros foram substituídos por brancos, eles realmente regravavam a mesma canção e lançavam como de algum artista branco. Isso realmente era um crime de apropriação e devia ter sido combatido severamente. Ainda assim eu não penso que alguma parcela da população devesse ter sido proibida de reproduzir e criar suas próprias composições do mesmo estilo, isso teria impedido a arte em si, que é livre por natureza.
      Sem dúvidas a arte é um discurso e implica em afirmação de uns e negação de outros, algumas vezes injustas. O que nós devemos fazer é tentar sempre desvendar essas injustiças, celebrar aqueles que merecem, reconhecer o valor das criações, das culturas, mas saber que é impossível limitar a arte como expressão de um cultura.

  • Todos os comentários que li aqui me representam muito! já li e vi outras pessoas com o mesmo discurso do seu texto. Sou branca de sangue negro, assim como muitas brasileiras e acho uma blasfêmia falar de apropriação cultural em um pais como o nosso, com a cultura plural que temos. essa coisa de exaltar sua cor, e sua cultura pode ser bem mais interessante e útil sem essa ditadura e segregação. liberdade para todos!

    • Marina Colerato

      Olha só Ana. Não falo pela Karol (autora do texto). Falo como mulher branca tentando entender e respeitar a luta das mulheres negras. Você pode ter sangue negro, mas você é branca, logo, socialmente falando, você tem os privilégios de uma mulher branca. Você não caberia nas estatísticas que imperam na comunidade feminina negra.

      Ademais, não há ditadura. A Karol sugeriu uma reflexão e nós notamos apenas mulheres brancas se mostrando totalmente contra à sugestão dela de refletir. Foram poucas as que reconheceram seus privilégios de mulher branca, questionaram para entender mais (ou seja, estavam abertas) e deixaram o espaço de protagonista para a mulher negra. Nós brancas temos tanto a mania de tomarmos o papel de protagonista e não dar a fala às negras que a prova disso foi o próprio Emmy em 67 anos nunca ter premiado uma negra protagonista até 2015 (em pleno 2015!).

      Novamente, em pleno 2015, quando as estatísticas estão bem na nossa frente sobre as diferenças sociais tremendas entre mulheres DE PELE negra e branca que é totalmente compreensível entender porque a Karol disse no texto que está cansada da minoria nunca ser ouvida nessas discussões e ainda se justificar com “meu sangue é negro”.

      É um texto que sugere reflexão e reflexão só pode ser feita por quem está realmente aberto a refletir.

      • Olha só Marina. Em nenhum momento questionei ou diminui a luta das mulheres negras e muito menos a luta dos movimentos negros por igualdade. Nesse discurso todo sou apenas contra a segregação vinda de uma mulher negra que tem em seu passado histórico as lutas por igualdade, acho incoerente, apenas.

        A reflexão existe sim, e me propus a ela quando li o texto e os comentários, mas acho necessário destrinchar um pouco tudo isso para que o que estou dizendo seja melhor entendido. Não existe nada aqui contra a sugestão dela de refletir. Porém, a partir do momento que ela segrega e divide os grupos entre mulheres negras e mulheres brancas, onde o grupo de mulheres negras esta apto a usar o turbante, e sugere que as mulheres brancas não deveriam usa-lo, ela mesma cria algo para que nós brancas tenhamos que nos defender e colocar nosso ponto de vista a respeito dessa divisão, visto que somos (sou) contra qualquer forma de segregação. Por isso os comentários aqui de mulheres brancas, por que ela nos coloca na posição de apropriadoras de uma cultura que não é nossa, e isso se torna ofensivo. No Brasil temos uma mistura muito grande de raças e culturas, consequentemente, apropriações de todos os lados de muitas coisas e por todas as pessoas.

        Respeito a cultura negra e tudo o que se faça para exalta-la mas sou contra um texto que segrega dessa forma. A questão aqui não tem nada a ver com ser a protagonista da história, mas sim evitar que a história continue mantendo essa segregação entre brancos e negros. Li em outro comentário que as negras na África acham bonito ver mulheres brancas de turbante, então por que as mulheres negras no Brasil acham isso uma apropriação indevida? não entendo! Ao invés de sustentar esse tipo de discurso deveriam fazer algo mais valioso para a cultura negra e levar informação as crianças negras, empoderar mulheres negras com palestras sobre valorização da cultura, dar palestras a comunidades pobres etc.

        O fato de eu ser uma branca que não passou por discriminação racial não significa que não exista discriminação social para pessoas pobres e brancas, o que não deixa de ser discriminação, correto?. Perder o foco do assunto em questão e levar isso a outros níveis só vai tornar a discussão infinita.

        Se tem uma coisa que aprendi na vida é que cada um tem sua opinião e que além de refletir é preciso respeitar as formas de ver um mesmo assunto. Para além de refletir estou sempre disposta a analisar as situações por isso sou a favor da liberdade, pois sei que esse tipo de assunto é muito mais complexo do que parece. É muito mais complexo do que só dizer que é a favor ou contra, ou que está refletindo sobre.

  • Era uma vez:

    “Gostei do turbante; irei usar.”

    Fim da história.

  • Andressa

    Convido a ler a pesquisa: “Turbantes: Por que seu uso nunca será apropriação cultural.”

    https://www.facebook.com/andressa.fourquet/media_set?set=a.1065314793489015.1073741869.100000315134950&type=3&pnref=story

  • Jaqueline Cristina

    Eu uso turbantes sim, asism como sempre usei sais cigans, vestidos indianos, ponches mexicanos no inverno, Kiltes masculinos escoceses, coturnos militares, quimonos,ou seja eu uso o que quiser, sou livre e dane-se quem tem medo de ser eclética e assumir que tem personalidade. Até gravatas com calça jeans já usei e gostei.

  • Andressa

    Na maioria das vezes, no Brasil, o tom mais claro de pele é herdado pela ancestralidade européia. Logo, se as civilizações ancestrais européias (inclusive portuguesas) já usavam turbantes antes do contato com outras civilizações – continuando seu uso através dos tempos – acusar uma pessoa brasileira de pele clara, de estar fazendo “apropriação cultural” ao usar um turbante, além de ser uma grande falácia, demonstra total desconhecimento histórico.

    Os turbantes que entram e saem da moda, não são aqueles com significado religioso (ou de luta), mas sim os que são usados como adorno, tal qual já eram usados antes da chegada dos portugueses ao Brasil.

    É sempre importante ressaltar que, os registros de turbantes não religiosos usados por civilizações européias, datam de épocas anteriores ao contato destas com civilizações de outros continentes. O fato de vários povos usarem este item contemporaneamente, cada um com seu significado, não anula a importância de nenhum desses significados.

    Se para um povo é um importante item cultural-religioso, para outro é um importante item cultural de adorno. E como qualquer outro item de adorno, é normal que ora esteja mais em alta na moda e ora mais em baixa.

    A apropriação cultural do turbante acontece, não quando pessoas – independentemente da cor da pele e/ou país de procedência, o utilizam. Mas sim, quando um determinado grupo requer para si, o uso exclusivo de uma peça que é de “propriedade” mundial.

    Sem dúvida, são de valor inestimável, as inúmeras heranças exclusivas deixadas pela cultura africana para a formação da cultura brasileira, mas certamente o turbante não é uma delas.

    O turbante é uma herança deixada da humanidade para a humanidade.

    E para quem gosta de ler e quiser se aprofundar no assunto: Uso de turbantes na Europa, convido a ler esta pesquisa:

    https://www.facebook.com/andressa.fourquet/media_set?set=a.1065314793489015.1073741869.100000315134950&type=3

  • Willian

    Achei esse artigo bem legal e super relevante sobre o assunto, concordo em alguns pontos com o que você falou mas acho que deveria dar uma olhada nele.

    https://www.facebook.com/andressa.fourquet/media_set?set=a.1065314793489015.1073741869.100000315134950&type=3&pnref=story

  • Daniela Barbosa

    Eu não entendia muito sobre o assunto de apropriação cultural antes de presenciar um caso sobre. Foi quando eu disse para uma amiga que iria fazer tranças. A minha amiga luta para quebrar os preconceitos, é super tranquila, mesmo assim, quando eu disse sobre as tranças, ela disse que era feio, mas que dreads ela achava bonito. Fiquei pensando sobre aquilo e a pouco tempo eu tinha visto o assunto de apropriação dos dreads pelos brancos. Simplesmente, as pessoas loiras que usavam dreads eram lindas e as negras, feias. Quando li sobre o assunto, achei meio exagerado e concordei com o restante “nada a ver, cada um usa o que quiser”. Mas foi ai que percebi que o dreads se tornaram bonitos e estilosos por que muitos brancos usam, mas as tranças ainda são feias, porque geralmente são negras que usam. Consegui perceber que, quando a branco passa a usar, mesmo que por estilo, aquilo sempre vai ser visto como bom, limpo e estiloso e quando uma negro usa (e principalmente, quando SÓ o negro usa) as coisas são um pouco diferentes.

  • Nicole Cristine Souza

    Diante de tantos argumentos ainda fiquei um tanto confuso com a posição da autora diante da utilização do turbante por mulheres brancas… Alguém me socorre?

  • Veve

    Olá!! Bem, não sou negra, então não vou falar se eu acho “certo” ou não o conceito de apropriação cultural sobre os turbantes. Na verdade, eu queria usar um cachecol na cabeça de maneira semelhante a um turbante ou coisa assim nos dias em que o meu cabelo (cacheado) acordar ruim. Sinceramente, eu passo por muito stress tentando saber o que fazer, e mesmo prendendo, SEMPRE ficam muuuuitos fiapinhos de cabelo pra todos os lados! Taco creme e gel, mas poucas horas depois esses fiapos se tornam mini cachinhos meio deformados e aleatórios em partes aleatórias do meu cabelo, enquanto o resto tá preso. Eu acho que meu cabelo é uma mistura dos tipos 3a, 3b e 3c. Na verdade, eu já sei que não vou fazer isso porque eu não gosto de “ousar” muito e fazer coisas diferentes porque sei que tem gente que encara mt e isso me deixa meio hesitante, mas na verdade eu só queria saber se eu realmente estaria oprimindo alguém por causa disso sabe, pq a minha intenção é simplesmente esconder esses fiapinhos que tanto me incomodam :/

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