De Miss Simone À Beyoncé: A Crítica Social Feita Através Da Música Importa Muito

No ano passado, a estreia do documentário-filme sobre a cantora e ativista Miss Simone nos lembrou não só como a música pode ser um veículo de questionamento social como também o quanto é complicado para um artista tocar em temas espinhosos e responsáveis por causar certo desconforto no público, colocando em risco sua própria carreira e sanidade.

Décadas depois da luta de Miss Simone, o apartheid permanece, mesmo que de forma velada. O assunto é tabu e falar sobre ele continua gerando polêmica. Prova disso foi a reação de parte da mídia americana e de muitos brancos que se chocaram com o novo clipe da cantora Beyoncé e sua apresentação no Super Bowl.

Na Fox News um jornalista chegou a afirmar que ela usou sua apresentação para atacar policiais, quando, na verdade, a letra da música confronta a violência da instituição policial para com a população negra americana. Referências aos confrontos de News Orleans do ano passado foram explícitas e o clipe foi, inclusive, gravado por lá.

Beyoncé é negra, casada com um negro e com uma filha negra. Sua posição sobre o assunto não pode ser deslegitimada apenas por “ela ser rica e famosa”. Quando uma negra atinge a posição de Beyoncé, ela tem poder de atrair atenção quando fala sobre qualquer assunto, por isso é tão importante ela falar sobre racismo, feminismo e outras questões sociais que fazem parte do seu universo.

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Também é importante para nós, brancos, entendermos o nosso mundo separado por raça, classe, gênero, nacionalidade e espécie. As demarcações sociais estão presentes e é incoerente dizer que o preconceito está nos olhos de quem vê. Não está e precisamos de cantoras pop também falando sobre temas espinhosos, pois, Beyoncé é a prova: quando elas falam, querendo ou não, concordando ou não, as pessoas escutam.

Não digo que Beyoncé tem necessariamente obrigação de falar sobre movimentos sociais (e nem julgar aqui como e até mesmo o porquê ela resolve abordar essas questões), afinal as complicações que essa atitude pode acarretar em sua carreira profissional são inquestionáveis, mas é inegável o poder de influência que ela tem quando o faz. O assunto é trazido à tona, debatido, vira tema de discussões, dissertações e textos influentes que podem gerar novos pensamentos e mudança de comportamento.

Vamos admitir, se essas mulheres não aproveitarem suas vozes poderosas para, de certa maneira, conversarem sobre coisas sérias com seus milhões de fãs, os ativistas, políticos ou teóricos, terão muito mais trabalho para chamar atenção para a importância de suas lutas.

Foto: Reprodução

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