Como Começar A Meditar Em 6 Passos

A meditação pode ser assustadora. Nosso espaço interior parece muito escuro e silencioso em contraste com a estimulação que recebemos constantemente do mundo através de nossos relacionamentos, nosso trabalho, nossos ambientes e tecnologia. A conectividade moderna, como smartphones e internet, pede que fiquemos conectados aos outros durante a maior parte de nosso dia de vigília, o que deixa a impressão em nossos sistemas nervosos de que o trabalho nunca acaba. Estamos constantemente em chamada, seja para negócios ou com os nossos entes queridos.

Aprender a meditar é sobre nos ensinarmos como, mais uma vez, desfrutar e buscar consolo na quietude que tanto desejamos desesperadamente, mas com a qual nos tornamos desconfortáveis. Por meio da meditação, podemos voltar a nos relacionar de maneira desapegada. O que possuímos pode, com frequência, parecer capaz de definir nossa identidade; nossas casas, nossas profissões, nossos relacionamentos, até mesmo nossas crenças religiosas e políticas e nossas preferências. Porém, a verdade de nossa identidade é algo que não pode ser quebrado pelas circunstâncias. O lendário escultor Michelangelo afirmou que ele viu a estátua dentro do pedaço de mármore e resolveu libertá-la tirando o que não era necessário em torno de sua forma. A meditação nos ajuda a discernir a confusão externa da verdade interior, e podemos entrar em contato com o que é real dentro de nós.

O corpo e a respiração estão sempre no tempo presente. Por outro lado, padrões agitados de nossos pensamentos são hábitos profundamente enraizados pela prática constante, e eles nos pedem para deixar de lado o que está acontecendo no momento para ruminar (o passado) ou antecipar (o futuro). Quando voltamos nosso foco para a nossa respiração, podemos domar essa tendência de ficar pensando no passado e no futuro. Mesmo um rápido mergulho na quietude pode nos enviar de volta para nossas vidas com mais clareza, paz e perspectiva.

1. Sente-se confortavelmente, onde você não será tentado a mudar sua postura devido ao desconforto ou incapacidade de ficar. Eu adoro sentar na borda de um cobertor dobrado ou bloco de ioga quando estou no estúdio de ioga. Quando estou em casa, escolho me sentar em uma almofada.

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2. Aprofunde a respiração e sinta onde seus ossos sentados se conectam ao chão, bloco, cobertor ou almofada. Esses simples redirecionamentos de foco irão ajudá-lo a começar a se sentir mais presente. Respire até chegar em uma capacidade confortável de plenitude (não tão inflado que você se sinta tenso) e exale lenta e suavemente como você respirou (não exale tanto a ponto de sentir uma necessidade urgente da próxima respiração).

3. Eu prefiro meditar com um mantra. Um mantra é uma palavra ou palavras que cativam a mente apenas o suficiente para mudar seu foco da história de seus pensamentos para a clareza do mantra. Ao invés de impedir a mente de pensar, que é a sua tendência natural e seu trabalho, podemos escolher repetir o mantra. Pela sua própria natureza, uma rejeição vigorosa de seus pensamentos naturais fará com que você preste ainda mais atenção neles. Então, ao invés de rejeitá-los, refoque no mantra e gentilmente deixe passar os outros pensamentos.

4. Escolha um mantra que não tenha muito significado para você, assim ele não se tornará alimento para o pensamento. As palavras em sânscrito funcionam maravilhosamente, porque têm um significado e uma vibração inerentes, mas para a maioria não há uma identificação tão forte capaz de distrair a mente. Para aqueles sem um mantra particular atribuído, eu recomendo as palavras “Om” ou “So Hum”, porque elas são simples, cativantes, e eles significam a nossa ligação com toda a vida. Deixe a palavra estar à frente de sua atenção sem fazer muito esforço. Permita que ela ecoe através de sua mente e apareça atrás de seus olhos como se estivesse observando-o em uma tela. Isso exigirá prática, então conforme os pensamentos forem surgindo, continue a se conectar com o mantra.

5. Eu gosto de meditar por vinte minutos cada vez que eu me sento. Mas em nossas vidas ocupadas, se colocarmos uma expectativa muito alta para a duração da meditação, é improvável que consigamos manter a prática. Comece a praticar por um curto período de tempo e acrescente minutos aos poucos, sempre mantendo uma duração a qual você seja capaz de acompanhar com consistência. Vá trabalhando para cada vez mais conseguir meditar por mais tempo. Vinte minutos agora parece nutritivo e manejável para mim, mas eu comecei com dez. Cinco pode ser uma boa introdução. A consistência é fundamental para começar cada prática. Tire um tempo para a meditação diariamente, mesmo que seja apenas por alguns minutos.

6. Não se preocupe em não se sentir imediatamente pacífica. Emoções que foram ignoradas na confusão da vida podem surgir durante a meditação. Na quietude, podemos ser chamados a enfrentar o que temos evitado. Entenda que a meditação não é o momento para desvendar essas questões, é um tempo de calma, por isso temos mais clareza sobre como agir em nossas vidas. Entretanto, deixe que as emoções surjam e apenas as sinta – sem seguir a história de cada situação ou tentando intelectualizá-las ou desvendá-las.

Imagem Capa: Time Modefica

Por Laura Ahrens para Vilda Magazine. Laura é professora de yoga em Boston, MA, EUA. Ela tem certificação de 200 horas em Vinysa Yoga, mais 200 horas de certificação avançada em Forrest Yoga com a criadora Ana Forrest, além de um BFA na University of the Arts. Ela é co-fundadora do One Love Long Island Yoga Festival e co-criadora da marca Miakoda New York.

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