Conheça Uma Artista: Evelyn Queiroz, A Garota Por Trás Da Negahambuguer, Conta Porque Resolveu Unir Ativismo À Arte

Foi com maior prazer que conversamos com a Evelyn Queiroz, a garota por trás das ilustras da Negahamburguer, que contou para nós de onde veio a vontade de unir sua arte ao ativismo, mais especificamente ao feminismo e ao ativismo negro.

Através do seu traço único, a Negahamburguer mostra que a mulher é plural e não foi feita para se encaixar em padrões – “empoderamento feminino” é uma das palavras chaves que definem sua arte. Talvez por isso tenha conquistado uma vasta multidão de fãs que adoram seu lindo (e colorido) trabalho.

A Evelyn contou como chegou até aqui, como enxerga o ambiente da arte para os negros hoje, além de compartilhar um pouco mais sobre seu universo. Tá bom demais esse bate-papo.

De onde você é e onde você vive?

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Nasci na cidade de São Paulo, SP, e recentemente me mudei para um cantinho mais escondido de Santo André, SP.

Quando você começou a desenhar?

Desenho desde sempre. Ainda criança me lembro de já desenhar nas últimas folhas do caderno da escola, ou de rabiscar nas carteiras.

Você frequentou escola de arte ou tem algum estudo técnico em arte?

Comecei a estudar design de interiores e depois design gráfico, mas nunca conclui as graduações. Tudo que sei sobre desenhar foi de experiência própria. Fui me aperfeiçoando com o tempo e encontrando meu próprio traço. Acredito que eu esteja em constante processo de atualização do meu traço.

Você pode nos dizer um pouco mais sobre suas técnicas?

Não sei dizer se tenho uma técnica específica, mas com o tempo fui conhecendo novos materiais e me identificando com alguns deles. Hoje, uso muito a aquarela, que é meu material favorito. Uso bastante tinta acrílica com pigmentos de cores para telas, e caneta Posca para contornos e pontilhados, que também adoro fazer. Uso sprays de graffitti também.

Como e quando surgiu a Negahamburguer? Ou seja, a arte como meio de ativismo?

Foi quando eu quis começar a fazer graffiti. A Negahamburguer surgiu da minha vontade de não querer que minhas ilustrações fossem “em vão”. Eu quis anexar à imagem que eu crio uma mensagem importante. Mas não uma mensagem qualquer. Uma mensagem que mexa com a opinião, que ajude de uma forma mais inusitada a entender os problemas que existem na sociedade, com foco no feminismo e seus conceitos. Foi quando pensei em criar uma personagem que fosse tudo isso, e a nomeei de Negahamburguer, em homenagem à minha boneca que me acompanha há 25 anos.

A Negahamburguer cresceu muito e alcançou muita gente, como isso aconteceu? Você tem alguma ideia?

Sinceramente, ideia eu não tenho muita. Talvez pela mensagem da ilustração. Eu criei a página da Negahamburguer no Facebook de maneira totalmente despretensiosa, para mostrar a Nega para quem quisesse vê-la ou se identificasse com ela. A partir daí, fugiu do meu alcance e a página passou a receber muitas curtidas por dia, até chegar no número que está hoje, e isso me deixa muito feliz. É uma grande realização.

O que veio primeiro: a arte, o feminismo ou o ativismo negro?

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Primeiro a arte porque gosto de desenhar desde pequena. Depois, quando mais velha, senti a necessidade de passar uma mensagem, então passei a entender e a estudar mais sobre o feminismo, um assunto que sempre me chamou a atenção, mas até então eu não estava tão a par de como funcionava. E consequentemente, chegamos ao ativismo negro, umas das pautas de dentro do universo feminista, de grande importância para a história das mulheres no Brasil e no mundo.

Aproveitando que estamos falando sobre ativismo negro, como você descreveria o meio das artes para os negros?

Ainda é necessário ampliar as possibilidades para que artistas negros sejam valorizados no mercado das artes. Acredito que, com muita luta, estamos aparecendo e nos mostrando cada dia mais, mas ainda há chão pela frente.

Você consegue se manter só com o que ganha com arte? Ou seja, trabalha com arte?

Hoje fico feliz em dizer que sim. Minha arte é o meu ‘ganha pão’. É claro que devido às condições de todos no Brasil, existem épocas mais difíceis de manter, mas trabalho duro para que esse seja para sempre a minha realidade. Eu não quero ficar rica, nem tenha grandes ambições, mas quero viver bem e feliz com o suficiente que ganhar do meu próprio trabalho.

O que te motiva a continuar nesse ramo, muitas vezes, tão difícil?

Ah, a vontade de viver do que gosto e o que faço de melhor. Minha motivação é essa, por que menos do que isso, não levaria ninguém para frente no mercado das artes no Brasil.

Alguma dica para outras meninas que busquem a arte como carreira profissional?

Meu melhor conselho é que façam de coração. Sempre que alguém comprar uma obra sua, a pessoa levará um pouco de você, e assim você pode espalhar o seu amor por aí. Não tem segredo, é só fazer com amor de verdade.

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Você pode acompanhar o trabalho da Evelyn pelo Facebook, Instagram e site oficial.

Fotos: Cortesia Evelyn Queiroz

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