Os Elementos Do Amor E Por Que Entendê-los Pode Melhorar Sua Vida Afetiva

Uma das melhores ferramentas para quem procura se manter estudando no tempo livre é o iTunesU, serviço do iTunes que disponibiliza (gratuitamente) aulas de diversas universidades pelo mundo, dos mais variados cursos, das mais variadas durações – tem vídeo, áudio, e em alguns casos até material de apoio, e aulas de negócios, música, língua estrangeira, sociologia, literatura, matemática. Foi pelo iTunes U que comecei a assistir às aulas de introdução à psicologia de Yale, ministradas pelo professor Paul Bloom, e foi nesse curso que assisti a uma palestra especial de Dia dos Namorados do convidado Peter Salovey, psicólogo e presidente da universidade, sobre o amor. O foco principal da sua palestra era a teoria triangular do amor do psicólogo Robert Sternberg.

A teoria de Sternberg é simples; segundo ele, o amor é composto por três elementos: intimidade, paixão e compromisso. As combinações diferentes desses elementos levam a tipos diferentes de amor, do não-amor, ao amor romântico e sexual. Identificar os elementos presentes em uma relação é uma forma muito esclarecedora de compreender as bases da interação, e o que pode sair dali – quando compreendemos do que nossas relações são compostas, podemos identificar os futuros possíveis, os níveis de envolvimento das pessoas envolvidas, os pontos mais difíceis que exigirão trabalho e esforço se quisermos seguir em frente. Para isso, é preciso, primeiro, entender o que é cada elemento.

A intimidade é o laço criado pelo compartilhamento de informações que não são compartilhadas com outras pessoas. Ou seja, intimidade é proximidade, é contar segredos, é conhecer lados daquela pessoa que outros não conhecem; intimidade é algo que frequentemente se desenvolve com o tempo. A paixão é mais primal: é o desejo, o interesse físico e sexual, a vontade de contato. Por fim, o compromisso é mais racional: é a decisão consciente de definir e manter aquela relação – resumidamente, é chamar aquele amor de amor.

É normal passarmos por relacionamentos – românticos ou não – que não apresentam os três elementos: com a pessoa interessante, próxima, com quem você se abre, mas pela qual, infelizmente, não rola nenhum tesão; com a pessoa com quem você poderia ficar trancada num quarto por 72h sem sair pra respirar, mas com quem você não quer de jeito nenhum assumir um relacionamento sério;  o namoro “correto”, com compromisso, com sexo, mas com uma pessoa que não te conhece nada bem no fim das contas. É aí que entra a classificação dos tipos de relacionamento a partir das combinações dos elementos.

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Começando do jeito mais simples: o não amor é a falta de todos os elementos, a total indiferença; é o que você sente pelas pessoas que mal conhece, por gente que você vê na rua, pelo vizinho para o qual você só dá “bom dia”.

A intimidade pura te leva ao gostar, ou seja, às amizades mais comuns. A paixão pura é infatuation (falta uma boa tradução pro português, aceito sugestões nos comentários), aquela sensação de “amor à primeira vista”, quando você olha pra alguém do outro lado de uma festa e dá vontade de chegar e agarrar. O compromisso puro é o amor vazio, normalmente o estágio final de um relacionamento em vias de acabar, quando você fica com alguém por obrigações práticas ou convenções sociais; no caso de casamentos arranjados, por exemplo, o amor vazio é, na realidade, o primeiro estágio.

Entrando no combo de dois elementos, temos o amor romântico, composto de intimidade e paixão, o começo mais comum dos relacionamentos, antes do compromisso. A combinação de paixão e compromisso é o amor fátuo, o romance intenso, que te consome mas não tem futuro (pense na narrativa cinematográfica dos casamentos em Las Vegas). A outra combinação possível, intimidade e compromisso, é o amor companheiro, o tipo de amor entre melhores amigos de vida inteira, o que eu gosto de chamar de amizade romântica.

O estágio final, o amor “ideal”, é o que envolve os três elementos, que Sternberg define como amor consumado. Num relacionamento romântico-sexual, é ao amor consumado que devemos almejar, o equilíbrio de intimidade, paixão e compromisso – o relacionamento com alguém que conhecemos bem e nos conhece como ninguém, com uma boa dose de desejo, e com a decisão clara de fazer o relacionamento funcionar.

É importante lembrar que essas categorias são mutáveis: vocês podem começar com um ou dois elementos, e vir a ter os três, mas também voltar a ter dois, só um ou nenhum, mesmo que tenham tido os três no começo. Por essa razão, é fundamental se manter atento ao que faz parte do seu relacionamento, e fazer os pequenos esforços diários para alimentar intimidade, paixão e compromisso, se você quer que o amor consumado se mantenha.

Imagem Capa: Time Modefica

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