Pele Crescida Em Laboratório: Como Funciona Essa Alternativa Aos Testes Em Animais

A olhos nus parecem gelatina, mas são peles humanas produzidas em laboratórios // Reprodução

Antes de colocar novos produtos no mercado, empresas de cosméticos, produtos de higiene pessoal e limpeza, e laboratórios farmacêuticos precisam conduzir testes de pesquisa, eficácia, e efeitos colaterais. Muitos desses testes eram conduzidos em animais, principalmente coelhos. Agora, cada vez mais considerados anti-éticos, ineficazes e ilegais em alguns países, principalmente na União Européia, os testes em animais, aos poucos, vêm sendo substituídos por testes em pele humana e outros métodos alternativos.

Em uma matéria da Wired, Sara Zhang conta como funciona um dos dois grandes fornecedores de pele humana para laboratórios, a MatTek, em Boston (seu principal concorrente é a Episkin, uma subsidiária da L’Oreal). A cada semana, o equivalente a dois corpos humanos é despachado para o mundo todo. Toda essa pele é produzida dentro dos laboratórios da MatTek a partir de pequenos pedaços de pele humana coletados, com autorização, de hospitais, principalmente de Boston. São peles descartadas durante processos de cirurgias plástica, circuncisão e biópsias, por exemplo. A empresa não sabe muito sobre os doadores, mas mantém os perfis de raça, sexo e idade.

A olhos nus, as peles crescidas em laboratório não parecem pele. O que a empresa faz é reduzir partes do corpo apenas às suas células essenciais a partir de um processo bioquímico. Eles têm produtos que reproduzem tecidos da vagina, do intestino, da gengiva e vários outros. E não pense você que esses pequenos pedaços se resumem à parte superficial da pele. A MatTek é capaz de reproduzir camadas, assim como nossa própria pele. Entretanto, conforme explica a matéria, “ela não tem folículos pilosos ou nervos ou glândulas de óleo. O andaime de proteína em que as células crescem é simplificado”.

Carol Treasure, da XCellR8, uma empresa que realiza teste para marcas como Lush Cosmetics, afirmou à Wired que os medalhões de pele crescida em laboratório são a melhor alternativa: “Eles são uma simulação muito melhor da pele humana do que os animais são”. No caso dos cosméticos, as peles servem, principalmente, para testar irritação, produtos anti-idade e clareadores. Para remédios, eficácia de componente, grau de toxicidade, metabolismo e absorção da droga são alguns testes que podem ser conduzidos.

Com testes em animais cada vez mais entrando em desuso, não só porque estão cada vez mais sendo contestados por cidadãos, consumidores, ativistas, e organizações, mas porque a própria comunidade científica já conta não só com as peles sintéticas, mas outros 20 métodos aprovados de testes livres de crueldade, devemos ver uma migração de países aderindo a políticas para banir animais como cobaias, inclusive em países como China e Japão, em um futuro próximo e migrando para os testes in vitro e diretamente em pessoas.

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