10 Autoras Negras Para Descobrir, Ler e Recomendar

Vivemos tempos de muita informação, mas indicar autoras negras ainda pode ser um desafio. Há diversas vozes, estilos, gêneros literários. No entanto, boa parte da produção é independente e difícil de encontrar em grandes livrarias. Pensando no acesso, essa seleção inclui escritoras com obras em português e disponíveis nas lojas.

Aqui você encontra autoras premiadas por seus diferente trabalhados, desde clássicos da literatura com Alice Walker até nomes mais frescos como Noviolet Bulawayo. São caminhos capazes de abrir novas possibilidades e mais leituras.

Roxane Gay

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Professora universitária, romancista e roteirista de quadrinhos, Roxane também escreve para sites e revistas sobre cultura pop, e já tem seu próprio TED. Seu primeiro livro publicado no Brasil, “Má Feminista”, reúne ensaios capazes de misturar traços biográficos e questões culturais. Misturando lembranças da adolescência com reflexões sobre a trilogia Jogos Vorazes, a escritora expõe suas contradições: gostar de uma protagonista forte, sobrevivente, enquanto torce pelo romance e o final feliz.

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Roxane Gay assume suas falhas como ser humano, como feminista e questiona se os altos padrões exigidos das mulheres em tudo criam a sensação de que movimento feminista está falhando em algum ponto. Provocando o leitor, ela trata de sua experiência como professora, amizades, as representações de pessoas negras na ficção e a persistência do machismo na cobertura jornalística.

Para ler: Má Feminista: Ensaios Provocativos de Uma Ativista Desastrosa (ISBN: 8542808231) por R$ 27,95 na Amazon BR

Chimamanda Ngozi Adichie

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A romancista nigeriana ficou conhecida por seu TED Talk sobre os riscos de se contar uma única história sobre a África – um continente cheio de diversidade – sem apresentar novos pontos de vista. Em 2009, quando a palestra foi divulgada, Chimamanda tinha acabado de receber o Orange Prize pelo romance “Meio Sol Amarelo”.

Suas obras exploram os contrastes da Nigéria, expondo a cultura machista, as desigualdades sociais e a persistência de uma ideia de progresso ocidental trazida pelo imperialismo europeu. Seu romance mais recente, Americanah trata da experiência de se reconhecer como uma pessoa negra nos Estados Unidos – algo impensável para a protagonista em sua terra natal. Além das questões da imigração, a narrativa mescla relações familiares, histórias de amor e traços da sociedade nigeriana que lembram bastante o Brasil.

Chimamanda teve uma de suas palestras sampleada por Beyoncé na canção Flawless, o que contribuiu para o aumento de sua popularidade da internet. Sua fala no TEDxEuston deu origem ao ensaio “Sejamos Todos Feministas”.

Para ler: Americanah (ISBN: 8535924736) por R$ 46,30 na Amazon BR

Noviolet Bulawayo

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Em “Precisamos De Novos Nomes”, Noviolet Bulawayo apresenta aspectos da vida no Zimbábue pelos olhos de Darling, uma menina que vive com sua mãe em uma região pobre chamada Paraíso. Com um grupo de amigos, ela explora a cidade, fugindo para os bairros abastados e descobrindo realidades muito diferentes da sua. A perspectiva da narradora mescla inocência e um humor cruel das quais as crianças são capazes, sem deixar de observar as dificuldades decorrentes da pobreza.

Quando a mãe decide enviar Darling para estudar nos Estados Unidos, a ideia de imigrar parece uma nova brincadeira, cheia de sonhos e oportunidades. No entanto, a adaptação a uma nova cultura, as saudades da família, do Zimbábue e de seus amigos, são descobertas inesperadas e se tornam parte de seu amadurecimento.

Para ler: Precisamos De Novos Nomes (IBSN:8525057789) por R$ 22,90 na Amazon BR

Carolina Maria de Jesus

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Catadora de lixo, mãe de três filhos, Carolina de Jesus não se conformava com as condições de vida na favela, muito menos com as atitudes de seus moradores. Em “Quarto de Despejo”, compilação de seus diários na segunda metade da década de 1950, a autora relata o esforço para conseguir dinheiro suficiente para alimentar seus filhos e não se embrutecer por causa da pobreza.

O livro revela uma realidade dura, e infelizmente atual para parte da população brasileira, sem deixar de fora momentos de afeto e poesia. A visão de si mesma como uma escritora, o sonho de publicar um livro, deixar a favela, embalam a autora em sua rotina desgastante. “Quarto de Despejo” nos convida a pensar sobre a importância da arte na leitura do mundo, na valorização da vida e da sensibilidade em circunstâncias muito desfavoráveis. A edição preservou a linguagem de Carolina, seus erros ortográficos e o português fora da norma culta, respeitando uma visão de mundo que precisa ser mais conhecida.

Para ler: Quarto de Despejo (IBSN: 8508171277) por R$ 41,90 na Livraria Cultura

Alice Walker

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Conhecida por seu romance “A Cor Púrpura”, adaptado para o cinema por Steven Spielberg, Alice Walker é ativista feminista e contra o racismo desde as manifestações pelos direitos civis nos Estados Unidos na década de 1960. Sua obra inclui ficção, poemas e ensaios, mas apenas dois títulos estão disponíveis em português

Ganhador do Pulitzer, “A Cor Púrpura” é romance epistolar onde Celie, uma mulher solitária, inicia uma correspondência com Deus, como forma de lidar com seus sentimentos e os eventos em sua vida. Celie vive no sul dos Estados Unidos, em uma época marcada pelos valores religiosos e o machismo.

Conforme sua família cresce, novas questões surgem. O racismo dificulta o acesso de pessoas negras a melhores condições de vida. A ideia de como homens e mulheres devem ser limitam as possibilidades humanas e dificultam os relacionamentos afetivos. Com o passar do tempo, Celie conhece pessoas que lhe oferecem cumplicidade e a força destas relações começa a mudar sua vida e a abrir novos caminhos.

Para ler: A Cor Púrpura (ISBN: 8503010313) por R$ 28,95 na Amazon BR

Toni Morrison

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Vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1993, Toni Morrison aborda diversos aspectos da experiência de mulheres negras. A necessidade de trabalho, como a preocupação com a sobrevivência desgasta os relacionamentos, o impacto de não se adequar ao padrão de beleza eurocêntrico em sua autoconfiança.

No entanto, a provocação não vem apenas de temas que convidam o leitor ao questionamento, mas de sua linguagem. Jazz, um romance curto sobre as consequências do assassinato de uma jovem no Harlem, tem vários narradores e avança e retrocede no tempo, compondo um mosaico de diferentes visões sobre o crime e os personagens envolvidos nele.

Para ler: Jazz (ISBN: 9788535915112) por R$ 22,40 na Saraiva

Ana Maria Gonçalves

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Em 2002, Ana deixou sua carreira em uma agência de publicidade em São Paulo e mudou para Ilha de Itaparica, na Bahia, para se dedicar ao seu primeiro livro. Após o lançamento independente de “Ao Lado e à Margem do que Sentes por Mim”, a escritora publicou “Um Defeito de Cor”, uma saga de mais de 900 páginas que recebeu o Prêmio Literário Casa de las Americas, em 2006.

Da África ao Brasil, passando pela Bahia, o Rio de Janeiro e Santos, o leitor acompanha a vida de Kehinde, uma menina capturada em Daomé e vendida como escrava. Os anos de servidão, a luta para conseguir sua liberdade e a de seu filho, a luta para garantir sua sobrevivência. “Um Defeito de Cor” trata sobre a vida dos negros no Brasil colonial de uma perspectiva pouco explorada em nosso ensino de história.

Para ler: Um Defeito De Cor (ISBN: 8501071757) por R$ 94,90 na Livraria Cultura

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Conceição Evaristo

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A professora Conceição Evaristo, um das vencedoras do Prêmio Jabuti 2015 na categoria Conto com “Olhos d’Agua”, escreve sobre as vivências de pessoas negras evitando uma abordagem da pobreza apenas como uma realidade opressiva, mas como uma experiência de aprendizagem, resistência, estratégias e sobrevivência.

A escritora evoca a ancestralidade, a umbanda e o candomblé e faz referências à literatura de países africanos como Senegal, Angola e São Tomé e Príncipe. Em suas entrevistas, Conceição reafirma a importância da escrita para registrar diversas experiências e um direito de todos, que não depende do domínio da norma culta.

Para ler: Olhos d’Água (ISBN: 8534705259) por R$ 18,97 na Amazon BR

Angela Davis

Uma referência para o feminismo negro e interseccional, “Mulheres, Raça e Classe”, de Angela Davis, acaba de ser traduzido para o português. Professora de filosofia, ativista e militante dos Panteras Negras e do Partido Comunista, Angela foi acusada de ser uma das idealizadoras de um ataque ao juiz Harold Haley e esteva na lista de criminoso mais procurados do FBI nos anos 1970.

Embora tenha sido inocentada das acusações, Davis sofreu represálias na Califórnia e foi proibida de lecionar. Ao analisar como a desigualdade, o machismo e o racismo dispõem de diversos mecanismos para a opressão da mulher negra, Davis aponta como a esquerda tradicional e o movimento feminista precisam observar como diversas exclusões são articuladas para combater efetivamente o racismo e a pobreza. Davis fala sobre o encarceramento da população negra nos Estados Unidos no documentário 13ª Emenda, de Ava DuVernay.

Para ler: Mulheres, Raça e Classe (ISBN: 8575595032) por R$ 39,15 na Livraria Cultura

Paulina Chiziane

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Vencedora do prêmio José Craveirinha com o romance Niketche sobre uma mulher moçambicana que conhece as amantes do marido e decide viver relação poligâmica, Paulina Chiziane participou da Frente de Libertação de Moçambique e usou a língua como ferramenta de resistência ao usar palavras em chope, um dos vários idiomas falado em seu país.

Embora não se intitule feminista, Paulina defende a libertação das mulheres como uma de suas lutas e temas de sua literatura. Considerada a primeira mulher moçambicana a publicar um livro, em 1990, a autora denuncia a falta de estímulo para que as meninas estudem entre os motivos para existência poucas escritoras em Moçambique.

Para ler: O Alegre Canto Da Perdiz (ISBN: 9789722121873) por R$ 23,66 na Saraiva

Texto por Stephanie Borges. Stephanie é jornalista, poeta e leitora. É tradutora e redatora freelancer. Escreve uma newsletter sobre livros, filmes e cultura pop, “a cartinha de banalidades” que você pode assinar para receber aqui: http://bit.ly/2aFnzYp.

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