5 Brasileiras Que Fizeram História na Luta Pelos Direitos das Mulheres

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*Para ler ouvindo ‘Pagu’.

“Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda, meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem”. É inspirado por essa melodia que o Modefica volta na história para resgatar mulheres incríveis, brasileiras de nascença, de corpo e alma, que arregaçaram as mangas, lutaram pelos direitos femininos e bateram o pé na porta para entrar na história do país: de cabeça erguida e a bandeira do feminismo hasteada.

Na verdade, não é preciso olhar muito para trás para conhecer algumas dessas grandes mulheres. Vamos começar a nossa viagem exatamente com a inspiração da música que nos embala: Patrícia Rehder Galvão, a Pagu. Poetisa, ativista política e jornalista, essa mulher decidiu escrever sua própria história quando, aos 15 anos, começou a redigir matérias para o Jornal do Brás. Se tornou conhecida e admirada – ou odiada – quando passou a defender a participação ativa da mulher na sociedade e na política, ganhando as manchetes dos mesmos jornais para os quais era escritora e correspondente ao ser a primeira brasileira do século 20 a se tornar presa política.

O apelido Pagu ganhou do poeta Raul Bopp e o convite para se engajar no movimento antropofágico veio do casal de modernistas Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade – que mais tarde tornou-se seu marido e foi junto com ela para o Partido Comunista Brasileiro, em meados dos anos 30. Pagu criticava as ‘feministas de elite’ e os valores das paulistanas de classes dominantes.

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Seguindo nossa viagem pelo universo das mulheres que enfrentaram tudo e todos para defender os direitos femininos, nos deparamos com Alzira Soriano de Souza, a primeira mulher do Brasil e da América Latina a ocupar um cargo eletivo como Prefeita de Lajes/RN pelo Partido Republicano, em 1928, ganhando as páginas do importante The New York Times. Mesmo depois de tamanha conquista e com sua forte personalidade, Alzira deixou o cargo por insatisfação com a eleição de Getúlio Vargas e, dois anos depois disso, as mulheres conquistaram o direito ao voto, vetado no ano em que Alzira assumiu o cargo.

Por falar em personalidade e no grande poder da inquietação, nossa próxima personagem estava sempre à frente do seu tempo, e decidiu sair da sombra de um ex-namorado para ser a precursora da participação das mulheres nas artes plásticas em terras tupiniquins. Georgina de Albuquerque foi a primeira impressionista e dirigiu a Escola Nacional de Belas Artes em 1952, local onde anos antes ela havia sido impedida de entrar por ser uma artista boa demais e acusada de copista. Só quem é segura de si não deixa isso barato. Com 17 anos provou o que seria confirmado anos depois: era sim uma mulher boa demais.

Já para quem pensa que feminismo e lesbianismo são assuntos que vieram à tona em tempos mais recentes, se engana. Felipa de Souza cravou seu nome na história em 1591, quando foi presa acusada por ser lésbica, e por confirmar que, mesmo casada, tinha atração por mulheres. Condenada ao açoite público e ao degredo perpétuo nas ruas de Salvador, Felipa escutou sua sentença dita em voz alta, devidamente trajada como os hereges, e foi expulsa da capitania. Como não deveria deixar de ser, ela foi homenageada pela International Gay and Lesbian Human Rights Comission, que deu seu nome à principal premiação de Direitos Humanos dos Homossexuais.

Para terminar essa volta ao tempo nas origens do poder feminino no Brasil, não poderíamos deixar Leila Roque Diniz, a ‘Garota de Ipanema’, de fora da lista. Rompendo tabus, escandalizando as famílias tradicionais e literalmente parando o país em plena Ditadura Militar, Leila exibiu sua gravidez usando um biquíni, além de falar abertamente sobre sexo, relacionamentos e, principalmente, sobre sua vida pessoal, sem vergonha ou constrangimento. E alguém, por acaso, pode ser punido por dizer que gosta de transar de dia, de tarde e de noite?

A última frase escrita por Leila, encontrada em um diário junto aos seus restos mortais após o acidente aéreo que resultou em sua morte, ainda diz muito sobre o mundo, sobre as mulheres e sobre o lugar que elas ainda não ocupam na sociedade: “Está acontecendo alguma coisa muito es…”

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