A Herbívora Te Ajuda A Levar Uma Vida Mais Consciente

Quando eu tinha 12 anos, costumava frequentar a estância da família da Elisa, minha melhor amiga. Era uma fazenda de gado leiteiro perto de Ijuí, no Rio Grande do Sul. Em uma dessas visitas, eu vi um bezerrinho nascer — e no mesmo fim de semana vi um peão da estância tirando o couro de um boi que havia sido abatido.

Não sei se o que senti foi simplesmente pena ou um embrião de compaixão, mas não quis mais comer carne. Só que, com 12 anos, na década de 80, no Rio Grande do Sul, não havia muita coisa que eu pudesse fazer sozinha. Até que, aos 14 anos, já morando em Santa Catarina, comecei a namorar um surfista vegetariano (uma das pessoas que mais teve influência no que eu sou hoje em dia).

Não posso dizer que sou vegetariana desde então: no meio do caminho houve um período em que voltei a comer peixes e frutos do mar. As coisas começaram a mudar quando eu adotei um gato. Gatos e cachorros são como agentes infiltrados, cuja missão secreta é despertar amor e compaixão em humanos endurecidos pela vida adulta capitalista.

O gato (a gata, no caso — a Júpiter) amoleceu meu coração e abriu a casa para outros gatos e cachorros. Comecei a ajudar protetoras de animais em missões de resgate e castração, e passei a não me sentir confortável comendo outros bichos. E então… fui no aquário de Monterrey, na California, e tive um momento de profunda emoção na frente de um tanque cheio de atuns, vendo aqueles bichos majestosos nadarem. Chorei potes na frente daquele tanque. E nunca mais comi bicho nenhum. E em pouco tempo parei também de comer produtos derivados de animais (e nunca mais fui num aquário — apesar da visita ter servido para o meu “despertar”, hoje sou contra a exibição de animais confinados para entretenimento humano).

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A horta em vasos da Casa Herbívora // Cortesia Herbívora

Bem, essa história toda me levou até aqui, 2016, Perdizes, São Paulo. Cultivo uma horta em cima da laje da garagem, escrevo e faço vídeos sobre comida vegana, proteção animal, plantas, horta — e sobre a importância de viver de maneira consciente. Uma vida consciente, na minha modesta opinião pessoal, é procurar estar presente em tudo que se faz; pensar e questionar cada coisa, prestar atenção e desligar o “modo automático”. E eu acho que, ao fazer isso, a gente se aproxima de uma possível vida sustentável.

É muito difícil pra quem mora em uma grande cidade viver na sustentabilidade. A gente precisa de tudo, e não produz nada. Só produzimos dinheiro: e aí vamos ao supermercado, ao shopping, e compramos tudo. As coisas que compramos vêm de outros lugares, às vezes de bem longe, e não estamos acostumados a pensar sobre a cadeia de produção e a rede que permite que as coisas cheguem até nós.

Por isso é preciso fazer um esforço para questionar e fazer escolhas conscientes. Muita gente continua repetindo hábitos e costumes considerados normais, mas que não fazem mais sentido nem no mundo atual e nem na vida pessoal. É preciso desnormalizar tudo aquilo que causa sofrimento e perpetua uma cadeia de desigualdade, miséria e destruição.

Plantar e comer um vegetal nos aproxima da origem de todas as coisas, nos faz contemplar a grande rede de conexões que é o universo, nos afasta, nem que seja só um pouquinho, da lógica do consumo — e nos aproxima da lógica do criar e do fazer.

Te desafio a colher um morango ou um tomate plantado por você mesmo e conseguir evitar um arrepio, uma lagriminha, ou um pensamento de gratidão.

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Comidinhas veganas da Casa Herbívora // Cortesia Herbívora

Qualquer pessoa pode plantar, em qualquer lugar — até mesmo na frente de uma janela, no seu apartamento. Uma das minhas missões é ajudar quem quer fazer isso, nas oficinas de horta-em-qualquer-lugar que ofereço na Casa Herbívora. Outra missão é alimentar gente, e mostrar que uma comida livre de derivados animais pode ser deliciosa, criativa, variada.

O objetivo maior da Herbívora — o site, o canal no YouTube, os eventos na Casa Herbívora — é emocionar e inspirar quem se deu conta que sua vida, e o mundo em que vive, é de sua responsabilidade. Que entende que pode fazer escolhas. Que acha que pode fazer alguma coisa boa e útil para outro ser. Que quer se libertar dos padrões das coisas-como-sempre-foram. Eu gostaria que todo mundo que chega à Herbívora encontre a exata informação que precisa para perceber que há uma semente dentro de si.

Porque a gente é semente. Para um mundo mais justo, mais simples, mais afetuoso, mais inclusivo, mais harmônico e mais amoroso com pessoas e animais. Tá na tua mão. Vem!

Imagem Capa: Alessandra Narah // Cortesia Herbívora

Alessandra Nahra é a mente por trás da Herbívora. É jornalista de formação, já trabalhou como cozinheira e em fazendas orgânicas no Havaí, trabalha há mais de uma década com arquitetura da informação. Nasceu em Porto Alegre, mora em São Paulo e já passou por muitos lugares entre um ponto e outro.

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