A Vogue Kids, A Erotização Infantil Na Sociedade E As Opções Além Da Mídia

A Vogue Kids deu um passo muito errado no editorial “Sombra e Água Fresca” na edição de setembro da revista. Não demorou muito para as fotos, das meninas em posições sugestivas e erotizadas, caírem na rede e serem duramente criticadas. Pais, pediatras, psicólogos, advogados e pessoas aleatórias se envolveram no discurso anti-Vogue.

A erotização infantil, a pedofilia e o amadurecimento extremamente rápido das crianças de hoje é um assunto complexo, e não vamos entrar a fundo nele, mas nós, responsáveis por influenciar pessoas para um estilo de vida mais consciente, não poderíamos deixar essa polêmica da Vogue Kids completamente de lado.

Infelizmente, essa publicação da revista reflete o o momento atual da nossa sociedade, e não deve ser tratada como um fato isolado. As crianças não brincam mais, as meninas usam maquiagem e salto alto, os meninos só tem olhos para seus tablets. Parece que um ser muito mau (tipo o bicho papão) roubou a infância das crianças. Muitas vezes, a mídia é colocada como esse ser maligno, mas, na realidade,  alguns pais estão realmente desorientados, enquanto outros ainda não se deram conta do problema. A Vogue Kids é só mais um bode expiatório usado para se livrar do karma.

O questionamento do papel da mídia, é, de fato, muito importante, não tiremos o poder de influência dela, e já estão acontecendo ótimas discussões com pais e especialistas sobre o assunto, por isso, nem vamos entrar nesse debate. Mas, para que as mudanças aconteçam de fato, as alternativas tem que estar disponíveis e ao alcance dos pais interessados e empenhados, e, essas alternativas existem, basta procurar.

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Eu, que vivo em constante busca por projetos criativos e que repensam o mundo em que vivemos, selecionei algumas opções de consumo e de lazer onde as crianças são tratadas como crianças. São empreendedores batalhando para construir um mundo de boas possibilidades, onde as crianças brincam, sem distinção de gêneros, de forma lúdica e natural. Se você é pai, mãe, tia, avó, madrinha, aproveite.

[ GOUACHE ]

A Gouache é o projeto de vida da Claudia Imperial, uma carioca forte e determinada. Seus produtos vestem as crianças, para proteger, para cuidar e para confortar. Eles até enfeitam, mas nunca exibem ou transformam. Pijama é de algodão, bem fresquinho, roupinhas não são fantasias de poliéster, nada de personagens da TV. A loja conceito em Pinheiros é um laboratório de experiências, a própria Claudia fica lá com sua equipe, participa e escuta tudo que acontece. Lá tudo é possível, as crianças soltam a imaginação, a mola presa ao teto vira teleférico, a galocha serve como vaso e o provador é nada menos do que um chuveiro! Sem contar as vitrines da loja, desenhadas a mão, são lúdicas e encantam os olhinhos dos pequenos!

[ MAMUSCA ]

A Mamusca nasceu da cabeça de duas mulheres, Elisa e Janaina, inspiradas pelas lembranças mágicas da infância. Elas achavam que o mundo, apesar de preparado para mandar o homem para a lua, não estava preparado para acomodar pais com seus filhos. Criaram esse espaço delicioso para grandes, pequenos e pequeninos passarem bons momentos juntos entre um almoço ou uma oficina. A impressão de que você entrou no túnel do tempo é proposital, as crianças ficam livres para correr e explorar, tem até uma jabuticabeira no quintal só para garantir que as crianças possam escalar e, assim, “desbravar” a natureza no meio da cidade.

[ BOLOLOFOS ]

A mãe, Udi, é costureira e ainda na infância dos filhos ela costumava fazer fantasias e brinquedos para os filhos. A designer Graziella queria resgatar essas lembranças e então criou a Bololofos, onde as duas dividem a tarefa de transformar desenhos de crianças em bonecos de pano. O processo de produção leva em média 15 dias, o trabalho é minucioso para ficar o mais fiel possível aos desenhos. A mágica acontece com bonecas, monstrinhos, animais e até auto retrato.

Ilustração por: Elena Blanco

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