Acrobacia, Yoga E Romance: A Acroyoga E O Equilíbrio Dos Casais

Esses dias uma amiga me enviou um link com fotos de casais praticando a tal da acroyoga – febre entre as celebridades e entre os casais de famosos. O meu primeiro sentimento ao olhar as imagens foi: “uau, isso parece muito legal!”. Segundos depois, meu cérebro se opôs ao meu coração e pensei: “mais uma modinha chata que vamos ter que aturar todos os amigos falando, postando e compartilhando sobre”. E foi assim, com um sentimento ambíguo, que comecei a me inteirar melhor do mundo dos casais acrobáticos.

O movimento dos acroyogues é super forte no Instagram, onde você pode encontrar muitas fotos de casais que atormentarão seus dias e noites de mesmice ao lado da pessoa amada – naturais, todo casal tem os seus. Basta buscar #couplesyoga ou @couplesyoga e pronto – surge na tela material suficiente para fantasiar por horas como seria incrível praticar essa atividade física com o seu companheiro. É o mesmo sentimento que temos quando vemos fotos de pessoas em alta performance de pilates. Ou até mesmo ballet e outras danças. Essas atividades nos encantam, pois trazem o desafio da gravidade e evidenciam uma flexibilidade e força que sabemos não serem banais. Só que a acroyoga vai além porque precisa de, no mínimo, duas pessoas, ou seja, não é algo que se consegue fazer de maneira individual. De modo geral, podemos dizer que a acroyoga representa as gotas de suor que faltavam ao marketing do amor.

Segundo Márcia Yahn, uma das 11 professoras de acroyoga no Brasil, essa atividade é perfeita para os casais, pois, durante sua prática, a atenção de cada participante volta-se completamente para o outro. Ela afirma que “a acroyoga é uma terapia de casal sem conversa. Costumo muito observar as pessoas praticando juntas e se entendendo de alguma forma”. Deve ser daí que surgiu a tagline utilizada pelos acrobatas do amor no Instagram: “learning the importance of trust and communication”.

Claro que aprender a confiar em seu parceiro e a compreendê-lo mesmo que sem palavras é importantíssimo. Ninguém quer ter que verbalizar exaustivamente o espanto, o desejo, o desânimo e a súbita alegria. E, obviamente, atividades físicas são boas para desenvolver um entrosamento entre os corpos e as mentes daqueles que convivem e se gostam, sejam essas pessoas um casal ou não. A questão é apenas: será que precisamos de uma atividade física específica? Será que devemos agora, todos nós, largarmos a academia, o karatê, o ballet, as artes circenses, para lotarmos as aulas de acroyoga com nossos parceiros de sonhos? Será que é esse o elemento que faltava para que nossa vida se torne mais harmônica e plena? A resposta é: não, não é.

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A acroyoga é na atualidade o que a dança de salão já foi em outras épocas. Trata-se de uma atividade que faz bem à saúde, provoca bem-estar, tem uma prática bonita, que naturalmente nos desperta interesse e traz a promessa de conectar as pessoas. E nada disso é mentira. O problema é atribuirmos o poder de nos entendermos, de harmonizarmos nossas vidas conjuntas com a prática de uma atividade física específica, como se ela fosse a única coisa capaz de fazer isso acontecer, quando, na realidade, qualquer atividade que você pratique com frequência, paixão e entusiasmo com seu parceiro trará o mesmo resultado. E há um detalhe importante nisso: essa atividade nem precisa ser física. Não precisa ser um esporte. Podem ser atividades intelectuais, desde que praticadas conjuntamente e com o mesmo empenho que você faria para levantar os dez quilos do aparelho de bíceps na academia.

Muitos casais que eu conheço praticam jardinagem juntos e isso os coloca a par da alma do outro. Outros casais andam de bicicleta. Outros, correm mudos lado a lado nos parques. Há aqueles que fazem treking, e tem também o grupo da escalada. Isso sem contar os fãs de bricolagem, os marceneiros e os circenses. E todos esses casais, quando estão praticando qualquer uma dessas atividades, estão atentos aos movimentos, gestos e modos de fazer de seus parceiros. Estão aprendendo e descobrindo coisas juntos. Estão fortalecendo sua união de alguma forma, gerando novos temas e assuntos em comum, ampliando a gama de momentos “só deles” e se entendendo mútua e silenciosamente, como no acordo tácito da mão direita com a esquerda. Em qualquer uma dessas atividades, assim como na acroyoga e na dança de salão, esses pares estão completamente conectados.

O que importa não é o que você faz junto com quem você ama, mas como você faz e o que aquilo representa para vocês. Assistir Netflix pode ser um processo de fortalecimento do amor para alguns casais, dependendo do momento da relação, do momento de vida de ambos e do quanto aquilo é gostos para eles. Como minha bisavó gostava de dizer: “os relacionamentos são pacotes grandes de coisas miúdas. E dessas pequenezas, a mais importante é o quanto vocês ficam felizes juntos”. O que importa de ponta cabeça ou com os pés bem firmes na terra é se você está prestando atenção no seu companheiro, em suas necessidades, desejos e vontades. Se vocês estão atentos para que as leis da gravidade do amor lhes desestabilizem sem nunca derrubá-los. Afinal, só isso que podemos controlar e, no final do dia, o que vai pesar mesmo na balança quando qualquer crise natural se aproximar é o quanto vocês se divertem (e são fortes) juntos.

Foto: Michelle Pemberton para The Indianapolis Star // Reprodução

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