Além Do Apple Watch: 5 Wearables Para Prestar Atenção Em Tecnologias Vestíveis

Quando ficamos sem internet no celular, seja viajando para outro país ou fora de uma zona de wi-fi, a angústia é praticamente inevitável e não dá para imaginar como era a vida antes dos smartphones. Como sabíamos qual ônibus pegar para ir a um lugar desconhecido? Ligávamos o computador todos os dias de manhã para checar a previsão do tempo? Como descobríamos aquela música incrível tocando na festa quando nenhum dos nossos amigos sabia? A vida ficou bem menos trabalhosa desde o lançamento do iPhone. Para muito além de aplicativos, ou melhor, para muito além do celular, tem muita gente criativa se esforçando para suprir necessidades ainda desconhecidas por nós.

Tendo o corpo humano como suporte, as tecnologias vestíveis são a grande aposta para os próximos anos. Elas surgiram da necessidade das pessoas em tirar o celular do bolso cada vez menos, pois o dispositivo tecnológico pode estar no pulso, no tórax ou até no rosto de quem o está usando. Mas não é só por isso, gerar dados para criar insights sobre si mesmo, monitorar o desempenho em atividades físicas através de movimentos e até analisar o sono são outros fatores responsáveis por incentivar a criação de diversos aparatos tecnológicos para serem usados no corpo. Os wearables, nome em inglês para os dispositivos vestíveis, estão fazendo muitos desenvolvedores olharem a moda com outros olhos, não só para atrair um público diferente dos geeks do Vale do Silício, como também para aprimorar e refinar seus produtos cada vez mais, tornando-os atraentes e tão indispensáveis no dia a dia quanto, digamos, um sapato.

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Apple Watch x Hermés

Segundo Steve Mann, um dos mais ávidos pesquisadores da área, tecnologia vestível é o estudo ou a prática de inventar, projetar e construir dispositivos e sensores de diferentes funções que podem ser aplicados nas roupas ou em objetos, como relógios e pulseiras. Ela atua de forma interativa com o usuário e pode executar uma tarefa enquanto quem a veste executa outra. Um primeiro exemplo até deve vir na sua cabeça agora, o Apple Watch. Um dos últimos lançamentos da Apple representa muito bem este segmento e sua conexão com a moda, ainda mais depois da parceria com a Hermés e aparições em editoriais da Vogue. Mas existem vários wearables no mercado, inclusive há mais tempo, responsáveis por criar  uma conexão entre moda e tecnologia que influenciam os lançamentos até hoje.

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pebble

Pebble Time Round

Um estudo de 2014 indicou um dado revelador sobre a vontade das pessoas em adquirirem tecnologias vestíveis: dos dez projetos mais apoiados na plataforma de financiamento coletivo Kickstarter no ano de 2013, cinco eram wearables. O primeiro dessa lista é o Pebble, smartwatch cuja campanha tinha o objetivo de atingir US$ 100 mil para começar a ser produzido, mas arrecadou cerca de US$ 10,2 milhões. O dispositivo, além de possuir um contador de passos e um medidor de velocidade, dá acesso imediato às principais funcionalidades do celular, graças ao envio de notificações de email e mensagens através de um aplicativo. Embora o próprio CEO do Pebble, Eric Migicovsky, tenha afirmado que a empresa não vai seguir uma trajetória focada em moda, não dá pra negar que o novo Pebble Time Round é bem bonitinho.

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Fitbit x Tory Burch

Um dos primeiros wearables a surgir, no entanto, é a Fitbit, em 2007. Criada por Eric Friedman e James Park, a pulseira foi originalmente pensada para quem faz atividades físicas, por contar a quantidade de passos, calorias queimadas e distância percorrida. Hoje, a empresa conta com sete tipos de Fitbit diferentes, cada uma voltada para uma necessidade específica do usuário. A mais conectada à moda é a Fitbit lançada em parceria com a marca norte-americana Tory Burch. Trata-se, na verdade, de braceletes de metal, silicone ou couro que envolvem o próprio dispositivo. A ideia não foi considerada muito inovadora, afinal, é possível ver o tracker preto através do metal. Mesmo com este empecilho, a parceria é um dos principais marcos da aproximação entre a tecnologia vestível e a moda.

up

Up 4 Tracker

No fim de 2011, a Up by Jawbone chegou ao mercado. Mesmo com alguns defeitos de fabricação que prejudicaram usuários da primeira geração do produto, as próximas versões cumpriram bem a premissa de registrar desempenho físico, fazer pagamentos, monitorar a alimentação e o humor e decidir qual é a melhor hora de acordar o usuário levando em conta seus ciclos de sono. Mas o mais interessante, no entanto, é a atenção dedicada ao design da Up, sendo esse um de seus grandes atrativos. Tudo isso se deve à parceria com Yves Béhar, designer suíço que já trabalhou para a Puma, Prada e Mini e que atualmente comanda a direção criativa da companhia.

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Misfit Shine x Swarovski

A Misfit Shine também é um exemplo de produto que superou as expectativas do financiamento coletivo, chegando a arrecadar oito vezes a meta oficial no IndieGoGo em 2012. Alguns diferenciais se destacam na Shine, como o fato de ela pesar 10 gramas, carregar e sincronizar só de encostar na tela do iPhone e armanezar até 30 dias de atividades em sua memória. A aproximação com a moda, no entanto, se dá de um jeito mais chamativo, brilhante e inovador. A parceria com a Swarovski não só resultou em um acessório de moda como também no primeiro wearable possível de ser recarregado por energia solar através de cristais! Incrível, não?

Segundo o site Vandrico, especializado na área de tecnologia vestível, existem hoje 347 wearables disponíveis no mercado, sendo 160 para serem utilizados no pulso. Mas mesmo com tantas opções, a maioria das pessoas não tem um acessório desse. Isso acontece pelo fato de, mesmo sendo super funcionais e condizentes com o que oferecem, os wearables esbarram em alguns problemas que os impedem de popularizar-se mais rapidamente. Nenhum dos mencionados no texto, por exemplo, cumpre todas as funções de uma vez só. Então fica muito mais difícil escolher entre um que realiza pagamentos e outro que carrega pela luz solar.

Outro problema pouco mencionado é o desinteresse das pessoas após a compra. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2014 com 6.223 pessoas indica que 1 entre 10 jovens com mais de 18 anos possui um wearable, mas pelo menos um terço dos entrevistados abandonou seu dispositivo após seis meses de uso. Entre os principais motivos para tal, destacam-se a facilidade com a qual eles se perdem ou quebram, a bateria pouco durável, o desconforto ao vestir e a falta de beleza. Esses dois últimos fatores só mostram o quanto a moda é importante nessa área. Afinal, você pode até ter criado o dispositivo mais incrível do mundo, mas se ele não for bonito e ergonômico, ninguém vai querer usar.

Fotos: Reprodução

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