Ativista Feminista, Isa Penna Quer Ocupar a Assembleia Legislativa de São Paulo

Votar em Isadora Martinatti Penna, mais conhecida em suas lutas e na carreira política como Isa Penna, é votar, acima de tudo, por uma ativista feminista na política. Advogada trabalhista de formação, Isa se tornou uma especialista em casos de assédio e violência sexista. A trajetória política começou com sua candidatura ao cargo de vereadora da cidade de São Paulo, em 2014. Porém, seu interesse por esse universo começou bem antes, aos 15 anos, influenciada por seus pais militantes. Eles lutaram no final da ditadura pela redemocratização do país, ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT) e criaram Isa com valores como igualdade e justiça social.

Mas foi o Coletivo Feminista, fundado por ela durante seu tempo de estudante de direito na Puc-SP entre 2009 e 2014, o empurrão que faltava para Isa entrar de cabeça nesse espaço tão masculino. Em 2010, filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol). Em 2014, concorreu a um cargo legislativo pela primeira vez, aos 23 anos, debatendo as pautas femininas e da juventude pelo grupo do qual faz parte, a Insurgência. Foi essa rota que a levou ao cargo de primeira suplente de vereadora do Psol em SP e a primeira mulher a levar a bandeira do feminismo para as eleições. 

Isa quer governar para e com as mulheres e os jovens. Até a escolha do seu número traduz suas convicções para essa campanha: o 50 representa o partido Psol, que por si só busca ser uma representação da luta contra a desigualdade social e por uma política mais justa, que atue de verdade pelo bem das pessoas independente de cor, classe e gênero dentro do pensamento socialista. O 180 é o número da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, o que simboliza o número crescente de mulheres agredidas e mortas, mas também o combate a essa violência, que fica mais forte a cada dia no Brasil.

 

Um processo eleitoral surdo.

Essa é a definição da eleição deste ano sob a ótica de Isa Penna: um processo surdo para as causas das mulheres em uma época que esse debate está tão forte nas ruas e nas redes sociais. Ela ressalta a distância gigantesca entre o debate político nos gabinetes e nas ruas: “É um verdadeiro abismo que separa os dois lados quando, na essência da democracia, eles deveriam andar juntos”.

Publicidade

Por isso, ela entende que apenas reformas estruturais no sistema político, capazes de democratizar o acesso à política e às informações de forma global, dará conta do recado. “O que precisa mudar é esse esquema onde o voto é uma espécie de cheque em branco entregue aos políticos a cada quatro anos”, lembra ela. “É só olhar para o país para perceber a forma como eles estão usando esse aval dado pelo povo”.

A revolução na política, segundo Isa, é um processo de prática e de empoderamento das classes sociais exploradas e oprimidas. Um processo tenso, confessa, porque fala de miséria, de mulheres violentadas, de jovens negros assassinados nas periferias, dentre muitos outros exemplos que poderiam ser citados aqui. “As reformas estruturais vão nos fazer avançar para um novo modelo de desenvolvimento e de reprodução da vida e da política”, espera ela. Para isso, defende um modelo de revolução pacifista por meio da participação popular.

 

Forma de Atuação & Propostas

Isa defende o combate à violência contra as mulheres, a universalização das vagas em creches, a construção de restaurantes e lavanderias comunitárias, a criação de centros esportivos femininos, o aumento da iluminação pública nas periferias paulistas, o melhor atendimento às mulheres vítimas de violência sexual com coquetel antiDST e ainda a realização do aborto de forma segura.

A candidata é uma das articuladoras da campanha pelo PL #SPprasMinas, um projeto de lei cujo objetivo é construir um programa coletivo em cima das principais demandas sentidas na pele por cada mulher brasileira. Desde 2016, várias rodas de conversas são realizadas na capital paulista reunindo coletivos feministas, mães, jovens mães e estudantes para tentar aproximar essa diversidade de mulheres e suas demandas da política. Dessa forma, é mais fácil entender ações capazes de transformar o cotidiano das mulheres nas cidades em vários âmbitos, desde a iluminação pública até a questão precária da saúde da mulher.

Temática Educação

Isa Penna e seu coletivo defendem as cotas e a educação como instrumento para acabar com a violência e com o preconceito, bem como todos os tipos de políticas inclusivas. Ela quer repensar o modelo de educação junto aos professores estaduais, investindo na formação desses profissionais, pessoas essenciais para o desenvolvimento de todo um país. Isso inclui uma projeção de carreira e de salário que seja pensada para que o professor se sinta motivado a pesquisar e avançar na sua formação.

Também está do lado de uma educação não só técnica, mas uma educação capaz de olhar para questões sociais latentes como a violência de gênero. Por isso, é a favor da implementação do “kit anti machismo”, por exemplo. “Isso [a educação sobre o tema] vai contribuir para que tenhamos menos futuros agressores e menos mulheres achando que violência e amor são coisas correlatas”, explica ela. 

 

Temática Trabalho

É a favor das cotas de emprego para todas as minorias sociais dentro dos aparelhos públicos e também do treinamento de todos os servidores públicos – sejam eles da saúde, da segurança, da assistência social ou de qualquer outro setor -, sobre a importância de trabalhar seguindo os princípios dos direitos humanos e contra as opressões.


Temática Mulheres

A descriminalização do aborto não é uma competência de uma deputada estadual, mas Isa quer garantir que nos hospitais públicos os procedimentos sejam feitos de forma organizada nos casos já previstos em lei. Vai acompanhar as denúncias de violência que várias mulheres sofrem nos equipamentos públicos.

 

Temática Causa Animalista & Meio Ambiente

Publicidade

Defendendo um feminismo interseccional, sob o viés das mulheres negras e da comunidade LBTQ+, Isa Penna atua também na defesa dos animais. “Essa é uma questão que passa pelo novo modelo de desenvolvimento da sociedade”, lembra ela. “Um modelo capaz de romper com a alienação das pessoas em relação à natureza”. Ela se identifica como ecossocialista por ver a importância do fator meio ambiente na distribuição igualitária das riquezas, além de entender ser preciso repensar a relação entre desenvolvimento econômico e a forma com a qual interagimos com os bens naturais e com os animais.


Temática Cultura

Defende a cultura nos espaços da periferia, um processo histórico na cidade capitaneado pelo pessoal do teatro, que sofre hoje um grande ataque no ambiente político. Ela luta por mais investimentos e regulamentação de recursos na área cultural para que as minorias possam ser favorecidas por leis de incentivo.

 

Leia o plano de governo completo com todos os compromisso de Isa com seus eleitores aqui. Você também pode acompha-la em sua coluna na Mídia Ninja, no Facebook e Instagram

Gostou dessa matéria? Compartilhe.
Tags

.