Conheça Uma Artista: Anna Mancini, A Manzanna, Finaliza Nosso Ano De Artes Femininas Com Estilo

Desde o lançamento do Modefica nós mostramos, uma vez por mês, o trabalho de meninas do mundo das artes. E quem finaliza nosso grande ano de 2014 é a Anna Mancini, mais conhecida como Manzanna, ilustradora da nossa matéria de estreia bombada “Como Manter A Libido Ativa Em Relacionamentos De Longa Data”.

A Anna está envolvida no meio das publicações independentes há algum tempo e, inclusive, mostrou para nós a primeira página da história que fez para o livro Mulheres Nos Quadrinhos, que será lançado em breve. Foi com muito prazer que conversamos com ela e finalizamos o ano da nossa seção Conheça Uma Artista com muito estilo.

De onde você é e onde você vive?

Eu sou de Juiz de Fora, uma cidade simpática de nome esquisito em Minas Gerais. É também onde vivo, apesar de ter morado em outras cidades ao longo da vida.

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Quando você começou a desenhar?

Comecei a desenhar como todo mundo, acredito eu, na infância. Era daquelas crianças que se satisfazem com revistinhas, papéis e lápis. Mas acho que foi por praticar bastante na adolescência que isso foi se tornando uma importante parte da minha vida.

Você frequentou escola de arte ou tem algum estudo técnico em arte?

Não tenho formação específica na área. Minha experiência vem de partes meio desconexas: na adolescência, tive aulas de desenho introdutórias, mas incríveis, em que comecei a usar aquarela. Sempre fui bastante autodidata, e juntando isso ao meu amor pelo desenho, me comprometi em estudar e praticar ao máximo. Além disso, minha primeira faculdade (arquitetura, que acabei não concluindo) tinha várias disciplinas de desenho e expressão gráfica que eu adorava e que fizeram toda a diferença para mim.

Você pode nos dizer um pouco mais sobre suas técnicas?

Eu busco manter minha técnica e materiais bem simples – na maioria das vezes uso nanquim (em caneta ou aguada) e uma paleta limitada de aquarela. Como a maior parte dos meus desenhos é monocromática, às vezes recorro também ao lápis de cor e canetinhas coloridas para variar um pouco a rotina e brincar com cores.

Muito do meu estilo hoje veio de outra busca de equilibrar a rotina: eu trabalhei por dois anos num estúdio de design e camisetas, a Chico Rei. Boa parte do meu processo lá era direto no computador e muito variado em temas e cores. Acredito que ao explorar meu trabalho autoral, acabei seguindo para um lado de mais simplicidade e síntese, criando tudo à mão, como um contraponto.

Da onde nasceu sua paixão pelos quadrinhos?

Quando mais nova, li muitos gibis e mangás, e depois de adulta comecei a acompanhar quadrinhos principalmente pela internet. Ficava horas e horas lendo tirinhas, fuçando para trás nos arquivos. Me interessava não só acompanhar a narrativa e a estética, mas também observar como cada artista explora o quadrinho como linguagem. E fazer quadrinhos nunca havia passado pela minha cabeça!

Quando isso começou, foi meio sem perceber, de forma natural. Meu hábito de criação sempre envolveu não só desenhar, mas também escrever, anotar. Percebi que muitas das minhas ideias já saiam de uma forma semelhante à linguagem de quadrinhos, com texto e imagens se complementando, com sequência. Era só uma questão de criar um desenho finalizado a partir disso. Mas cada vez mais, sinto que ainda tenho muito a explorar nessa área – inclusive, estou produzindo uma história mais longa e uma nova zine, além de contribuir semanalmente para a página do Facebook Quadrinhos Insones.

Você tem alguma causa implícita em sua arte? Por exemplo, vegetarianismo, feminismo ou outras lutas sociais?

Quando crio coisas, não tento embutir uma causa ou bandeira específica, mas penso que tudo o que faço reflete de forma mais ou menos intencional meus valores. Dos que foram citados, sou feminista e simpatizo muito com o vegetarianismo. Mesmo não falando diretamente sobre esses assuntos, quero que meu trabalho contribua para um ambiente cultural que valorize mais a empatia, o pensamento crítico, a reflexão e a resistência contra opressões.

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Você consegue se manter só com o que ganha com arte?

Sim! Já trabalho nesse ramo há três anos, e parando para pensar agora acho que a ficha ainda não caiu. Sinto que tenho muito caminho pela frente, ainda mais agora que estou trabalhando exclusivamente como freelancer. Quero explorar mais meu estilo, produzir uma animação, ilustrar livros, experimentar outros meios como bordado e cerâmica… Talvez esse seja um ponto importante, diversificar, de modo que as possibilidades continuem aparecendo. (:

O que te motiva a continuar nesse ramo, muitas vezes, tão difícil?

Gosto do meu trabalho, dos desafios que ele me traz, da oportunidade de exercer algo que domino e que ainda assim preciso explorar continuamente. Através dele me sinto capaz de refletir os valores em que acredito, com uma linguagem em que me sinto confortável – tudo isso me motiva.

Alguma dica para outras meninas que busquem a arte como carreira profissional?

Algumas atitudes fizeram a diferença para mim e talvez valham para mais alguém: buscar aprender novas técnicas, linguagens e materiais; manter um caderno sempre por perto (na cabeceira, na bolsa, ao viajar) para anotar ideias e rascunhos, cultivar a criatividade como um hábito; e tratar o trabalho com seriedade, tanto na relação com clientes quanto na gestão do tempo e de suas metas.

Trabalhar com arte pode parecer muito incerto ou amedrontador para algumas pessoas, mas, na realidade, você pode fazer as mesmas ressalvas para uma ocupação mais tradicional. Vejo a escolha de uma profissão como algo muito mais íntimo e significativo do que comumente se estabelece, e por isso dou a maior força para quem deseja e acredita nesse caminho.

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Primeira tirinha e publicada no Zine XXX

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A personagem, meio alter-ego, que está em boa parte das criações da Manzanna

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Uma das tirinhas mais recentes publicadas no Quadrinhos Insones

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Primeira página da história da Manzanna para o livro Mulheres nos Quadrinhos

Você pode ver mais sobre o trabalho da Anna em sua página do Facebook: Manzanna.

Fotos e Ilustrações: Cortesia Anna Mancini

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