Por Que E Como Dizer Adeus À Água De Garrafas Descartáveis

 

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Garrafas de plástico e papel alumínio. Você provavelmente deve saber o quanto a primeira não é um item ambientalmente amigável, mas talvez não entenda bem o porquê e não tenha noção do impacto real (e completo) do uso frequente delas. Nós vamos te explicar isso em detalhes (sem chatice, promessa), além de tocar em um assunto que normalmente ninguém fala muito sobre, o papel alumínio, em nossa série especial sobre produção de lixo.

Porém, nós não vamos só te mostrar problemas, vamos te apresentar soluções e dar dicas de como colocá-las em prática no dia a dia. Além do mais, junto com a Bento Store, aquela multimarca especializa em portabilidade de alimentos e bebidas, que reinventou o conceito da marmita através de um acurado olhar de design, você vai descobrir como é simples entrar nesse movimento consciente de menos lixo e mais vida conosco.

A ideia é colocar nosso consumo em perspectiva e entender o impacto das nossas escolhas rotineiras no meio ambiente e na vida das outras pessoas. Afinal, não podemos esquecer que nós dividimos o mesmo planeta Terra, logo, tudo está conectado e a maneira como lidamos com o mundo afeta a vida de milhares de outras pessoas e seres vivos.

A Produção

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Nós vamos começar falando da água engarrafada, esse assunto que, apesar de antigo, continua urgente. Primeiro, vamos aos fatos. O problema com as garrafas de plástico já começa durante a sua produção. É necessário muita água para engarrafar água. Mais especificamente, são necessários 3 litros de água para produzir uma garrafa de água de um litro, e, por causa dos químicos utilizados na produção da garrafa, a maior parte dessa água não pode ser reutilizada. Agora multiplique esse número por 50 bilhões de garrafas plásticas produzidas no mundo por ano e você chegará a conclusão que é muita água sendo gasta de maneira completamente desnecessária, já que poderíamos muito bem consumir água da torneira, facilmente filtrada e livre de plástico.

Nessa produção anual bilionária, há um gasto tremendo não só de água, como também de petróleo. Só nos EUA são usados anualmente 17 milhões de barris de petróleo na produção das garrafas, o suficiente para abastecer um milhão de carros durante o mesmo período. Um estudo concluiu que, em média, o resultado dessa queima de combustíveis fósseis dispensa em torno de 2.5 milhões de toneladas de dióxido de carbono no meio ambiente. Isso só para produzir a garrafa, mas se juntarmos todas as partes do processo (extrair, processar, transportar e refrigerar essas garrafas de água), o The Earth Policy Institute afirma que o uso de energia chega a 50 milhões de barris de petróleo por ano e um número astronômico ainda não calculado de dióxido de carbono lançado na atmosfera.

A Reciclagem

Se você já está se sentindo mal por todas as garrafas que consumiu até hoje, primeiro: você não está sozinho. Segundo: todo esse cenário que envolve a indústria da garrafa plástica fica pior (bem pior) quando, depois de toda essa energia para produção, transporte e armazenamento, jogamos a garrafa fora. E mesmo se você for uma dessas pessoas preocupadas em descartar suas garrafas no lugar certo para que elas sejam recicladas, a verdade é que a reciclagem é insuficiente (e, em muitos países, extremamente danosa e falha, como você verá no vídeo abaixo).

Em 2009, o Brasil já era o quarto maior produtor de água engarrafa, perdendo para os EUA, que ocupa o primeiro lugar da lista. O ponto positivo é que os brasileiros reciclam mais que os EUA e Europa, chegando, em 2012, a um volume de 331 mil toneladas de PET (isso inclui não só garrafas de água, mas todo o plástico PET), cerca de 60%. Os outros 40% acabam em aterros sanitários e nos oceanos, o que, colocando em perspectiva significa 231 mil toneladas de PET por ano sendo desperdiçadas.

 

As Garrafas Que Sobram

O grande problema é que, como provavelmente você já deve saber, garrafas de água são feitas de polietileno tereftalato (PET totalmente reciclável) de matéria plástica que, ao invés de biodegradar, se fotodegrada, o que significa que elas se quebram em fragmentos menores ao longo do tempo. Esses fragmentos são toxinas que poluem os rios e mares, contaminam o solo e infectam animais. Enquanto esse lixo plástico leva séculos para se decompor, ele também absorve os poluentes orgânicos como o BPA e PCB, se transformando em incontáveis bombas-relógio venenosas.

De acordo com o Ocean Conservatory, garrafas de plástico e sacos de plástico correspondem a mais ou menos 90% do lixo encontrado nos oceanos. Para cada 1,5 metro quadrado de oceano há mais de 46.000 pedaços de plástico flutuando. As estatísticas apontam que 10% do plástico fabricado em todo o mundo acaba no oceano, a maioria se transformando em sedimentação no fundo do mar onde ele nunca irá degradar. Resumidamente, quase todo o plástico já produzido ainda existe de alguma forma em algum lugar, com exceção dos que foram incinerados.

O Que Está Sendo Feito

O melhor que poderia ser feito sem dúvidas seria pegar os USD 100 bilhões que a indústria internacional de água engarrafada faturou só em 2007, mais todo o gasto que é necessário ter para cuidar de tantas garrafas plásticas descartadas, e aplicar em tratamento de água para suprir 1 bilhão de pessoas que não têm acesso à água potável. Como isso ainda não é possível, o que resta é minimizar o estrago no consumo e pós-consumo.

Por exemplo, em São Paulo, um dos poucos restaurantes que já abriu mão da água engarrafa foi o BRADO, em Pinheiros. Lá, os clientes que querem água recebem uma jarra de água filtrada, sem plástico, sem lixo*.

Na hora de reaproveitar, diversas empresas já estão descobrindo maneiras de reutilizar o PET. A indústria têxtil é a que mais consome o PET reciclado. No Brasil, a porcentagem chega a 38,2% para produção de roupas, moda casa, pelúcias e materiais esportivos. Uma iniciativa que levou o PET à status de luxo na moda foi a parceria da marca holandesa G-Star RAW com a Bionic Yarn, empresa do cantor e produtor musical Pharrell Williams, a linha de roupas e jeans RAW For The Oceans.

Marcas como Stella McCartney, Freedom Of Animals e Issey Myake também estão utilizando tecidos de PET reciclado continuamente em suas produções de acessórios. No Brasil, a Osklen, uma das marcas que ganham destaque em se tratando de consciência ambiental unida à moda, em parceria com o Instituto E, também emprega o tecido no desenvolvimento de algumas peças.

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O Que Você Pode Fazer

Até que as nossas cidades cheguem à mesma conclusão que a cidade de São Francisco, nos EUA, que baniu garrafas de água com menos de 600ml e pretende banir todas as garrafas até 2020, está em nossas mãos a responsabilidade de minimizar.

Mas nós não podemos indicar o reuso da garrafa plástica. Primeiro porque mesmo com uma higienização constante, há grandes chances dessas garrafas PET guardarem bactérias nocivas à saúde. Segundo que quanto mais tempo expostas ao calor (lembra da polêmica da garrafa de água guardada no carro?), mais essas garrafas vão liberar BPA na água que você está ingerindo, então a ideia é se livrar do plástico convencional logo de cara.

Por mais que os produtores de garrafas plásticas insistam em dizer que seus produtos são completamente inofensivos à saúde, é difícil acreditar nisso quando, bem, seus produtos são feitos à base de petróleo, e quando 93% da população americana (a maior consumidora de água engarrafada do mundo) a partir dos seis anos de idade já testam positivo para o BPA no organismo.

 

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Garrafa reutilizável Dopper // Reprodução
Então não é só (na verdade isso é realmente muito importante) pelo meio ambiente e pelos animais que devemos abrir mão das garrafas plásticas, mas pela nossa saúde e bem estar. Quando temos todas essas informações em mente, basta um pouco de programação para sair de casa com uma garrafinha de água e economizar R$ 3 cada vez que tivermos sede.

Escolha uma garrafa reutilizável livre de BPA ou outros químicos nocivos à saúde, e que, de preferência, mantenha uma boa temperatura. Outra dica é apostar na garrafa com carvão ativo, que, além de filtrar a água, mantém ela com o PH ideal para o organismo. Deixe a sua sempre com você e com o tempo você vai ver o quanto economizou de dinheiro e de plástico em um mês.

 

Na próxima matéria vamos falar sobre o uso do papel alumínio, seus impactos e descartes. Não perde não, porque essa série de matérias promete muita informação e dicas de como repensar produtos tão comuns, mas tão nocivos, do nosso dia a dia.

Outros links:
TED Talks: A Economia Injusta Do Plástico
TED Talks: Verdades Duras Sobre A Poluição Do Plástico

*Conhece algum restaurante que tem a mesma política? Conta para nós nos comentários para incentivarmos essa iniciativa.

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