Fomos À Cumuruxatiba, Na Bahia, E Contamos O Que Vimos De Melhor Por Lá

Cumuruxatiba é um vilarejo de pescadores com pouco mais de 4 mil habitantes localizado no litoral sul da Bahia, mais especificamente no município de Prado, na Costa das Baleias. Foram os Pataxós os responsáveis por batizar a região: a palavra Cumuruxatiba serve para descrever a diferença entre as marés alta e baixa ao longo do dia. O lugar é um paraíso que ainda conserva suas raízes, costumes e cultura local.

A região possui ainda algumas das praias mais lindas da Bahia, como a Barra do Cahy que fica a 18km de Cumuru, com falésias, coqueiros e um pequeno rio que desemboca no mar. Foi o local de desembarque dos portugueses, em 1500. O Monte Pascoal, responsável agora por batizar um parque nacional, também fica próximo do vilarejo. Criado em 1961, o Parque Nacional do Monte Pascoal abriga uma área de preservação com 22.500 hectares, que incluem trechos originais de Mata Atlântica e uma reserva indígena. Tours de barco como, por exemplo, o que vai até Corumbau, passam por lá e é possível avistar o Monte mesmo de longe.

Ponta do Corumbau é uma praia que fica a cerca de 50 km de Cumuru. Corumbau significa “lugar distante” na língua dos Pataxós. Coincidência ou não, seu acesso por terra é difícil e de barco demora são cerca de duas horas para chegar lá. Mas o esforço vale à pena, o cenário é privilegiado, o Rio Corumbau se encontra com o mar e forma uma comprida ponta de areia.

Outra praia que é parada obrigatória é a Japara Grande, nove quilômetros de Cumuru. É formada por falésias, coqueiral e manguezais. Muito procurada por quem quer mergulhar e também por ter acesso fácil de carro. O mar sem ondas e a brisa constante fazem de Cumuruxatiba o lugar ideal para prática de esportes aquáticos como o windsurf e a vela podem ser praticados ao longo de toda a costa. Em várias praias e pousadas também é possível alugar caiaques, stand up paddles e bicicletas para andar pela cidade.

Publicidade

Reserva Indígena

Os Pataxós de Cumuruxatiba tem hoje por volta de 10 aldeias que ocupam 35 mil hectares de terras em um território que deveria ter uma demarcação contínua de 220 mil hectares. Ali vivem aproximadamente 4.000 indígenas. As aldeias que compõem o território Pataxó de Cumuruxatiba são: Aldeia Nova, Corumbauzinho, Águas Belas, Craveiros, Alegria Nova,  Tawá, Pequi, Tibá, Kaí, Dois Irmãos.

Os conflitos entre índios, donos de hotéis, pousadas e fazendeiros já vêm ocorrendo há pelo menos uma década por conta do turismo, principal fonte de renda do local. Com com mais de 32 pousadas e 800 leitos, os 28 mil hectares da Terra Indígena Comexatibá são alvos da cobiça. Segundo o Conselho Indigenista Missionário, “o território abrange ainda o Parque Nacional do Descobrimento, cuja Mata Atlântica segue preservada, mas que tem colocado o Instituo Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela reserva, em rota de colisão com a presença indígena. O território está perto do mar e às margens da BR-101, portanto empreendimentos de turismo, imobiliários e resorts foram construídos ou estão no raio de interesse de investidores”.

Os índios Pataxós da aldeia atravessam o rio para vender seu artesanato em pousadas, bares e restaurantes. No caminho de Cumuru para Barra do Cahy encontrei um lugar onde vendem coisas das mais variadas, como chapéus, lanças, leques e até remédios naturais à base de ervas e seiva de árvores regionais.

Baleias

E não é a toa que a região é conhecida como Costa das Baleias, as águas quentes e calmas além de turistas atraem também as dóceis baleias jubartes, agora retiradas da lista de espécies em ameaça de extinção em que haviam sido incluídas há quase um século devido à caça. Entre julho e outubro, as jubartes invadem a região e promovem um espetáculo no mar. É nessa época que saem das águas geladas do polo sul para acasalar e dar à luz seus filhotes. Demoram cerca de dois meses para chegarem ao Brasil.

Com apenas uma cria por gestação, elas permanecem no litoral brasileiro enquanto estão amamentando os bebês e só retornam quando seus filhotes estão fortes o bastante para aguentar a viagem de volta para as águas antárticas. Para quem quer conhecer mais de perto, há passeios turísticos de barco acompanhados por profissionais que contam todos os detalhes sobre elas.

Restaurantes

O mar definitivamente não estava pra peixe e nem só de banana da terra e aipim vivem os veganos na Bahia. Não foi tarefa tão difícil encontrar restaurantes com ótimas opções veganas no cardápio, e o melhor de tudo: bem especificadas. Não somos maioria por lá, mas entre uma tapioca e outra encontrei também pratos mais elaborados e saborosíssimos.

Em frente à praia, a Petiscaria Ponto de Equilíbrio, na Av. Beira Mar S/N, não tem somente saladas e antepastos caprichadíssimos, mas várias opções de almoço reforçado para os veganos esfomeados assim como eu. O quibe de beringela, o tabule e o macarrão de arroz com molho de abobrinha e uva passas são os carros chefes do lugar. Acabei não conseguindo provar, mas fui muito feliz na minha escolha com a salada de abobrinha e uma mini pizza de beringela que pedi pra veganizar porque vinha com queijo.

Já dentro do Acalanto – Hostel e Hospedagem Solidária tem um restaurante colombiano onde são servidos alguns pratos ótimos para quem faz a linha herbívora: hambúrguer de lentinha no crepe, o chips de banana da terra e uma massinha de milho branco recheada com molho típico que é muito saborosa.

Fica no centrinho de Cumuru, na Av. Treze de Maio, nº 20. Aproveite o embalo para passear e conhecer o artesanato local e as comidinhas que tem por lá. Não deixe de experimentar os nibs de cacau orgânico que podem ser crus ou envoltos em açúcar mascavo com canela.

Publicidade

A Creperia Tenda Mágica fica na Avenida Beira Mar e já ganha muitos pontos por ter um cardápio que diz claramente “pergunte sobre opções veganas”. Perguntei e descobri duas opções de crepe, ou de berinjela ou de abobrinha. Ambos os crepes feitos com farinha de trigo sarraceno, que não contém glúten. Além disso, de entrada, pedi antepasto de beringela e homus que acompanhavam pão sírio e integral. Magia das boas!

Desde 1999, o restaurante Mama África, localizado no Morro da Fumaça, além de veganismo tem também slow food e mulher no comando da cozinha, com a chef e proprietária Dolores, a Angolana mais baiana do pedaço. O prato muamba, típico de angola e que lembra uma moqueca, ganha versão vegana no “muamba de vegetais” que acompanha arroz com açafrão e pirão. No Mama África também funciona galeria de arte e espaço cultural permanente. O Mama África fica na R. Corina Medeiros, nº 5/B.

Como chegar

A rota mais perto parte do Aeroporto de Porto Seguro, localizado a 210km de Prado. De Porto Seguro existem as opções de transporte por ônibus, taxi e translado. De Prado à Cumuru há duas rotas: a primeira é indicada para as épocas secas, uma estrada de terra de 32km paralela às praias que garante belas paisagens. Já a segunda, indicada para épocas chuvosas quando a primeira fica em más condições, é a estrada principal com 40km.

Conheça e faça parte do Clube Modefica!
O Modefica é uma mídia independente que pensa moda, arte, alimentação e política para resiliência social e ecológica. Para manter nosso conteúdo aberto e acessível para todas as pessoas, nós precisamos da sua colaboração.
Gostou desse texto? Contribua com o Clube Modefica e ajude nosso conteúdo ir mais longe para amplificar a transformação positiva.
Gostou dessa matéria? Compartilhe.