Declaração de Patrimônio dos Candidatos: Valores e Curiosidades

Chegando na reta final do nosso #ModeficaNaPolítica Eleições 2018, é hora de falar de grana. Afinal, qual o tamanho do patrimônio dos candidadatos e candidatas à presidência e de seus e suas vices? Por que é importante falar sobre isso, principalmente quando há tantas pessoas bradando por um país livre de corrupção? Dá pra suspeitar do crescimento dos cifrões de quem se diz ficha limpa, mas ficou rico depois que iniciou na carreira política?

Primeiro, é importante dizer que as informações sobre patrimônio dos candidatos estão disponíveis e podem ser acessadas por qualquer pessoa no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A lista traz informações sobre contas bancárias, fundos de investimento, previdência privada, participação em empresas, imóveis e veículos; todas informações registradas pelos próprios candidatos no ato da candidatura. Para consultar é simples: escolha a região e o candidato. O site disponibiliza os dados não só de quem concorre à Presidência e Vice Presidência, mas para os cargos de deputado estadual e federal, senador e governador. Porém, os dados devem ser analisados com ressalva, porque não há nenhum tipo de conferência, nem punição para quem apresenta dados divergentes com a realidade.

 

Uma eleição quase bilionária

Está é a primeira eleição geral na qual os candidatos não podem receber dinheiro de empresas para custear suas campanhas. O dinheiro investido pode vir de seus próprios bolsos ou de doações de pessoas físicas. O teto de gastos para o cargo de presidente é de R$ 70 milhões no primeiro turno e R$ 35 milhões no segundo.

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Apesar da regra beneficiar, claramente, os candidatos mais ricos, os patrimônios dos cinco candidatos com maior intenção de votos, segundo a última pesquisa do Ibope, são um pouco mais modestos. Outra novidade nesta eleição é o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, recurso criado em 2017, com remanejamento de R$ 1,7 bilhões de outros gastos e renúncias da União com o objetivo de financiar campanhar eleitorais. O valor destinado para cada partido pode ser conferido também no site do TSE.

Os números do montante patrimonial familiar de todos os candidatos é de surpreender: somados, os 13 presidenciáveis possuem R$ 833 milhões. Na última eleição, esse valor era de apenas R$ 11 milhões. Dos 13 candidatos à Presidência, oito são milionários, mas são dois, em especial, quem estão jogando essa cifra lá pra cima: a fortuna de João Amoêdo (Partido Novo) é de R$ 425.066.485,46 e a de Henrique Meirelles (MDB) é R$ 377.496.700,70. O patrimônio de ambos os candidatos, que fizeram grande parte dessa fortuna no mercado financeiro, equivale a 98% do valor total do montante.

Os dois candidatos não entram no nosso destaque, pois estão abaixo nas pesquisas de intenção de voto, mas a disparidade com os outros políticos se justifica na declaração de seus bens: Amoêdo possui uma embarcação de R$ 4 milhões e Meirelles é um colecionador de artes e antiguidades. Somente no item “joia, quadro, objeto de arte e de coleção, antiguidade”, o candidato tem aproximadamente R$ 917 mil em bens declarados.

 

Os candidatos mais cotados, seus bens e o histório financeiro desde o primeiro cargo público que ocuparam

 

Curiosidades

O patrimônio de Bolsonaro é dividido em imóveis, em sua grande maioria casas no Rio de Janeiro, investimento em poupança e aplicações de renda fixa e veículos. Em 2014, o saldo do candidato era de R$ 2 milhões. O candidato e família multiplicaram o patrimônio na carreia política passando de uma moto ano 83, um carro Fiat ano 83 e dois lotes de pequeno valor em Resende (RJ), em 1988, para R$ 15 milhões em 2017 conforme levantamento da Folha

Com valores muito acima do seu companheiro de chapa, Ana Amélia, vice de Gerando Alckmin, tem a maior parte de seu patrimônio investido em dois apartamentos em Brasília, um de R$ 1 milhão e outro de R$ 596 mil. Desde sua primeira eleição, em 2010, ainda como senadora, seu patrimônio quadruplicou: de R$ 1,2 milhão para R$ 5,1 milhões, em 2018.

Já o dinheiro de Haddad é investido em imóveis, uma casa no valor de R$ 183 mil e um apartamento de R$ 90 mil; participação em empresas e valor líquido em banco no país. O patrimônio do candidato diminuiu desde que concorreu a prefeitura de São Paulo, em 2012. Na época, era de R$ 473 mil e passou, em 2018, para R$ 428 mil.

O principal investimento da vice candidata Manuela D’Ávila é um terreno de R$ 90 mil. O restante foi declarado como fundo de curto prazo de R$ 4.590,85. Como contamos aqui, a jornalista e candidata à vice presidência ingressou na carreira política aos 23 anos, onde passou pelos cargos de vereadora, deputada federal e deputada estadual.

O patrimônio de Ciro está aplicado em imóveis como casa e apartamentos, em investimentos, veículos e participação em empresas. Em 2006, quando se elegeu deputado federal, ele tinha um patrimônio de R$ 426.840,92. A evolução patrimonial aconteceu, principalmente e segundo análise do histórico de declarações, com a aquisição de imóveis.

Marina tem o patrimônio distribuído em imóveis, aplicação de renda fixa e participação em empresas. O patrimônio de Marina Silva, assim como de seu vice, Eduardo Jorge, também encolheu: o dela era R$ 181 mil em 2014; o dele R$ 412.453,12.

 

Antes de dizer “vai tarde e não volte mais”

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O patrimônio de Michael Temer (PMDB) é de R$ 33 milhões. A maior parte desse valor foi conquistado nas últimas duas décadas, época que coincidiu com a ascensão da sua carreira política: de deputado suplente à Presidente interino da República. Boa parte do patrimônio está investido em imóveis nos bairros Pinheiros, Alto de Pinheiros, Jardim Paulista e Vila Madalena, em São Paulo.

De 1998 a 2017, a família Temer (composta por Michael, sua esposa Marcela, as três filhas do antigo casamento e o caçula do atual), movimentou cerca de R$ 61,7 milhões na compra e venda de imóveis na Zona Oeste paulistana, segundo a revista Piauí. Nesse período de tempo, o patrimônio imobiliário da família aumentou quase cinco vezes: era, anteriormente, de R$ 6,8 milhões.

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