Um Guia Completo Para Entender a Importância de Esmaltes Não-Tóxicos e Veganos

Se você já tentou ler os ingredientes dos seus esmaltes de unha, sabe que as letras são tão minúsculas que tornam impossível decifrar os nomes complexos e impronunciáveis escritos na composição do produto. Formaldeído, tolueno, ftalato de dibutilo, guanine e carmim são só alguns dos ingredientes possíveis de serem encontrados nesses vidrinhos tão pequenos, mas tão perigosos.

É incrível quão tóxicos e cheios de ingredientes de origem animal um esmalte pode ser. O mais engraçado (ou trágico) é o fato de muitos desses ingredientes serem comprovadamente perigosos para a a saúde, mas como a quantidade naquele produto é pequena, os órgãos reguladores entendem ser quantidades insuficientes para causar mal à saúde humana. Bem, talvez se você só usar um vidro de esmalte na vida, mas considerando que passamos a vida toda usando esmaltes, o acúmulo é o que deveria ser ponderado.

“Entre a unha, a cutícula e a pele, é inevitável o que vai nas nossas unhas ir parar na nossa corrente sanguínea”, explica Deborah Burnes, fundadora e CEO da linha natural Sumbody e autora do livro “Look Great, Live Green” ao YouBeauty.Com. Do outro lado, alguns dermatologistas defendem que é impossível a pequena quantidade com a qual temos contato causar qualquer dano à saúde.

Porém, com opções tão eficientes quanto (e muitas vezes melhores) às linhas tradicionais de esmaltes, por que arriscar e incentivar o uso de substâncias tão tóxicas? Já estão surgindo marcas que apostam em fórmulas “3-Free, 4-Free, 5-Free, 6-Free, 7-Free”, termos que indicam a quantidade de ingredientes tóxicos comumente utilizados em esmaltes de unha que ficam de fora da formulação do esmalte mais natural.

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Fórmulas “3-Free” correspondem a produtos sem formaldeído, tolueno e ftalato de dibutilo. O formaldeído, também conhecido como formol (ingrediente famoso no Brasil por conta das escovas progressivas) foi reconhecido como tóxico e carcinógeno humano em 2011.

Você precisa de provas que a indústria de beleza não perde tempo em criar necessidades que não temos? O tolueno é usado para dar uma textura mais suave ao esmalte e evitar que o pigmento se separe na fórmula. Então, para não precisarmos chacoalhar nossos esmaltes de vez em quando, o tolueno foi inserido na fórmula. Ele é um solvente que age no sistema nervoso central, pode causar fadiga, dor de cabeça, tontura e está relacionado a problemas reprodutivos. Tenho certeza que preferimos colocar alguns músculos em ação de vez em quando.

Já o ftalato de dibutilo (também conhecido como DBP) é um plastificante utilizado para prolongar o brilho e evitar que os esmaltes craquelem. Ele está relacionado com o desenvolvimento de câncer em animais de laboratório, e é tido como prejudicial à fertilidade e ao desenvolvimento de humanos. O uso dos ftalatos já é contraindicado para mulheres grávidas.

Muitas marcas vêm tirando esses três ingredientes da sua composição, mas alguns outros persistem, como é o caso da resina de formaldeído. Esmaltes “4-free” não só são isentos dos três ingredientes que listamos acima, como também dessa resina sintética feita a partir da combinação do formaldeído e do toluenesulfonamide. Ela não foi muito pesquisada, mas já é considerada alergênica e suspeita de ser tóxica e perigosa pelo Environmetal Working Group.

Cânfora, parabenos e xileno respectivamente são mais outros três ingredientes normalmente retirados da composição dos esmaltes “5-Free”, “6-Free” e “7-Free”. A cânfora, apesar de ter sua versão natural, é normalmente obtida de maneira sintética através do óleo de terebintina. Além de ser irritante e altamente tóxica, é totalmente desnecessária em esmaltes.

O parabeno, muito (im)popular e comum em cosméticos, é um conservante bem conhecido e polêmico. Alguns estudos o apontam como carcinógeno enquanto outros estudos afirmam que não há relação entre o surgimento do câncer e o uso frequente de produtos que contêm a substância. Por outro lado, eles são comprovadamente considerados disruptores endócrino. Por fim, o xileno é usado como solvente e pode ser encontrado no alcatrão e no petróleo.

Formulações “9-Free” foram anunciadas por algumas marcas no começo desse mês, mas a química cosmética e fundadora do Skinects alerta: “Várias vezes, uma marca incluirá ingredientes na lista de “livre de” que não são mais tipicamente usados na formulação de esmaltes, ou pelo menos não vêm sendo usados há anos, como o xileno”. Além disso, os termos não são regulamentados, então, para ter certeza de que o produto realmente não tem tais substâncias, é preciso ler os ingredientes e manter uma lista de marcas nas quais você confia.

Outra coisa para ficar atenta é o fato de algumas marcas sinalizarem outros ingredientes como “livre de” e não os que citamos acima. A partir do “5-Free” essa nomenclatura pode variar muito, é possível encontrar fórmulas “7-Free” livre de óleos minerais ou níquel, por exemplo. Na dúvida, pergunte ao SAC da marca.

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Além desses ingredientes sintéticos, algumas marcas utilizam ingredientes de origem animal em seus esmaltes. Provavelmente você já sabe de todos os ingredientes esquisitos que produtos de beleza podem conter em sua formulação. O que talvez você não saiba é que esmaltes de unha normalmente contêm não só um, mas vários desses ingredientes.

Carmim, colágeno e/ou queratina são alguns dos ingredientes de origem animal muito comuns em esmaltes, mas as opções com cores metálicas e iridescentes podem conter também escamas de peixe e cascas de ostras, responsáveis pelo brilho dourado ou prateado desses esmaltes. Você consegue imaginar quantos peixes e ostras seriam necessários para produzir a quantidade de esmaltes metálicos que vimos nas prateleiras mundo afora? Eu não consigo, mas o número deve girar em torno de milhões.

Segundo Jane Park, fundadora e CEO da marca de beleza cruelty-free Julep, um bom substituto para o guanine – ingrediente derivado das escamas de peixe responsáveis pelo efeito perolado – é o pó de alumínio. Ou seja, é perfeitamente possível e não-tóxico substituir os ingredientes de origem animal e ter um produto com o mesmo resultado.

No Brasil, já temos algumas opções disponíveis de esmaltes veganos e “livres de”, entretanto, não são muitas. A Surya Brasil conta com uma linha “7-Free” com 16 cores além de base, óleo secante e extra brilho. Os esmaltes já estão à venda em lojas físicas e no e-commerce da marca.

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Na Capym Store é possível encontrar as opções da marca americana “7-Free” e vegan Nubar. Cores práticas como tons de nude, vermelho, preto, além da base estão disponíveis em tamanho grande ou pequeno, para quem quer testar primeiro.

A SinfulColors é outro nome com cores interessantes e fórmula sem tolueno, formaldeído e DBP. A marca é popular nos EUA e acabou de lançar uma linha de cores em parceria com Kylie Jenner. Online, é possível encontrar algumas cores no site da Dafiti.

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Zoya no backstage do desfile da Herve Leger durante a NYFW // Instagram

Outra dica boa é comprar a base da Nubar e inventar suas cores com os pigmentos GreenEquinox da Alva. Dessa maneira você pode fazer a cosmetologista e criar seus próprios esmaltes. Quem quiser trazer alguns produtos de fora, Zoya, RGB, e LVX, todas veganas, são algumas bem cotadas.

Esses esmaltes normalmente têm um preço maior quando comparados aos tradicionais encontrados em farmácias. Uma saída é investir em uma base e duas cores que você usa com certa frequência. Além de deixar de comprar um monte de esmaltes nem tão legais assim, você garante qualidade para suas unhas e sua saúde.

Ilustrações: Time Modefica

Matéria atualizada em: 06/04/2016.

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