Essas 5 Lojas De Jardinagem São Os Novos Refúgios Paulistanos

Um novo movimento urbano convida as pessoas a encararem a jardinagem e o cultivo de plantas e temperos como uma forma de se conectar com a natureza. Nós já falamos aqui sobre o cultivo de jardins e hortas em ambientes internos e sobre fazendas urbanas, iniciativas que buscam minimizar os efeitos do impacto ambiental nas grandes metrópoles. A abertura de lojas de jardinagens em São Paulo é reflexo de uma necessidade que cada paulistano possui em relação à natureza. Com uma abordagem diferente das tradicionais floriculturas da cidade (não espere encontrar um buquê de rosas envolto em papel celofane), essas lojas não só levam plantas ou flores ao consumidor, como também funcionam como um refúgio verde no meio de um ambiente tão concreto.

Cada pessoa busca uma planta com um objetivo distinto: decorar a casa, ter uma tempero fresco à mão na hora de cozinhar, presentear alguém com algo vivo ou buscar tranquilidade no meio de uma vida agitada na cidade. Para Ina Amorozo, dona do Jardin ao lado de seu marido Jean Manuel, esse interesse que se modifica é um reflexo da diversidade de flora no Brasil. “Por estarmos na Vila Buarque, temos clientes de várias regiões do país e cada um vem com uma experiência e desejos diferentes para compartilhar. Há pessoas que nunca cuidaram de plantas mas sentem vontade ao ver a loja. Há clientes que têm uma ligação muito forte com a natureza e se emocionam quando entram aqui. E tem gente que passa só para observar as plantas, relaxar e depois voltar ao trabalho”, relata.

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Jardin // Instagram

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Da Horta // Instagram

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Inaugurado em junho, o Jardin vai vai de encontro com muitos outros empreendimentos que estão ocupando a área central, desmistificando a ideia de muita gente de que o centro é feio, sujo e mal cuidado. “Adoramos o centro, vivemos aqui há alguns anos e sentimos que seria muito legal ter uma loja de plantas e flores na região. Temos uma convicção sincera de que podemos fazer muito pelo bairro simplesmente habitando-o, vivendo e convivendo com todos os seus moradores, edifícios, parques, ruas, esquinas, faróis, árvores, plantas…”, afirma Ina. “Queremos acreditar que cuidar de plantas humaniza o paulistano um pouco mais”.

A DaHorta já é nossa conhecida por ter participado do Modefica Offline, em agosto. A fundadora Marina Coutinho tem como lema o cultivo afetivo: “uma vontade de cuidar de si, do nosso espaço e de quem a gente ama”. Antes, o ateliê era em sua própria casa. Hoje, a localização em Pinheiros atrai a maioria dos clientes pela curiosidade em ver ao vivo. “A maioria dos clientes pergunta sobre alguma coisinha que viu no Instagram e gostaria de ver naquele momento ali, na loja. As suculentas, mais fáceis de cuidar, são febre há mais tempo, então muita gente vem procurar as criações com essas plantas. Mas, ao chegar no ateliê, ver modelos de hortas e sentir o cheiro dos temperos, acabam se interessando e querendo saber mais sobre os diferentes tipos de cultivo”, afirma. “Todas as pessoas que começam a ter mais verde em casa falam o quanto isso altera a vida delas de forma super perceptível, trazendo mais calma, mais sensação de presença e de carinho consigo mesmo e com o espaço em que se vive”, completa.

Carol Nóbrega, do FLO Atelier Botânico, é outra florista de mão cheia que, junto com seu par Antonio Jotta, acredita no quanto a natureza pode mudar um ambiente e quem está ao redor. “As plantas têm o poder de transformar uma casa em lar. Quando as pessoas percebem isso, elas voltam querendo mais. Levar vida para dentro de casa tem muitos impactos positivos, não só de energia, mas também na forma como nos relacionamos. Ter a responsabilidade de cuidar de um ser vivo e acompanhar seu crescimento nos torna mais humanos”, afirma. A loja, recém inaugurada na Vila Madalena, tem uma claraboia que encantou o casal e atrai pessoas que procuram plantas que fujam do óbvio. “Apelidamos carinhosamente nossa curadoria de ‘plantas estranhas’, porque o estranho pode ser muito interessante e passa despercebido tantas vezes”.

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Amapá Flower Shop // Instagram

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A Bela Do Dia // Instagram

Nina Levy e sua mãe, Kika, sabem do poder das plantas em trazer o frescor, acalmar e transmitir tranquilidade. Por isso criaram, também na Vila Madalena, o Amapá Flowershop, com o objetivo de resgatar a calma dos paulistanos que vivem sempre com pressa. “Um lugar como a Amapá transmite uma paz e faz com que a pessoa até respire diferente quando passa pela porta”, diz Nina. Por serem seres vivos e demandarem um certo tempo e cuidado, as plantas fazem com que as pessoas desacelerem. “Quando você tem plantas em casa você precisa cuidar um pouco delas e esquecer esse ritmo alucinante da cidade em que moramos. Elas trazerem um pouco da natureza pra dentro da nossa casa e isso é essencial”.

Marina Gurgel e Tatiana Pascowitch fundaram a A Bela do Dia, em 2012, com o propósito de entregar arranjos à moda antiga: de bicicleta. Atualmente, elas têm loja fixa em Pinheiros, mas não abandonaram o principal meio de transporte que adotaram. Ao escolher trabalhar com flores mais decorativas, elas não possuem uma demanda muito grande por plantas medicinais ou funcionais. “Mas, certa vez, fizemos um mês temático com buquês de arruda, alecrim, pimenta e espada de São Jorge e as pessoas procuraram bastante”, diz Marina. Isso mostra que o consumidor tem um grande apreço pela beleza das flores, mas não se esquece das suas características ou até mesmo do significado que elas possuem em diferentes crenças. Se as plantas deixam as pessoas mais felizes? “Claro! Além de alegrar qualquer um com sua beleza, as plantas trocam a energia do ambiente”, finaliza.

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Ilustração: Luiza Medeiros

Em comum, todas as lojas acreditam que a natureza não só melhora o dia-a-dia das pessoas, como as conectam com uma parte de si próprias que não era reconhecida. No livro Tistu, o autor francês Maurice Druon narra a história de um menino que possuía o polegar verde e o poder de florear toda uma cidade em poucos minutos. Certa vez, triste ao se deparar com uma cadeia, Tistu resolveu trazer um pouco de alegria aos presos, enchendo o lugar de flores. “Os mais resmungões pararam de reclamar, tão entusiasmados estavam em contemplar o que os cercava; os maus perderam o costume de zangar-se e brigar. A madressilva que brotava nas fechaduras impedia às portas que fechassem, mas os próprios ex- prisioneiros recusaram-se a ir embora, tal o gosto que tomaram pela jardinagem. E a cadeia de Mirapólvora foi apontada como modelo em todo o mundo”.

Resta saber quando São Paulo, a megalópole de 11 milhões de habitantes, será reconhecida no mundo por sua exuberante natureza, tal qual é o Brasil. Se for depender dessas mulheres de mão cheia, não demorará muito.

Foto Capa: FLO Atelier Botânico

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