Está Querendo Dizer Adeus ao Alisamento? 4 Garotas Dão Dicas de Como Fazer Essa Transição

Na semana passada, uma das blogueiras mais queridas da web por sua autenticidade e estilo único, Leandra Medine do Man Repeller, publicou uma confissão de como ela odeia seu próprio cabelo e há 10 anos não sai de casa sem alisar os fios.

Não é que Leandra não ache cabelos cacheados incríveis – ela acha e aponta mulheres que provam isso, como Sarah Jessica Parker, Solange Knowles e Jerry Hall. Mas ela admite fazer parte do grupo das mulheres que se sentem constrangidas com seu cabelo ao natural: “A primeira vez que me olhei no espelho depois de uma escova, eu vi uma versão de mim melhor do que a que eu tinha conhecido antes”.

De fato, produtos para cabelo e maquiagem estão aí para ajudar a nos sentirmos melhores, mais confiantes e felizes com nós mesmas, então por que não usarmos e abusarmos deles para atingir nossa meta? Mas isso não quer dizer que não podemos, ou pelo menos não devemos tentar, nos sentir tão bem quanto sem esses truques e produtos.

Afinal, precisamos de um plano B tão bom quanto o plano A para nos acharmos incríveis em ambas as circunstâncias, caso contrário, alisar os cabelos para alcançar essa nossa “versão melhor” pode acabar se tornando uma obrigação chata, um fardo, ou se tornar algo completamente oposto aos nossos valores pessoais, como é o caso da Leandra Medine.

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“Esta é uma limitação emocional que estou obedientemente tentando superar. Especificamente porque a relação que eu desenvolvi com o meu cabelo vai contra o ethos Man Repeller. Aqui nós gritamos: Seja você mesmo! Abrace seus defeitos! Ame quem você é por quem você é! – E eu acredito em tudo isso, claro que acredito, mas como posso esperar que uma macro-mudança seja coloca em movimento quando eu estou mostrando sintomas de tal insegurança?”.

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Mica Arganaz//Por: Tommy Ton

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Grace Coddington//Reprodução

Nós, e provavelmente você também, entendemos bem esse duelo interno entre “ser ou não ser”. Não é fácil sair da zona de conforto e abraçar uma mudança de visual, principalmente quando falamos sobre revelar os cachos em uma sociedade tão centrada em cabelos lisos (e no Brasil, tão racista também). Porém, graças ao movimento feminista chegando mais perto de um número cada vez maior de mulheres, abrir mão do alisamento está se tornando frequente entre mulheres que nem gostavam tanto assim da sua versão alisada, mas precisavam de uma forcinha para se libertar. Afinal, é tudo sobre liberdade e felicidade.

Se você está pensando nisso, em adotar seu cabelo cacheado ou crespo e dizer adeus de vez aos alisamentos químicos, nós vamos te avisar: é possível, é libertador e você não está sozinha, mas não é tão simples. Você vai precisar de calma, paciência e de algumas dicas de quem já passou por isso.

Abaixo, você confere quatro depoimentos de garotas que passaram pela transição depois de anos de alisamento, com dicas de como encarar o processo da melhor maneira possível e passar por todas as dificuldades até chegar na transformação total.

Jéssica:

“A primeira coisa que eu recomendo é achar um cabeleireiro que realmente entenda o que você quer para o seu cabelo, que entenda o que é ter um cabelo cacheado e que valorize isso. Passei por alguns e nada foi resolvido. Mas fui em outros que são especialistas no assunto e ajudou muito.

O corte sempre é a solução. Eu cortei o cabelo que já era curto e ficou mais curto ainda. Sem medo. De resto, é ter paciência e saber cuidar. Usando leave-in, aprendi com o cabeleireiro a esconder as partes que incomodavam. Passava um pouco na mão e escondia o frizz por debaixo do cabelo mesmo. Existem penteados que podem te ajudar enquanto o cabelo não é totalmente recuperado, faixas são muito legais para isso.

Passei a fazer hidratação semanalmente e aprendi a modelar o cabelo depois de penteado, amassando os cachos. No fim, aprendi que a solução mesmo é aceitar o seu cabelo e deixar ele ser!”

Camila:

“Eu comecei a alisar o cabelo com 12 anos (hoje tenho 21) porque achava que só cabelo liso era bonito, todas as minhas amigas tinham cabelos lisos, as moças da televisão e até as princesas da Disney. Como minha mãe também alisava há muito tempo, foi natural que eu começasse a alisar também.

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Passei tantos anos de cabelo liso que aos 20 anos eu já não tinha ideia de como o meu cabelo era de verdade. Então comecei a fantasiar como seria se eu tivesse deixado o meu cabelo natural e comecei a pensar que um dia eu teria coragem de passar por um processo de transição capilar.

Comecei sem compromisso a ler blogs e sites de transição e notava que muitas meninas sofriam durante algum tempo até o cabelo começar a ficar bonito, e a insegurança com minha aparência fez eu sempre adiar essa transição. Foi com a minha aproximação do movimento feminista e com ajuda de algumas amigas que o medo foi passando.

Fui deixando os cachos crescerem por um tempo para ver no que ia dar. Depois de alguns meses deixando o cabelo crescer, mas ainda meio indecisa, eu já não estava aguentando mais ter um cabelo parte lisa e parte cacheada então eu comecei a perceber que ou eu fazia o big chop ou eu alisava e desistia da ideia de vez.

Então, sem falar nada pra ninguém, eu acordei um dia disposta a cortar o cabelo. Levantei mais cedo e fui direto ao cabeleireiro. Lá, eu expliquei o que estava acontecendo e pedi que ele me fizesse um corte que tirasse a maior parte lisa (o big chop) e fosse fácil de manter enquanto o cabelo crescia. Ele cortou e posso dizer sem mentira que foi a melhor decisão que eu tomei.

As dicas que eu dou pra quem quer se livrar do alisamento são: 1. Pesquisar formas de passar por essa fase em sites, blogs, grupos do Facebook (as meninas geralmente são super legais, super atenciosas). Isso vai te ajudar a perceber que tem várias meninas na mesma situação. 2. Não dar bola para comentários de amigos ou família quando você está no processo. Muitas vezes, eles vão falar sim coisas desagradáveis, mas vão parar de falar cada vez que você se mostrar mais segura da decisão.

Depois, não ache que a dificuldade que você tinha no passado de lidar com o seu cabelo cacheado/crespo será a mesma. Hoje os profissionais conhecem bem mais a estrutura desse tipo de cabelo e tem produtos muito bons no mercado e de todos os preços.

Por fim, vale lembrar que os processos de transição são diferentes. Tem gente que sofre menos, tem gente que sofre mais; isso depende de como seu cabelo reagiu ao tempo de progressiva e ao tipo de cabelo que você tem. Por isso, não desanime se a transição da sua amiga pareceu mais fácil do que a sua, ou o cabelo dela parecer com mais textura ou melhor. Tenha paciência, o seu também ficará bonito”.

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Solange Knowles//Reprodução

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Keri Russel//Reprodução

Karoline:

“Durante a transição, a única coisa que realmente me deixava feliz foi o meu objetivo inicial ter sido alcançado: eu não gastava mais aquela grana para alisar meu cabelo no salão. Então, mesmo com as dificuldades de ter dois tipos de cabelo na cabeça, eu não tinha nem condições financeiras de desistir e alisar tudo.

Porém, eu me escondia muito. Acompanhava blogueiras e grupos de transição na internet, lia tudo sobre babyliss, texturização e outras táticas de mulheres nesse processo para disfarçar o volume da raiz e deixar a parte alisada do cabelo cacheada, mas eu não fazia nada disso.

Eu passei 11 meses fazendo chapinha, me queimando e acordando horas mais cedo dos meus compromissos só pra passar mais horas em frente ao espelho puxando a raiz do cabelo. Parecia alisado, ninguém notava que eu estava em transição.

Mas é claro que eu já estava cansada dessa rotina, então procurei um salão especializado para pedir orientações de como eu poderia começar a assumir minha raiz e disfarçar as pontas. Foi lá que cabeleireira abriu meus olhos, disse que eu já tinha raiz o suficiente para fazer o big chop.

Se tem uma coisa que posso recomendar às mulheres que estão em transição é que tirem ao menos um dia de folga na semana para experimentar a raiz do seu cabelo, texturizar as pontas lisas, aprender como seu cabelo realmente é, pois, mesmo em transição, eu não fazia ideia de nada disso e de repente precisei aprender. O cabelo que aparece na raiz não é o que aparece depois do corte.

Claro que a surpresa de ver meu cabelo de verdade foi incrível, claro que eu fiquei assustada de ter mudado da chapinha para o cabelo natural literalmente de um dia para outro. Mas, desde aquele dia, há quatro meses, meu cabelo nem sabe mais o que é chapinha. Já eu sei muito bem quem eu sou.

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Tive respostas negativas da minha família e é desagradável ver os olhares de reprovação na rua, e ter que ficar explicando que esse é meu cabelo, e não moda. Mas tudo isso passa quando eu me olho no espelho todos os dias me amando mais e me sentindo cada vez mais bonita, sabendo muito mais o que combina comigo. Posso dizer que assumir o cabelo natural vale muito à pena”.

Bianca

“Minha vida dentro dos alisamentos começou aos 13 anos. Quando você está com o alisamento é tudo muito “bonito”, mas quando eu decidi parar de passar alisantes e deixar crescer, meu cabelo quebrava, caia absurdamente, as pessoas aqui de casa estavam achando que eu estava ficando careca e de fato estava! Surgiram entradas que antes eu não tinha, foi horrível, e só cresceu cabelo nessas entradas depois de 6 meses sem alisamento.

Nesse momento começou a minha transição, eu nem sabia que existia esse nome, ou que muitas mulheres também passavam por isso, foram 9 meses árduos em transição. Existiam vários meios de texturização, mas eu não conhecia nenhum deles, então a minha saída foi ficar passando chapinha (não recomendo a ninguém que faça isso, a texturização é mil vezes melhor).

Durante a transição, meus familiares sempre olhavam torto, ou diziam que eu estraguei meu cabelo (mal sabiam eles que não ia ficar daquele jeito para sempre), mas o que me manteve firme foi o apoio do meu namorado. Durante o tempo todo de namoro ele sempre pedia para deixar o cabelo cacheado, e isso foi o incentivo que eu precisava.

No dia 9 de dezembro de 2014 eu decidi cortar todo alisamento, foi o momento mais libertador de toda minha vida, é indescritível, é uma felicidade que te completa por dentro, você se sente preenchida, viva, é um momento que você só vive se passar por isso, não tem sensação igual!”

Foto Capa: Julia Sarr Jamois//Por: Tommy Ton

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