Insecta Aposta em Inovação e Diálogo Para Se Manter Rumo à Sustentabilidade

No novo episódio do Backstage, chamamos para a conversa uma parceira de longa data do Modefica: Barbara Mattivy, co-fundadora da Insecta. Criada em 2014 a partir da experiência de fazer sapatos a partir de roupas de brechó, a marca vem se consolidando como referência no Brasil quando o assunto é moda e sustentabilidade. Bárbara nos conta sobre a trajetória de seis anos da Insecta, o que mudou nesse período, o trabalho de comunicação, ponto forte da marca, as dificuldades e aprendizados de tocar uma empresa pequena no meio da pandemia do novo coronavírus, os planos para 2021 e além.

 

 

A Insecta começou transformando roupas usadas em sapatos novos e exclusivos. Algum tempo depois, começou a produzir sapatos com outros materiais. O mais irreverente deles talvez tenha sido as telas de pintura do artista plástico Pirecco. Hoje, os sapatos são majoritariamente feitos com roupas usadas,   tecidos feitos de garrafa pet com estampas exclusivas e os lisos feitos de pet e algodão reciclado. Embora os modelos clássicos, como o oxford aberto nas laterais, tenham se transformado na marca registrada da Insecta, hoje é possível encontrar chinelos e tênis, além de acessórios como bolsas e mochilas.

Marina pontua que, por acompanhar de perto essa trajetória, percebe que criar de forma mais próxima ao público, testando e ouvindo o que as pessoas querem, tem sido um elemento importante para acompanhar as vontades de quem é fã da marca. Bárbara explica que a Insecta nunca teve como objetivo se tornar uma franquia ou criar intermediários e sim, ao contrário, estar sempre em contato direto com as pessoas, entendendo suas demandas e pensando na melhor forma, inclusive do ponto de vista ambiental, de atendê-las. “A gente faz pesquisas para entender que momentos de vida as pessoas estão”, contou ela.

Tudo que é questionado vira insight para a marca: “muitas pessoas perguntavam se era feito de material reciclável, se é feito de ‘lixo’, por que custa o preço que custa”. Foi assim que a empresa decidiu explicar como é difícil criar uma empresa saudável e resiliente. A Insecta, como algumas outras marcas orientadas por um propósito, decidiu compartilhar a planta de custos e explicar de forma didática o custo de cada etapa de produção. Assim, as pessoas podem entender não só o preço, como também o valor do produto.

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Bárbara também é muito transparente em compartilhar outras dificuldades como, por exemplo, se manter dentro dos princípios da marca e entregar produtos bonitos, de qualidade, duradouros e que atendem às expectativas das pessoas. Nesse sentido, a busca por materiais diferentes, inovadores e de baixo impacto é constante.

 

Conquistas

A Insecta é conhecida pelas parcerias que estabeleceu ao longo dos últimos anos, além de ser uma marca em constante movimento. Marina pede para que Bárbara destaque os momentos mais importantes da história da marca e ela cita três: a conquista do selo Empresa B, o Relatório de Impacto Socioambiental e a responsabilidade estendida pelos produtos.

Começando pelo certificado Empresa B, Bárbara aponta que a marca é a única do setor de calçados no Brasil a conquistar o selo, uma conquista responsável não só por ajudar a validar as práticas da marca, como também a colocar no ar o Relatório de Impacto Socioambiental, em 2019, onde é possível encontrar dados, metas e compromissos da empresa em se tratando de questões socioambientais.

Já sobre a responsabilidade estendida do produto, alinhada ao fechamento de ciclo de produção, Bárbara explica: “quando o cliente quer devolver o Insecta que já usou por alguns anos, a gente se responsabiliza por essa reciclagem e ele recebe desconto em uma nova compra, se isso fizer sentido pra ele”. Sapatos em condições semi-novos são vendidos, enquanto sapatos sem condições de uso são reciclados e transformados nas palmilhas de Insecta novos. Receber calçados de outras marcas, para contribuir com a redução de lixo gerada pela indústria da moda, veio como próximo passo.

 

Experimentações

Pelo seu jeito irreverente de ser, a Insecta recebe sempre diversas perguntas e Bárbara nos pontua algumas das mais frequentes, como “tem pra homem?”. A marca não possui distinção de masculino e feminino entre seus produtos; a numeração vai do infantil ao 46. Marina aproveita para pontuar essa diferença de ser uma marca sem gênero e aponta sobre as campanhas da empresa serem sempre marcadas pelo seu estilo único. Barbara nos conta de alguns filtros de branding que são essenciais para a Insecta, desde a diversidade de pessoas ao ar de refúgio urbano criado pelos ambientes nas fotos.

E como está sendo o trabalho em tempos de Covid-19? Barbara nos conta a apreensão dos primeiros meses, o que levou ao fechamento de duas unidades da Insecta e como os clientes foram fundamentais para o entendimento de como a marca deveria agir. “Você passa a pensar na necessidade das pessoas. O que estão precisando?”, questiona. Após darem alguns passos para trás e conversarem com seu público, o time decidiu desenvolver produtos para quem fica em casa, no caso, chinelos e pantufas.

Antes da pandemia, a Insecta já trabalhava com o modelo de produção sob demanda, ou seja, quando a pessoa compra o sapato, o produto é feito na fábrica parceira e a mesma envia para o cliente em 5 ou 6 dias. Esse formato de produção garantiu o funcionamento da empresa ao longo desses meses. “Se a gente não tivesse isso desenvolvido, nem teríamos dinheiro em caixa para comprar as pantufas e revender para os clientes”, afirma. O fechamento das duas unidades, porém, será compensando com uma nova loja, na Rua Oscar Freire, em São Paulo, um dos endereços mais disputados pelo varejo na cidade.

Para finalizar, ela nos conta mais alguns planos futuros, como o de entender a principal causa da marca dentro da sustentabilidade, que é um campo enorme, para atuar de forma mais direta e incisiva. Por hora, a questão do lixo tem se mostrado uma das mais importantes para a Insecta, além da criação de um instituto e, claro, a nova loja. Vamos esperar o que mais vem por ai.

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