Literatura, Cinema E Psicanálise Na Deriva

A Deriva é a nova publicação independente com coordenação editorial de Fabiane Secches. Um desdobramento do coletivo literário Confeiteira, com um comprometimento em debater cultura, arte, mais especificamente literatura e cinema, e psicanálise. A publicação digital semestral reflete, em parte, o caminhar da própria Fabiane até aqui. Com formação em Psicanálise e mestranda em Teoria Literária e Literatura Comparada, ela afirma que “a Deriva surgiu também da vontade de participar de mais conversas interdisciplinares, sobrepondo diferentes áreas em torno de interesses em comum”.

Talvez a relação entre arte e psicanálise não seja óbvia à primeira vista, mas a citação de Freud destacada por Fabiane em seu texto de abertura e apresentação, Prólogo, faz essa conexão da melhor maneira possível: “(…) os poetas são aliados muito valiosos, cujo testemunho deve ser levado em alta conta, pois costumam conhecer uma vasta gama de coisas entre o céu e a terra com as quais a nossa filosofia ainda não nos permitiu sonhar. Estão bem adiante de nós, gente comum, no conhecimento da mente, uma vez que se nutrem de fontes que ainda não tornamos acessíveis à ciência”.

Porém, mesmo citando Freud, a Deriva quer um diálogo mais possível, menos acadêmico e hermético. “Acredito na importância da aproximação entre universidade e cidade, do afrouxamento dessas fronteiras, e essa foi uma de nossas principais diretrizes. Através do cinema, da literatura e da psicanálise, por exemplo, queremos pensar sobre questões que atravessam a vida de todos nós – afetivamente, socialmente, politicamente”, explica Fabi. Afinal, se tem uma crítica feita direta e constantemente à academia, essa crítica está ligada à falta de esforço da mesma em se aproximar dos ‘cidadãos comuns’ e das questões e debates sociais de maneira mais efetiva, em grande parte por conta da linguagem.

A sugestão de leitura é, como numa revista impressa, do início ao fim, partindo da Carta da Editora, no caso da Deriva, do Prólogo. Mas os textos podem ser lidos e compreendidos separadamente. São 24 textos, mas sublinhamos por aqui o texto de Emanuela Siqueira sobre a ausência de mulheres na Geração Beats; a reflexão de Stephanie Borges sobre o documentário que aborda masculinidades, The Mask You Live In no texto “Máscara e Sofrimento”; e a retomada de Virginia Woolf por Cintia Nogueira na resenha do livro Destinos e Fúrias.

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A política perpassa o conteúdo da Deriva embora ela não seja um tema em si mesmo. “Essa foi uma diretriz pessoalmente importante para mim. Embora cada autor tenha autonomia para se expressar, só fazia sentido criar uma publicação de cultura contemporânea se ela dialogasse criticamente com os temas que estão sendo debatidos atualmente e se pudesse colaborar de alguma maneira para construir um novo cenário, tentando demonstrar que é possível ter diversidade e qualidade. Tanto a arte como a vida podem se beneficiar dessa troca, desse frescor. Para isso, precisamos redobrar a atenção, evitando percorrer caminhos óbvios, tentando escapar das armadilhas do discurso vigente, um tanto claustrofóbico”, finaliza Fabi.

As artes da primeira edição, e que você vê aqui ilustrando esse texto, foram feitas por Beatriz Leite.

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