5 Dias Surpreendentes Em Medellín

Apesar de Medellín ter sido indicada pelo respeitado Condé Nast Traveller como a cidade para conhecer em 2015, a segunda maior cidade da Colômbia não é tão conhecida e normalmente não está incluída nem mesmo nos roteiros mais detalhados da América Latina.

Realmente, Medellín guarda seu apelo ao turismo de negócios, considerando que abriga um dos maiores centros industriais do país. Ms para quem está com viagem marcada para outros lugares da Colômbia, como Cartagena ou San Andrés, vale a pena fazer uma pausa de dois dias para conhecer a capital da Antioquia e seu povo extremamente hospitaleiro.

Tive a oportunidade de ficar cinco dias por lá no final de janeiro passado – divididos entre trabalho e turismo – e conhecer lugares interessantes e que valem muito à pena a visita. Não poderia deixar de compartilhar os achados, entre lojas, lugares de passeio e restaurantes que mais me encantaram – e ainda facilitar a vida dos colegas veganos que estão preocupados em o que comer em uma cidade onde a culinária é extremamente focada em carnes.

Parque Lleras

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Parque Lleras/Marina Colerato

Uma das melhores coisas foi estar hospedada no Hotel San Fernando Plaza, a cinco minutos a pé do centro cultural e noturno de Medellín, Parque Lleras. Todos os restaurantes da cidade costumavam encerrar a cozinha cedo para os padrões paulistas; durante a semana, às 21hr, mas esse reduto boêmio de Medellín recebia pessoas a noite toda, normalmente com música ao vivo, rum e cervejas. A única saída para um jantar tardio.

Enquanto à noite o lugar é um bom destino de happy hour com várias opções de double drink, durante o dia o Parque Lleras recebe diversas pessoas para almoço, que lotam seus restaurantes dando uma outra cara na vida diurna do local, que me encantou principalmente por ser cuidadosamente colorido, cheio de referências latinas e muita influência mexicana – coisas que só se percebem à luz do dia. Por isso, faça uma visita de manhã também.

Duas ou três barraquinhas na praça central vão te ajudar a garantir a famosa bolsa colombiana a um preço justo. A bolsa é feita por artesãs indígenas por isso a variedade e quantidade são relativamente limitadas. Nessas barraquinhas, uma bolsa sai por 80 mil COP, cerca de R$ 100.

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Barracas Com As Famosas Bolsas Colombianas/Thais Nascimento

Por lá, o restaurante Nino e Pastino faz um excelente spaghetti vegano (reforce sua preferência alimentar na hora de pedir o prato) com uma sangria refrescante e bem servida. Já no Al Rojo, peça uma pizza vegetariana sem queijo e um chopp ruivo de alguma cervejaria local.

Inclusive essa dica é um salva vidas: em todos os lugares com opções de pizzas há versões vegetarianas e eles não encontram dificuldade em tirar a muçarela, basta pedir. As pizzas são feitas com uma massa fininha, muito molho de tomate e bastante vegetais. Uma delícia que vale provar, eles são ótimos na pizza e fazem muito bem a versão vegana, sem medo e sem frescura.

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Sangria do Nino E Pastino/Marina Colerato

Via Primavera

Um reduto de pequenas lojas que vendem moda e outros produtos de design nacional. Lá, um dos lugares mais encantadores é a Noi Joyería, uma galeria de designers de jóias locais. É quase impossível sair sem uma sacolinha na mão, já que a loja reúne uma variedade de peças únicas como a coleção Geodenim da designer Alessandra Ruíz. Uma linha toda feita com retalhos de denim, prensados até virarem uma pedra densa, que depois é lapidada e mesclada com prata e outros metais para formar anéis e colares.

Ainda na Noi, outra designer incrível é a arquiteta Pilar Restrepo. O destaque era a coleção Conos, toda em prata com formas que flutuam entre o delicado e o contemporâneo. Eu, claro, garanti minha jóia a um preço mais amigo do que os praticados nas galerias de São Paulo.

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Trabalhos De Alessandra Ruíz/Pilar Restrepo na Noi Joyería/Marina Colerato e Reprodução

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Galeria Disenõ/Marina Colerato

No campo da moda, várias outras lojinhas com roupas made in Colombia, como a Galeria Diseño que vende desde decoração, passando por biquínis, sapatos até roupas casuais ou mais elegantes. Na Via Primavera você encontra uma variedade dos biquínis típicos colombianos: cheios de estampas, bordados e pedrarias. Para as apaixonadas por biquíni, vale ter um na coleção.

Para comer, o restaurante Mundo Verde vai te servir com uma variedade de sucos, saladas e pratos naturais. Um destino certeiro para os veganos, veggies e para quem opta por uma alimentação saudável e sem glúten. Aqui você pode experimentar a típica e maravilhosa limonada com coco.

Já o Pergamino Café é uma versão local e intimista do Starbucks (em Medellín não tem), onde você pode tomar cafés ou frapuccinos em versões veganas e elaboradas. Não deixe de comprar o pacote de grãos do famoso café colombiano. É só pedir que eles moem na hora e você vai ter o melhor presente de viagem de todos os tempos. Na verdade, garanta dois ou mais, porque você não vai se arrepender.

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Via Primavera e Restaurante Mundo Verde/Marina Colerato

El Poblado

Tanto a Via Primavera quanto o Parque Lleras ficam no El Poblado, mas fora desses dois redutos, há muito mais pelo bairro. Um dos primeiros lugares onde fui parar foi no Café Zorba, um restaurante vegetariano onde é possível pedir versões veganas. Ele fica de frente para o Parque Linear La Presidenta e tem um clima bem descontraído e aconchegante. Peça a pizza e a limonada com pepino, sente do lado de fora e desfrute olhando para o Parque.

O Parque Linear La Presidenta acompanha um riacho, cercado de verde que corre por todo o bairro. Aos domingos, a parte do Parque onde realmente é possível entrar recebe uma feira local pela manhã.

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Limonada Com Pepino No Café Zorba/Marina Colerato

Se quer conhecer algum shopping, o Centro Comercial Santafé é um bom lugar. O shopping é gigante e cheio de lojas, principalmente americanas. Aqui é difícil encontrar moda local.

Vale entrar na varejista Fallabela, que guarda uma linha de cremes made in Peru, ou na loja Melange, com hidratantes, sabonetes e fragrâncias, todos cruelty-free e feitos na Colômbia. Se você quer trazer a tradição para casa, aposte na essência de pinã colada.

Centro E Arredores

Há alguns pontos turísticos na cidade que vale a visita como o Museo de Antioquia, localizado na Plaza Botero. Na praça você pode ver 23 obras do artista Fernando Botero. Aproveite e ande até a Plaza de Cisneros, e não deixe de comprar as pitaias amarelas, típicas da região por R$ 2,50 cada (no Brasil o preço chega a R$ 16 cada).

Pegando o metro ou taxi (os taxis são bem baratos e compensam mais que o metrô, por ter uma pequena malha, mas fique atento ao trânsito que pode ser extremamente exaustivo até para os paulistas) você pode ir até a estação Plaza Mayor e conhecer a Plaza De Los Piés Descalzos ou continuar a viagem e ir até a estação Universidad, onde fica o Parque Explora, que abriga o aquário e o planetário da cidade.

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Banca De Pitáias/Marina Colerato

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Plaza de Cisneros E Plaza De Los Piés Descalzos/Marina Colerato

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Além disso, outros locais que são conhecidos, mas que não tive a chance de visitar são o Jardim Botânico, o Metrocable que leva até o Parque Arvi e a Laguna de Guadape. Existem milhares de dicas sobre cada um deles no TripAdvisor para quem quiser saber mais.

Um pouco fora do circuito, o restaurante 3 Típicos guarda as delícias da culinária local. Veganos podem saborear a cazuela de frijoles vegetariana, prato típico em versão livre de crueldade. Não se espante e hesite com a banana no meio dos feijões, milho e abacate, porque a banana é muito usada na culinária local, e nesse caso fica uma delícia.

Antes de ir embora, como gosto de fazer em qualquer lugar que visito, passei no mercado para garantir mais do famoso café colombiano, dessa vez de diferentes marcas comuns de supermercado, os temperos La Preferida incrivelmente mais baratos que no Brasil, extrato de coco para fazer chantilly de coco e a típica limonada com coco quando chegasse em casa, além das cervejas artesanais colombianas 3 Cordilleras.

Medellín deixou boas impressões, com um público preparado para receber turistas, um clima gostoso primaveril, muitas referências latinas que não temos aqui no Brasil, além do nítido esforço do governo e iniciativa privada de inserir a grande população carente através da cultura por meio de centros tecnológicos e de informações em bairros pobres.

Se você está indo para Medellín e quer saber mais dicas, entre em contato conosco pelo email. Vamos ter o prazer de contar mais sobre essa experiência diferente. Já conhece a cidade? Deixe nos comentários o que mais gostou de lá, e vamos incentivar o turismo latino americano. Por que não? Vale a pena!

Imagens: Marina Colerato

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