4 Mulheres Contam Suas Experiências De Mochilão E Dão Dicas Para A Sua Viagem

Imagine aquela viagem pro exterior, a dos seus sonhos, diversos países para conhecer, vários dias longe de casa, cenários diferentes, cultura nova. Dá pra fazer a baixo custo? Com mochilão, dá sim.

Ao conversar com mochileiras de primeira, segunda e terceira viagem, reunimos diversas dicas de como passar 2, 3 semanas fora do país e gastar o mínimo possível. Melissa foi com o namorado pela primeira vez em um mochilão de 20 dias, andaram pela Bolívia, Chile e Peru em uma das rotas mais procuradas por mochileiros na América do Sul. Monnyke foi com uma amiga para Alemanha, Inglaterra e Holanda, o planejamento foi feito com cuidado, pois a grana era curta.

Amanda fez o primeiro mochilão com 17 anos e não parou mais. Hoje, ela conta no Livre Blog um pouco das experiências que teve viajando pela Europa, Sudeste Asiático e América do Sul. Fernanda fez uma rota desconhecida por mochileiros – seguindo os países do Cone Sul: Uruguai, Argentina e Chile. Acompanhando uma amiga que escolheu a rota peculiar para seu projeto de doutorado, elas percorreram diversas cidades de difícil acesso por 15 dias.

Essas 3 mulheres contaram suas experiências e nos deram dicas de como correr pelo globo gastando pouco. Agora é só começar a planejar.

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COMIDA LOCAL

Não tenha medo de provar a culinária típica quando viajar. Além de conhecer os pratos da região, você também aproveitará o baixo custo: “tem muita gente que não faz isso porque tem medo de ficar doente. Depende muito da onde você vai. Na Índia, eu ficava com o pé atrás, mas se eu via que era mais limpinho, eu comia”, conta Amanda. Ela explica que esse tipo de comida na Ásia é muito barato: um prato cheio chega a custar em média um dólar.

Fernanda também optou pelos alimentos da região: “Tem coisas que são subsidiadas pelo governo e são mais baratas – eu tentei pegar essas coisas”. Por serem cidades de difícil acesso, ela chegou a encontrar produtos como refil de Nescafé por US$ 40.

Mas essa não é a regra universal. Monnyke preferiu baratear sua viagem na Europa com fast-food ao invés de restaurantes, optando por comer a comida local – lá, mais cara – poucas vezes: “em Amsterdã a gente comeu uma batata com maionese que era maravilhosa”, comenta.

FUJA DE ÔNIBUS TURÍSTICO E TÁXI

Uma das dicas dadas pelas mochileiras foi aliviar os gastos preferindo sempre transporte local ao turístico – você pode perder um pouco em conforto, mas deixa de gastar um valor considerável. Em alguns passeios turísticos, como Macchu Picchu, não é possível evitar esse tipo de transporte, mas você pode preferir, por exemplo, em conhecer a cidade a pé, ao invés de em grupos guiados, com mais autonomia, tempo para decidir onde parar, em que ritmo seguir e sem custo algum.

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Maya Bay por Amanda do Livre Blog // Cortesia

Amanda dá outras dicas valiosas: busque ônibus noturnos, pois você também economiza com a estadia em hostel, e caminhe. “É legal pegar hostel perto dos centros turísticos, aí você não precisa gastar com transporte. Fica um pouco mais caro, mas acaba valendo a pena”, afirma.

Na América do Sul, a barganha é algo muito comum e efetivo. Era assim que Melissa sempre fazia quando usava táxi: “Uma hora a gente meio que aprendeu quanto mais ou menos ficava, então se custava 10 e ele falava 20, eu falava ‘ah, mas ontem eu paguei 10’, e ele abaixava”.

PESQUISE ACOMODAÇÕES COM CUIDADO

Melissa, em seu primeiro mochilão, buscou muitas informações em sites como Mochileiros, fechando apenas o principal aqui no Brasil, como passagem aérea e estadia em hostels de cidades que eles tinham certeza que passariam. Ela viu a desvantagem de fazer a viagem a dois: em grupos maiores, os descontos eram mais altos.

É nisso que Amanda aposta: por viajar sozinha, ela busca sempre quartos de hostels com 20, 30 pessoas até, mistos, para baratear o preço. A quantidade de pessoas do grupo, ou no quarto, sempre torna as ofertas de estadia mais em conta.
Mas tome cuidado com lugares baratos demais.

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A experiência fez com que Melissa se arrependesse de buscar sempre o menor custo: “o que a gente ficou em Cuzco era super barato, mas era no meio de um cortiço, não tinha recepção. No quarto, minha cama tinha um cobertor preto cheio de pelo branco, a gente tinha pedido um banheiro privativo, mas não tinha uma porta dividindo ele. Esses lugares não tem muito luxo porque não é a pegada, mas a gente pegou uns muito ruins que não valiam a pena”, comenta.

PARA EVITAR IMPREVISTOS

Amanda relata que apanhou muito em seu primeiro mochilão: aos 17, inexperiente, foi para a “segura Europa”, deixou a bolsa de lado em um restaurante em Barcelona e foi furtada, perdendo duas câmeras, cartões de crédito e dinheiro vivo. Hoje, mesmo em restaurantes fechados, ela põe a bolsa nos pés, para senti-la o tempo todo. Por falta de informação, ela precisou dormir no terminal de ônibus de Milão, pois acontecia a final da Fórmula 1 e não havia vagas em hostels.

Já no Peru, na sua última viagem, ela passou por uma situação inusitada: em um ônibus noturno a caminho de Cuzco, duas mulheres pediram que ela guardasse consigo itens delas, primeiro um pacote e depois um casaco de neve. Ela estranhou, disse não e dormiu com medo, abraçada na bolsa. “Eu fiquei imaginando que eram drogas, se a polícia as parasse, falariam que ‘é culpa da gringa’. Depois eu estava conversando com uma peruana e ela falou que provavelmente era contrabando mesmo”, comenta.

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Pico da Bandeira por Amanda do Livre Blog // Cortesia

A falta de informação em locais mais remotos é comum, seja pelo meio escasso de obtê-las ou por distração. Melissa enfrentou esse problema viajando para Cuzco, quando uma greve fechou comércio, restaurantes e as entradas da cidade. O ônibus em que ela estava parou no meio do caminho e eles tiveram que andar por 20, 25 km até a cidade.

Desde problemas com perda de mala, enviada a outro local pela empresa aérea, até albergues não muito confiáveis, Fernanda comenta que os imprevistos a levaram até mesmo a passar a noite na casa de uns comerciantes de uma cidade remota. Ela relata não ter conseguido dormir, com medo de ser roubada. “Para uma mulher sozinha, isso é perigoso. Eu sou estrangeira, brasileira e as pessoas ainda tem uma imagem errônea do Brasil, então você tem que manter uma guarda muito maior”, comentou sobre o medo.

Já Monnyke teve um problema com o check in na saída de Berlim para Londres – era necessário faze-lo online, mas ela não foi avisada. Como consequência, teve que pagar no aeroporto a salgada taxa de € 45. “Essas empresas de low cost fazem exatamente isso: vendem voos por um preço bem baixo dentro da Europa, só que arrumam outras formas de cobrar você”, adverte.

Para imprevisto assim, Monnyke viu em blogs – 360meridianos, Simplesmente Berlim, Viaje na Viagem – que é sempre bom levar mais de uma forma de dinheiro. Ela optou então pelo cartão de débito internacional, um Travel Card, um cartão pré-pago internacional, e dinheiro vivo. Melissa também afirma que carregar consigo o mais importante – dinheiro, cartões e passaporte – na doleira presa ao corpo é essencial para a segurança.

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Laguna Colorada por Amanda do Livre Blog // Cortesia

O MELHOR DO MOCHILÃO

Monnyke acredita que viajar sem agência, além do fator principal ser o custo menor, acaba te permitindo fazer a viagem do seu jeito: “quando você planeja as coisas fazendo mochilão, você indo atrás de tudo, fica mais fácil de ser da forma que você quer”. Melissa, assim como Monnyke, conta como vantagem do mochilão o roteiro aberto. “O bom é você pesquisar antes o máximo que der, mas não precisa fechar nada. Eu ainda não fechei (para seu futuro mochilão no sudeste asiático), mas já tenho tudo anotadinho, as opções, os preços”, comenta.

Amanda gosta de viajar sozinha, conhecer a população local e os mochileiros. Ela acredita que, em grupo, as pessoas sempre se fecham mais. “Eu realmente nunca fiquei totalmente sozinha. Uma vez que eu tive que ir ao hospital porque eu peguei alergia, havia sempre alguém pra ir comigo”, afirma e já diz que a vontade do próximo mochilão é ir pra América Central e África.

Fernanda também pontuou a independência do mochileiro: “eu aprendi muito a chegar em soluções rápidas, a me virar”, relata, citando também que a premissa de “viajar pro exterior é pra rico” torna-se banalidade. “É uma maneira de você conhecer os lugares de um modo mais barato. Quando você faz mochilão, você torna uma viagem que não era possível, possível”, completa.

Imagem Capa por Amanda do Livre Blog // Cortesia

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