Não É Sobre Dieta: Reeducação Alimentar Vai Muito Além Do Peso

“De Bem Com A Comida” é uma série cujo principal objetivo é abrir o diálogo sobre a relação da mulher com a comida e com transtornos alimentares. Queremos que todo o conteúdo produzido sirva para gerar debate sobre soluções de como se lidar de maneira sincera e pró-ativa com o tema.
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Muita gente encara a própria reeducação alimentar como algo chato ou difícil de ser mudado. A preguiça bate, o estresse, as dificuldades e a frustração aumentam em certas fases da vida – e tudo o que você pensa é em comer, mais do que deveria, aqueles doces ou frituras para se sentir melhor e prometer a si mesma que a próxima dieta irá resolver todos os seus problemas de saúde e de beleza.

De fato, repensar a forma como nos alimentamos, diminuir ou começar a consumir certos tipos de alimentos e treinar o seu cérebro para se comportar de forma diferente é desafio dos grandes. Mas é aquele tipo de desafio que também traz muitas coisas boas. Você se sente e se torna mais saudável, a sua autoestima cresce, você passa a respeitar e a valorizar mais o seu corpo e o seu estilo de vida pode até mudar.

Ter um cardápio variado, com todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo, é um dos primeiros passos a serem dados se você está animada para ter uma relação mais harmoniosa com o que come. “O prazer à mesa não deve ser visto como um crime”, comenta a nutricionista Erika Rodrigues, em texto ao site Mental Help.

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Todos sabemos, mas sempre vale ressaltar o óbvio: toda vez que a comida te deixar infeliz ou colocar a sua saúde em risco, procure ajuda médica. “A reeducação alimentar seria entender sua relação com a comida e ajustá-la onde estiver inadequada e/ou causando sofrimento”, explica Ana Carolina Pereira Costa, nutricionista clínica, colaboradora do Ambulim do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HCFMUSP) e autora do blog O Corpo é Meu.

A reeducação alimentar seria entender sua relação com a comida e ajustá-la onde estiver inadequada e/ou causando sofrimento

Além disso, as pessoas ao seu redor podem ajudar em sua reeducação alimentar, enquanto repensam sobre o que comem. Como comentamos no último texto dessa série, a família pode influenciar significamente na maneira como nos alimentamos. “Em casa que há excessos, onde os pais não proporcionam uma alimentação equilibrada e saudável, dificilmente os filhos terão uma boa relação com a comida. Não existe essa de que só tem que cuidar da alimentação quem está acima do peso. Quando digo aqui saudável não quero dizer em excesso, pois podemos sim comer comidas das quais gostamos, desde que possamos manter na maioria dos dias a alimentação com qualidade”, aconselha Luciana Kotaka, psicóloga clínica e membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

A ida a um nutricionista pode deixar as coisas mais claras na fase inicial. Erika explica que aspectos gerais da saúde e detalhes da rotina da pessoa são analisados. Nem sempre neste primeiro contato são coletadas as medidas do corpo. Isso mudará de caso para caso e de acordo com o objetivo do paciente e de sua queixa principal.

Entretanto, já são dadas orientações sobre como melhorar o estado nutricional ou corrigir hábitos que podem influenciar certas doenças, por exemplo. Quando necessário, um cardápio é sugerido para facilitar as escolhas do que comer, evitando assim a monotonia das refeições.

Não existe essa de que só tem que cuidar da alimentação quem está acima do peso

Carolina Viesi, nutricionista comportamental formada pela PUC de Campinas, comenta sobre um caso específico e bastante popular nas clínicas de nutrição: pessoas que não conseguem viver sem doce. “Todo mundo ao longo do dia tem picos de adrenalina, que causam a queda da glicemia. Daí, a pessoa busca o doce. Isso é o mal do século”.

Não é obrigatório e nem aconselhável cortar de forma extrema esse tipo de alimento. O que a nutricionista costuma fazer é dizer para pessoa que ela não deve se sentir culpada e que nem é o único ser humano do mundo que gosta de comer doces. “Ela tem que entender que é um momento que está passando e que isso vai se ajustar”, complementa.

Uma das tarefas do nutricionista é desmistificar a crença de que alimentos saudáveis não são saborosos. Por isso, um bom profissional precisa aliar a parte nutricional à individualidade, respeitando preferências, cultura e condição socioeconômica, segundo Erika. No entanto, por envolver mudanças de hábitos, é preciso paciência e disciplina, já que esse é um processo gradual.

Uma boa forma de perceber hábitos não saudáveis é anotar ou observar mentalmente com quem (isso não é sobre contar calorias, já falamos sobre por aqui), onde, o tempo da refeição e tudo o que você come. Alimentar-se sentado em uma mesa, com calma e parar de comer quando sentir-se satisfeito é uma situação mais do que ideal.

Evitar falar sobre problemas durante as refeições ajuda a não desistir de comer ou de direcionar toda a sua raiva ou preocupação para a comida. Assim, é possível enxergar um padrão de comportamento típico. Tirar uma folga, quando achar conveniente ou por recomendação médica, dependendo de cada caso, e comer o que quiser e até sozinha se preferir, também é possível.

Mastigar, mastigar e mastigar

A mastigação é outro elemento bastante importante se quisermos nos reeducar. Ela diminui a nossa ansiedade e aumenta a sensação de estarmos completamente satisfeitos comendo menos. “Se a gente consegue parar e mastigar, você consegue exercitar a sua consciência plena ao comer. Mastigar com cuidado acalma e a pessoa começa a se sentir melhor. Tudo circula energeticamente bem”, explica Carolina.

Além disso, mastigar mais vezes faz com que mais células absorvam os nutrientes do alimento. Não comemos, então, apenas para “encher a barriga”, mas para ficar e permanecer saudáveis e nutridos.

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Mastigar com cuidado acalma e a pessoa começa a se sentir melhor. Tudo circula energeticamente bem

A restrição de um ou mais tipos de alimentos não é precisa e muito menos conta como solução em relação aos problemas e transtornos alimentares, mesmo porque, restringir pode ajudar a desenvolver quadros de compulsão.

Outro bom exemplo é cozinhar acompanhada. Isso trará mais prazer e consciência na hora de se alimentar. Alterar ou manter um comportamento padrão na hora de se alimentar modificará processos químicos na mente, mexendo com o humor, com a saúde e com o corpo – para melhor ou para pior. É importante ficar atento para que as mudanças sejam sempre para melhor.

Imagem: Time Modefica

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