Conheça os Espaços de Beleza Apostando em Ambientes Tranquilos e Produtos Naturais

O mercado de beleza é sempre próspero e, no Brasil, um caso à parte. Qualquer pesquisa revela números positivos em crescimento contínuo ao longo dos anos – totalmente insensíveis à crise econômica que se desenha há mais de uma década no mundo. Segundo dados de 2017 da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), em conjunto com o Instituto FSB Pesquisa, o Brasil é o terceiro maior mercado de estética no mundo.

Já a pesquisa da ABF (Associação Brasileira de Franchising) mostra que, de 2015 a 2017, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar tiveram, juntos, aumento de 35,5% no faturamento. Em 2016, o mercado somou R$ 26,7 bilhões com receitas obtidas com atendimento de cliente (clínicas, cabeleireiros, spas, etc). Já em 2017, o número saltou para R$ 30 bilhões. Os motivos para tal crescimento desproporcional à realidade de outros mercados estão, segundo pesquisadores, relacionados a fatores econômicos e mudança de comportamento dos consumidores.

Em 2017, eram abertos, em média, 7 mil salões de beleza por mês em todo o país. Considerando a grande taxa de informalidade do setor, o número real é ainda maior.

Por um lado, a queda da taxa básica de juros, a Selic, ajudou os micro e pequenos empresários – uma grande parcela dos donos de salões – a terem melhores condições de crédito e a investirem mais em aparelhos modernos. Por outro, o acesso da classe D e E a produtos de beleza fortaleceram o mercado. Já a classe C passou a consumir produtos mais caros. Em 2017, eram abertos, em média, 7 mil salões de beleza por mês em todo o país. Considerando a grande taxa de informalidade do setor, o número real é ainda maior.

Um grande fator para impulsionar o crescimento do mercado de beleza foi a adesão de mais homens ao consumo dos produtos. O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de consumo masculino de produtos estéticos, segundo a Euromonitor Internacional. Para 2019, as expectativas não são diferentes: o mercado deve prosseguir crescendo.

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Onda verde na beleza

Nesse mar de prosperidade, produtos mais naturais, com formulações livres de ingredientes tóxicos, orgânicos, veganos, livre de teste em animais e, em diversos graus, menos agressivos ao meio ambiente, têm ganhado cada vez mais público.

Os brasileiros são apontados como os mais engajados e conscientes quando se trata de produtos com ingredientes naturais. A pesquisa, feita pela Kantar Worldpanel, apontou que 57,7% dos brasileiros afirmam que a maior motivação para consumo dos produtos seja a preocupação com a natureza, enquanto na Europa Ocidental e Estados Unidos esse número cai para 51,9% e 43,1%, respectivamente.

Apesar de uma maior preocupação com a qualidade e sustentabilidade do produto, muitos consumidores ou não utilizam tais produtos, ou estão na fase de transição do tradicional para o natural. O cruzamento de dados da pesquisa “A percepção dos consumidores brasileiros sobre cosméticos sustentáveis”, realizada pelo Use Orgânico, revela que, apesar de 64% dos participantes afirmarem que cosméticos orgânicos são melhores que os convencionais, nenhum deles fazem uso de produtos naturais. O levantamento ouviu 1.517 pessoas em todas as regiões do país, em 2017.

57,7% dos brasileiros afirmam que a maior motivação para consumo dos produtos seja a preocupação com a natureza.

A falta do uso cotidiano pode ter ver com percepção de preço, dificuldade em encontrar e identificar tais produtos ou até uma distância entre a realidade e às respostas dadas nessas pesquisas. Porém, ao cruzarmos as informações do mercado de beleza, dos produtos naturais, do crescimento dos orgânicos e da demanda por produtos veganos, é fácil perceber que a tendência é real e a curva é de ascensão para produtos e serviços que estão além da estética e se aliam aos valores e preocupações de quem os consomem – também no universo da beleza.

 

Pioneira

Já em 1987, a cosmetóloga, tricologista e empresária Cris Dios pensava sobre a utilização de produtos mais naturais para o cuidado com os cabelos. A partir de sua paixão e curiosidade pelo universo do cabelo saudável, ela criou o Laces and Hair. Considerada a pioneira na concepção de salão de beleza voltado para o cuidado natural, Cris não só criou um espaço voltado para o bem estar de seus clientes, mas também que gerasse o menor impacto ambiental possível. Ela também é criadora das linhas de produtos Cris Dios Organics e LCS.  

Pioneiro, o Laces and Hair abriu sua primeira unidade em 1987

Hoje, o Laces está presente em cinco unidades em São Paulo e uma em Belo Horizonte. Em março, a 2ª unidade do hairspa, localizada no Jardins, em São Paulo, passou por transformação e foi reaberta, ganhando novos elementos para agregar valor a experiência de conexão entre corpo, mente e alma.

Através de pesquisas, feitas em diversas partes do mundo, Cris desenvolveu o “Ecossistema da Beleza”, que engloba  o embasamento técnico de seus profissionais (hoje, um total de 210 pessoas), a articulação de resoluções sustentáveis e ações de um ecossistema que permite um controle de resultados e da experiência dos clientes.

A unidade de Moema foi inaugurada em 2015 e todo o projeto foi pensado para minimizar impacto ambiental.  Os tijolos, telhas e madeiras vieram de demolição,  o salão possui cisternas que armazenam até 20 mil litros de água da chuva, que são tratadas por meio de osmose reversa. Já a conta de luz da unidade é zero, pois o local funciona com captação via painéis fotovoltaicos.

A Laces também utiliza o método próprio Hair Size, que foi feito para controlar e reduzir ao mínimo a quantidade de produto  usado no salão. Gera economia para a empresa, reduz quantidade de resíduo no meio ambiente e evita expor clientes ao excesso de químicas nocivas.

Além disso, desde 2006 a empresa utiliza o sistema Roll Meches para fazer mechas em cabelos sem gerar lixo. Isso resultou, em seis anos, numa redução de quatro toneladas de papel alumínio que seriam despejadas no meio ambiente.

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Garantindo agora a relevância no futuro

Sentindo a aderência do mercado para espaços de beleza mais relacionados ao bem estar, aos rituais de autocuidado e aos produtos naturais, o Estúdio W inaugurou o espaço de beleza Ritu, no Shopping Iguatemi, em São Paulo. O ambiente, bem menor e mais intimista que o Studio W localizado no mesmo shopping, com seu tom verde pastel intercalado com plantas em vasos, é um convite para fugir do ritmo frenético dos secadores e do cheiro das colorações e da água oxigenada.

Com a proposta de trazer uma experiência completa ao seus clientes, o estúdio oferece tratamentos personalizados para os cabelos à partir de um diagnóstico capilar do couro cabeludo. Por meio de uma câmera de alta resolução com aumento de até 250 vezes, é possível saber o que seu cabelo precisa – e quais os produtos certos, dentre o arsenal de opções mais naturais à disposição no salão, para suprir essa necessidade.

 

O espaço, altamente instagramável do Ritu, fica embaixo da rampa, no piso térreo do Shopping Iguatemi, num ambiente que mistura luxo e bem estar

 

Fundado por Wanderley Nunes em conjunto com Rosangela Barchetta, o espaço oferece outros serviços como massagem, manicure, maquiagem e hairstyling. “Há algum tempo percebemos que esse conceito é uma necessidade para atender uma demanda de mercado que deseja consumir serviços de beleza de uma forma mais sensorial”, afirma Rosangela. Os produtos para tratamento capilar são oferecidos depois de uma pesquisa com marcas botânicas e veganas. O Ritu trabalha com as italianas Davines e Previa, e com a linha Elements, da Wella Professionals.

Já os outros serviços não aderem aos produtos naturais porque, segundo Rosangela, há escassez de opções no mercado. “Temos esmaltes 7free (livre de sete componentes tóxicos comuns na composição) e veganos, mas não trabalhamos exclusivamente com eles. Estamos de olho e testando tudo que tem surgido aqui, mas o mercado brasileiro ainda não tem uma ampla oferta”, explica.

 

Ambiente e produtos saudáveis

Ser um salão de beleza completamente diferente dos outros foi o que motivou a criação d’A Naturalista.

Foi vendo a necessidade de ter um espaço onde se sentisse confortável que a ex-jornalista e designer, Simone Pires, criou A Naturalista. “Eu sempre odiei salão. O clima, a conversa, o jeito, os produtos, a abordagem, nada me agradava. Lá pelas tantas eu cansei de trabalhar sozinha pelo computador e comecei a desenhar isso… um espaço slow, bem low profile, que tivesse uma conversa, um papo mais cabeça”. Simone brinca que nem sabe qual novela está passando atualmente na televisão, pois esse não é o tipo de conversa que rola no seu salão.

O ambiente criado por ela é pensado de forma a ser saudável para clientes, profissionais e o meio ambiente. “Comecei a pensar essa questão dos produtos serem sem testes em animais, com uma formulação boa para as pessoas, para os animais, para as plantas, para o planeta”, explica. Mas a abordagem do salão acaba sendo mais voltada para uma questão de autoestima. No primeiro encontro, Simone procura conversar bastante com a cliente para entender o que realmente é importante para ela e ajudar trazer à tona a imagem que está dentro de si.

O salão tem seguido o crescimento do mercado de beleza. Quando começou, em 2014, Simone trabalhava em um espaço de 15m², com duas cadeiras, um lavatório e mais nada. Ela relembra que, naquela época, pouco se falava de beleza natural em salões e a progressiva ainda era o que impulsionava muitos negócios. “Uma vez um rapaz me falou: ‘nossa, como assim? Minha mulher tem um salão e 70% do faturamento dela é progressiva’”. Sem muita credibilidade, A Naturalista cresceu – o espaço hoje, ainda na Vila Madalena, quadruplicou – aumentou o quadro de funcionários e tem unidades nos bairros de Perdizes, aberta em 2017, e no Brooklin, que será inaugurada em 2019.

Eu sempre odiei salão. O clima, a conversa, o jeito, os produtos, a abordagem, nada me agradava. Lá pelas tantas eu cansei de trabalhar sozinha pelo computador e comecei a desenhar isso.

Hoje, A Naturalista atende mulheres de todas as idades, sendo a faixa etária mais expressiva a dos 30 a 35 anos. “Tempos atrás eu fiz o cabelo e maquiagem de uma senhora que fazia 100 anos, foi muito legal. A neta que frequenta o salão que trouxe a avó”, afirmou.

 

Mais que uma loja

É pensando nesse impacto de poluentes químicos na sociedade e meio ambiente que a vegana Kátia Pawlowskyj criou a Grama. “Primeiro testamos, analisamos a fórmula. Quando é um pouco difícil peço ajuda à um engenheiro químico e conseguimos fazer um levantamento sobre as certificações, matérias primas e se empresa tem fornecedores confiáveis”, explica ela. Tanto na loja online, criada em 2015, quanto no espaço físico, misto de loja e espaço para tratamentos de pele, criado em 2016, a rigidez na qualidade dos produtos é imprescindível.

 

A casinha que abriga a Grama é pequena, cheirosa e aconchegante. Além de loja de cosméticos naturais, roupas de algodão orgânico e ilustrações delicadas, o espaço conta com serviços de massagem e cuidados faciais.

 

Nos primeiros anos de existência, a empresária sentia que o público não entendia a proposta da Grama. Mas de 2017 a 2018 o cenário foi outro: muitas pessoas começaram a adentrar pela pequena portinha localizada numa rua estreita no bairro de Perdizes, em São Paulo, a procura, principalmente, de soluções para alergias. “Em um primeiro momento, eu achava que o público que viria aqui seria vegano, que as pessoas estavam muito preocupadas com os testes [em animais]. Mas me surpreendi com a alergia, que estava explodindo nas pessoas”, afirma.

Em 2018, Kátia percebeu a demanda de um público que estava mais preocupado com a saúde, com a pele sensível, pessoas que estavam encontrando problemas no uso cotidiano dos produtos convencionais e que começaram a se mostrar interessados por informações sobre composição e testes em animais. Era um público que passava pela transição de deixar o produto tradicional e começar a comprar o mais natural.

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Na Grama, junto com os produtos naturais, orgânicos e veganos, a vibe também é pela aceitação e autoestima. “É mais sobre se amar e se cuidar do que ficar obcecada em rejuvenescer 20 anos no rosto”, conta ela. Sentimento muito comum no movimento de beleza natural mais autêntico e raiz. 

 

Além de São Paulo

Com atendimento personalizado e serviços com produtos mais naturais, o Obra Prima é considerado pioneiro nesse tipo de serviço em Florianópolis. Criado por Giba Ferreira em 1997, o salão oferece uma gama variada de serviços: corte, coloração, penteado, tratamentos e afins.

Os clientes de Giba, apesar de variarem na faixa etária, costumam buscar sempre o salão pelo diferencial que já começa na água: são dois filtros usados nos lavatórios e a água sai sem cloro e metais pesados. “Fazemos muito detox no salão. Tentamos buscar todo tipo de produto orgânico e mais sustentável”, afirma ele. A preocupação com a logística reversa das embalagens é uma questão que o fez adentrar para o programa Beleza Verde, iniciativa da Dinâmica Ambiental que propõe aos estabelecimentos ligados à beleza o descarte apropriado dos resíduos gerados.

Segundo Giba, a escolha de ter um salão nessa linha veio da vontade de cuidar de si. Os funcionários também trabalham sem problemas e os clientes se sentem seguros. “A gestante do nosso salão consegue pintar os cabelos durante a gravidez. Os médicos quando observam a bula, quando conhecem a marca, liberam de imediato”, conta ele. Apesar dos esforços, Giba ainda encontra dificuldade de usar produtos totalmente veganos porque pigmentos e bases utilizados nas colorações ainda entram como reagentes. Keune, Davines e Schwarzkopf são algumas das preferidas do cabeleireiro.

Outro diferencial do tratamento dado às clientes do Obra Prima é o cuidado pós serviço. A cliente, além de ter uma ficha onde acompanha os serviços que lhe são prestados, pode voltar ao salão após sete dias para ter um feedback de como o cabelo reagiu ao serviço. Giba procura ensiná-las a sair do salão com o cabelo seco com difusor ou seco ao natural. Com uma técnica de polimento, ele faz torções no cabelo e ajuda a secar e ficar com uma aparência melhor sem precisar de escova ou chapinha.

 

De olho no ciclo para sustentabilidade

Numa casa ampla e cheia de verde, o Caule Ecosalão é referência em beleza natural em Santa Catarina.

Localizado na Lagoa da Conceição, também em Florianópolis, o Caule Ecosalão busca pela sustentabilidade em todos as etapas dos serviços oferecidos. Criado há dois anos, por Janine Schmitz, o salão oferece tudo que um salão tradicional ofereceria, mas na versão natural, ecológica e vegana. “Temos desde corte de cabelo, coloração com henna 100% natural – uma técnica que desenvolvemos para fazer mechas naturais -, manicure, depilação, tratamentos estéticos, terapias como reiki, massagem, coaching”, enumera ela. Ela cuida para que, tanto na sua distribuidora, quanto no salão, a experiência dos clientes seja boa, para que não achem que produtos naturais são ruins.

Janine, que também está por trás da distribuidora Caule Eco, esquematizou meios para que o descarte das embalagens fosse o mais consciente possível. Além de encaminhamento para reciclagem e reaproveitamento, existe um espaço especial para os cabelos, resíduos dos cortes: quando são fios maiores, são doados para o Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas) para servirem de perucas; quando curtos, são mandados para uma artista plástica que trabalha com o material. Como os produtos utilizados nos cabelos são naturais, não existe o problema de contaminar a água no lavatório. A próxima etapa que Janine quer implementar é utilizar água de coleta da chuva. Como a coloração com henna não exige papéis alumínio, toucas de plástico e aquele aparato de descartáveis produzidos nos salões convencionais, essa também é uma preocupação a menos para ela.

O público frequentador do Caule Ecosalão vai dos mais jovens, descolados, idealistas que querem mudar o mundo, até mulheres de 50 a 60 anos. “Elas vêm mais pela henna. São públicos diferentes, mas que interagem muito bem”, explica. Assim como as conversas n’A Naturalista, os papos no Caule Eco são mais politizados e engajados. 

 

Greenwashing, o famoso “parece verde, mas não é”

Quando decidiu criar seu negócio, porque não encontrava uma loja com este perfil, Kátia se deparou com muito greenwashing, o famoso “parece verde, mas não é”. Ela reflete que essa tendência de mercado, com as pessoas se conscientizando sobre os componentes dos produtos que usam, é vantajoso. “Perto do que se vê por aí, se for um pouco menos químico já é alguma coisa. Os dados sobre câncer de profissionais na área da beleza é assustador”, ressalta ela sobre o perigo de se expor diariamente aos componentes químicos das fórmulas de produtos de beleza.  Mas há muito a ser feito principalmente para o consumidor não ser enganado.

 

Captação de água de chuva, energia solar e menor volume de resíduos são apostas do Laces para diminuir o impacto ambiental dos serviços de beleza

 

Para ela, a transparência na troca de informações com as clientes é essencial para combater o greenwashing principalmente porque, mesmo uma pessoa que não está acostumada com produtos naturais, após o primeiro contato, vai sentir a diferença do aroma, da textura e de bem-estar. “É uma porta de entrada para as pessoas”, afirma ela.

“Algumas pessoas perguntam se temos progressivas naturais, porque tem uma marca que vende ‘progressiva orgânica’, mas na verdade não é orgânica, é só um apelo”, alerta Janaine. Para manter a qualidade dos produtos usados, a profissional também opta pela troca de informação sincera e aberta com seu público.

Perto do que se vê por aí, se for um pouco menos químico já é alguma coisa. Os dados sobre câncer em profissionais da área da beleza é assustador.

Quando em dúvida, perguntar, pesquisar e pedir para ver a embalagem é uma atitude com a qual os espaços optando por adentrar por esse universo devem estar acostumados. Nomes compridos demais, uma lista de ingredientes sem fim, falta de certificações sérias que comprovem afirmações como “orgânico” e “vegano” são alertas para um possível greenwashing. Também vale andar com sua lista de bolso e optar por espaços que usam marcas conhecidas e respeitadas no mercado de beleza natural para caminhos seguros.


Novos profissionais de beleza

Quando ter um espaço de beleza mais natural e que foge da mentalidade dominante do mercado é o sonho de uma pessoa só, expandir e contratar pessoas pode ser um drama à parte. Afinal, o profissional da beleza também é um stakeholder nesse novo cenário que precisa ser preparado para trabalhar e conversar sobre essas novas marcas, produtos e serviços.

No Ritu, o treinamento do pessoal, que antes trabalhava no Studio W, ficou por conta do time da Davines no Brasil. Na Grama, a dificuldade veio na implementação dos serviços de cuidados faciais e corporais. “Foi um período que eu tive que direcionar muito e, em vários momentos, ela [a profissional] tendenciava para o uso de produtos tradicionais que já estava habituada a trabalhar com”, explicou Kátia.

O Laces busca oferecer diversos benefícios para seus funcionários no projeto interno chamado DHL (Desenvolvimento Humano Laces). Através da Academia Laces, os funcionários são capacitados a atuar por meio do código único, programa que recruta funcionários que não possuem conhecimento do mercado e são formados de acordo com os preceitos da empresa. O programa ensina filosofia e métodos de prática a seus funcionários, desde de como fazer os tratamentos, técnicas de lavagem e aplicação de produtos até o atendimento. Com isso, o funcionário pode criar um plano de carreira na empresa, aprendendo aos poucos e subindo de cargo.

 

Ser verde é caro?

Simone explica que seus preços preços refletem o atendimento personalizado, no qual uma ou duas pessoas, no máximo, são atendidas por vez. Os produtos que ela opta por usar também refletem o valor. Nas prateleiras d’A Naturalista encontramos opções variadas de marcas e valores. Para os cabelos, opções que vão da brasileira Surya à linha So Pure, da gringa Keune, além das maquiagens da Bioart, Baims e Cativa Natureza.

Essa gama de marcas serve para lembrar que, assim como qualquer segmento, dentro do universo dos produtos naturais existem opções caras e baratas. Janine lembra que o ideal para o cabelo do cliente é o produto que melhor se adapta a ele, independente do preço. A média de serviços no Caule Ecosalão é de R$ 100 por corte, R$ 140 por limpeza de pele.

Em quatro anos de existência, o maior desafio da Grama ainda é a precificação. Por focar muito na qualidade dos componentes dos produtos, o preço na prateleira acaba sendo um desafio para ela. “A última coisa que eu olho é valor. Isso é uma luta constante para manter a loja, porque eu priorizo outras coisas e o lucro [na venda dos produtos] é baixo”, explica.

Quem não conhece pode pensar que todos os produtos custam uma fortuna, mas na Grama você encontra cosméticos a partir de R$ 35. Caso a verba seja maior, opções da marca inglesa Odylique são as mais salgadas, podendo chegar a quase R$ 300. Kátia oferece cursos e atendimentos estéticos; a limpeza de pele, um dos procedimentos mais queridos do espaço, custa R$ 196.

 

Crios Dios desenvolveu sua linha própria de  produtos sem alguns dos componentes novicos normalmente utilizados nas fórmulas de produtos de cabelo

 

Já no Obra Prima um pacote, que envolve avaliação, corte, tratamento e um retorno após sete dias, sai de R$ 150 a R$ 180. “Qualquer salão tem que cobrar no mínimo R$ 40 [um serviço]. Salão que cobra R$ 30 já tem que ser barbearia e ter bastante giro. E, claro, pode até ser esse valor, mais vai usar produtos realmente de baixa qualidade”, explica ele.

No Ritu os preços praticados são parecidos com  o do seu “irmão” Studio W, com tratamentos que começam em R$ 120, mas podem passar dos R$ 1.000, algo que está muito mais relacionado a uma escolha de posicionamento de mercado do que com os produtos utilizados. 

Focado em procedimentos capilares naturais, especializados em recuperação da saúde dos fios, os tratamentos do Laces mais buscados são: multivitaminas, hidromineral, coloração vegetal, velaterapia. O Laces também possui serviços tradicionais como: corte, manicure, pedicure e reflexologia. O preço médio do serviço é R$ 284.

 

O futuro da beleza (é verde)

Rosangela aposta numa mudança do posicionamento de empresas de acordo com as vontades do mercado consumidor. Para ela, é preciso respeitar e entender o que o consumidor deseja, focando na experiência do cliente em relação ao produto e ao serviço, fugindo dos rótulos e do marketing.

“As pessoas começaram a prestar atenção nisso, não só na questão dos cosméticos, mas principalmente nessa questão da alimentação”, analisa Simone, que acredita que o aumento dos produtos naturais no mercado de beleza brasileiro vem seguindo a tendência das pessoas de se cuidarem mais. “Elas começaram a refletir sobre qual a saúde das coisas que eu como, qual a saúde das coisas que eu passo na minha pele”, reflete ela.

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