#SerMulherEmTech É Uma Tarefa Árdua, Mas Elas Estão Conquistando Seu Espaço

No começo do mês aconteceu a Campus Party, o famoso festival de tecnologia e informação, e não demorou muito para as mulheres levantarem as problemáticas de trabalhar em uma área considerada masculina e muito machista.

Através da hashtag “ser mulher em tech”, a PrograMaria deu voz a diversas mulheres sobre as dificuldades enfrentadas nesse mercado. Os números não mentem: 41% das mulheres que trabalham com tecnologia acabam deixando a área, em comparação com apenas 17% dos homens, e 79% das alunas dos cursos relacionados à Tecnologia da Informação desistem no primeiro ano. Além disso, apenas 15% dos dos alunos de cursos relacionados à computação são mulheres.

Por meio das diversas ações da PrograMaria – sustentadas pelos pilares de inspirar mulheres, desmistificando o mundo da programação; fomentar e qualificar o debate sobre a desigualdade de gênero na área; e finalmente oferecer oportunidades de aprendizagem para essas mulheres e conectá-las com empresas – a jornalista e gerente de projetos fundadora da iniciativa, Iana Chan, pretende ser um agente transformador do mercado e empoderar meninas e mulheres por meio da tecnologia e da programação.

Para ela, “#SerMulherEmTech é lutar todos os dias contra adversidades e injustiças. Mas é também poder participar da construção de tecnologias que podem transformar o mundo em um lugar melhor”.

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A campanha, lançada em momento oportuno, foi reflexo de uma necessidade: “Recebemos muitas mensagens de meninas contando suas histórias. São histórias de mulheres que têm de se provar todos os dias, que recebem olhares maldosos, ouvem piadinhas machistas… Elas queriam apenas desabafar e ficavam felizes de saber que havia um grupo preocupado em criar uma rede de apoio e troca entre mulheres da tecnologia. Pensamos então em criar a campanha para abrir esse espaço de debate, pois acreditamos que o primeiro passo para transformar qualquer coisa é a informação. Algumas vezes, as pessoas que tornam o ambiente da tecnologia tão hostil às mulheres não se dão conta de que estão reforçando estereótipos e a discriminação, é o chamado viés inconsciente. Ao mesmo tempo, achamos que é preciso desmistificar a programação e mostrar as oportunidades e as coisas boas da área”, explicou ela.

Ao mesmo tempo em que o ambiente para mulheres na tecnologia é hostil, nós somos usuárias assíduas da tecnologia. Esse é outro ponto importante de ações como essa: mostrar como é desvantajoso para a sociedade deixar a mulher à margem da produção de soluções tecnológicas. Para Iana, “a tecnologia é uma ferramenta poderosa de transformação social. Ela não é boa em si, mas tem um potencial incrível para empoderar pessoas e reduzir desigualdades; e acredito que as mulheres precisam fazer parte disso, precisamos que as mulheres também pensem nas soluções para os problemas que enfrentamos atualmente”.

Se você pretende ingressar na área, persistência e luta vai ser fundamental. Afinal, quanto mais mulheres na área, mais igualitário e consequentemente menos hostil o mercado tende a ficar. “Existe também um série de comunidades responsáveis por servir como espaço seguro para as mulheres e podem ser um ponto de encontro para troca de experiência e de apoio. Além da PrograMaria, tem o Pyladies, o Maria Lab, o Mulheres na Computação… Procure um grupo na sua cidade para discutir o que pode ser feito para que as coisas mudem”, finaliza Iana.

Ilustração: Time Modefica

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