Três Meses Depois, Como Estão As Promessas De Ano Novo?

Três meses completos já se passaram desde a virada do ano. Entrando em abril, nada mais comum do que já estar envolvida nos problemas da vida e esquecer completamente daquelas famigeradas resoluções de ano novo, espalhadas pelas redes sociais até o começo de janeiro, seja porque já se tornaram hábitos introjetados, seja porque foram sendo postergadas até ficarem perdidas.

Quando as resoluções tratam das suas relações amorosas e interpessoais, no entanto, quão fácil é mantê-las ou esquecê-las? Curiosas, fomos atrás de leitoras que fizeram resoluções de ano novo ligadas ao campo dos relacionamentos e perguntamos como elas têm se desenvolvido nesses primeiros 90 dias de 2016.

Respeitar intuições

C., uma das mulheres com quem conversei, tinha um tema geral guiando suas resoluções nesse campo: a intuição. Ela tem caído fora das relações que não estão boas, comunicado claramente seus incômodos para seus parceiros, evitado os caras que ela já sente não prestarem e também recusado sexo sem muita vontade. Suas relações são muito melhores quando ela ouve e respeita aquela sensação de que algo está ruim e precisa ser resolvido, aquela intuição que costumamos ignorar (sempre tentando dar uma chance, achando que devemos aceitar algo que não seja tão ideal).

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O afastamento de relações que a gente sabe não levarem a lugar nenhum, relações em que somos sempre “plano B”, também é parte das resoluções de F., que explicou estar evitando também o “sexo-esmola”: “aquele que não vale nada, não te faz gozar, mas que por um segundo parece ser uma boa ideia. Finalmente aprendi que sexo ruim é pior que sexo nenhum”. O lema que F. aplica quando sente estar caindo nessas armadilhas e escapando da intuição é simples, mas eficiente: “eu sou boa demais para aceitar isso”.

Se abrir

A resolução mais frequente nas respostas foi alguma variação de “se abrir mais para os outros”, “se apaixonar”, “dar mais chances aos outros”. Em geral, as justificativas para esse medo de se abrir/apaixonar/confiar envolviam traumas antigos, corações partidos e a dificuldade de se recuperar dessas dores. A leitora M. explicou do jeito mais simples: “tenho sido uma pessoa muito fechada, com medo de quebrar a cara, e decidi que isso não é jeito de viver”.

Na prática, como elas estão se abrindo para novas possibilidades? Aceitando convites para sair, conversando no Tinder e no Ok Cupid, se esforçando para sair da zona de conforto, sem esperar aquele sinal de inspiração divina. Para muitas, tem sido uma experiência enriquecedora. Para outras, tem sido um pouco difícil. I. me respondeu suscinta, pelo Twitter: “fiz que ia dar mais chances para as pessoas, mas mal tô conseguindo dar chances para mim mesma”. Uma resposta bem mais longa, na forma de um email de uma amiga querida, trouxe à tona muitos dos efeitos, medos e desconfortos de sair da zona de conforto, especialmente no que diz respeito a relacionamentos:

“O que tenho percebido é que quanto mais eu me mantenho na minha resolução de me abrir, mais medos eu encontro. Mais receios, traumas, histórias que achei que não tivessem me machucado, mas na verdade fizeram cortes que até hoje não cicatrizaram. (…) O doido de manter a sua resolução – seja ela de ano novo ou não – é topar com essas coisas no meio do caminho, ver que o buraco é mais fundo do que você pensava, que nada é tão fácil quanto uma resolução pode parecer. Mas, ao mesmo tempo, é isso que nos abre para nos entender melhor e enfrentar medos e brigas que a gente nem sabia que tinha dentro da gente.”

As novas chances e possibilidades além do conforto não se resumem a permitir um novo encontro ou uma nova paixão, mas são, às vezes, ainda mais específicas: R., por exemplo, mal pode esperar para iniciar uma vida sexual, mas tem se sentido travar. Enquanto isso, L. começou a se envolver com um cara inteiramente diferente do seu “tipo” habitual, o que também permitiu que ela explorasse novos interesses e gostos no sexo; segundo ela, essa mudança tem aumentado sua segurança, autoconfiança e autoconhecimento.

E quando as resoluções não saem como o planejado?

B. estava em crise no relacionamento quando acabou o ano, mas decidiu que continuaria e melhoraria. Entretanto, relacionamentos não dependem só das nossas resoluções, e o namoro acabou recentemente. Já N., cuja história amorosa em dezembro deu reviravoltas, decidiu que em 2016 abriria mão das tentações do passado às quais se prendia por medo de algo novo.

Estava tudo correndo bem até que, no Carnaval, reatou brevemente com um caso de dez anos atrás. Entretanto, N. não deixou que isso a fizesse desistir e ofereceu um conselho valioso para quem também cometeu algum deslize em suas resoluções: “estou tentando não deixar isso me desanimar de uma decisão que é bastante boa para mim nesse momento da minha vida e tentando ver que cada caso é um caso; se eu tivesse prometido ir à academia todos os dias, mas deixasse de ir em um dia, isso não quer dizer que eu devo parar de ir para sempre!”

Imagem: Time Modefica

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