Um Novo Estudo Prova Que Os Homens Tendem A Interpretar De Maneira Errada Os Gestos E Falas Femininos

Não posso negar que às vezes sinto saudades do Orkut. Na verdade, não é saudade propriamente dessa rede social, mas de suas comunidades tão criativas e com títulos maravilhosos, como a comunidade “amigo, dou duro e não estou te dando mole”. Lembro-me que essa comunidade surgiu em resposta a uma outra, que trazia como título a frase feminina clichê, porém tantas vezes verdadeira, “sou legal, não estou te dando mole”.

Embora existam pessoas como Taty Ferreira, vlogueira do canal Acidez Feminina, crentes que a frase de defesa das mulheres, indicando a má interpretação recorrente dos homens diante de um suposto flerte, não passa de safadeza e dissimulação – porque tem gente que acredita sermos todas verdadeiras encarnações da figura de Capitu sob o olhar desconfiado de Bentinho, claro! – um estudo recentemente publicado na Evolutionary Psychology concluiu que os homens tendem sim a avaliar mal os gestos e falas femininos, entendendo-os na maior parte das vezes como um convite, um desejo e uma possibilidade sexual ou amorosa, quando eles, na realidade, apenas significam simpatia, educação e cordialidade.

Segundo o estudo, esse fato ocorre, basicamente, pois os homens possuem o instinto primata de passar adiante seus genes, enquanto as mulheres, por não terem essa desenfreada necessidade de reprodução, tendem a ser mais seletivas, escolhendo seus parceiros. Isso porque “copular” com o homem errado, não só pode levar a uma “emprenhadez” indesejada, o que acaba sendo muito ruim, visto que a mulher corre o risco de ter de criar o “filhote” sozinha, como também significa que ela não poderá reproduzir com outros machos melhores.

O estudo feito pela Evolutionary Psychology faz todo o sentido, mas acreditamos que seres-humanos são seres racionais e civilizados e, por mais que carreguem consigo instintos animalescos, são capazes de controlá-los e racionalizá-los, abafando-os e não agindo como macacos. Nada contra os macacos em si, mas sabemos que eles ficaram uns passos evolutivos atrás de nós. E, sinceramente, essa postura recatada da fêmea preocupada com as questões reprodutivas, particularmente, não me convence após a invenção de preservativos e diversos outros métodos anticoncepcionais.

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Mas então, por que os homens sempre entenderiam errado um sorriso feminino? Talvez porque homens, em geral, são muito autocentrados e precisam sentir-se cobiçados para sentirem-se alguém respeitável. Quase todas as vezes que converso com meus amigos homens, eles falam de meninas que não estiveram com, mas que têm certeza que estão muito “na deles”. Na cabeça esses homens, a menina está dando um tempo, fazendo-se de difícil, disfarçando a todo custo o seu evidente interesse. Afinal, eles cresceram ouvindo suas mães e pais dizendo às suas irmãs que “moça fácil não casa”, que “o homem é um caçador” e que, por isso, elas devem deixar todas as aproximações a cargo dele. Daí, esses pobres moços crescem confundindo um “bom dia” com um “me liga sexta a noite” e um “nossa, tirou a barba, ficou legal!” com um “me joga na parede e me faz mulher”.

É a sociedade patriarcal prestando mais um desserviço para nós. Compreendo que a situação seja complexa e que, nesse caso, os homens também são um pouco reféns dessa crença de que toda mulher desacompanhada quer ter um homem ao lado. Ou de que as mulheres sempre estão disponíveis para serem conquistadas, embora, e em contrapartida, estejam também sempre escondendo suas reais intenções. Porém devo advertir, como o própria estudo indica, isso não é verdade.

Nós mulheres desobedecemos os ensinamentos que tivemos e, na maior parte das vezes, demonstramos claramente nossas vontades. A clareza pode conter sutiliza, mas é seguramente perceptível. Nenhuma mulher interessada ignora ligações, diz repetidos “nãos” aos convites do seu objeto de desejo e nem o ignora solenemente. E, além disso, toda mulher interessada dedica uma atenção maior à pessoa, cada uma a sua maneira. De forma geral, a regra é clara: simpatia não é sempre quase igual a interesse sexual ou amor.

Ilustração: Time Modefica

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