Um Passeio Alternativo Por Nova Iorque

Não importa quantos guias e dicas já lemos sobre Nova Iorque, nunca parece ser suficiente. Nós já falamos sobre lugares maravilhosos para comer por lá. Agora, fazemos um passeio alternativo mostrando opções que nem sempre estão nos roteiros turísticos. Aqui evitamos passeios clichês; lugares comuns você pode até encontrar, mas com dicas diferentes do que fazer quando estiver neles. Se joga na cidade que não dorme, que pulsa, que vibra. E aonde você vibra junto.

Nosso passeio começa pelo incrível Bryant Park, e quando desembarcamos na estação 5th Avenue pela linha 7 ou na 42th Street nas linhas B/D/F/M e caminhamos um pouco entre as lojas suntuosas da famosa 5th Avenue, avistamos a imponente New York Public Library, um dos lugares mais interessantes da cidade por toda a história que abriga. No verão, não deixe de participar dos clubes de leitura lá dentro, cheios de pessoas bacanas.

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Biblioteca Pública na 40th St com a 42nd St entre Fifth e Sixth Aves – Metrô: B, D, F, M para 42nd St–Bryant Park; 7 para Fifth Ave

O Bryant Park é o lugar ideal pra todas as estações do ano, com atrações que vão fazer você se apaixonar ainda mais por essa imensidão verde bem no coração da Big Apple. Durante os dias quentes, sente-se na grama com seu leque, um suco e um chapéu para assistir uma das apresentações de Shakespeare, da The Drilling Company, ao ar livre, de graça de maio a setembro, e nem precisa dizer que a de Romeo and Juliet é maravilhosa. Pelo parque, você encontra mini-estantes com livros para pegar emprestado, barraquinhas de comidas e, para quem curte ioga, têm sessões gratuitas nas terças e quintas. Nas noites de verão, mais especificamente às segundas, você também pode montar acampamento para assistir a um filme delicioso em ótimas companhias.

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Se você for visitar o Bryant no inverno, o parque se transforma em uma enorme pista de patinação, perfeita pra fugir da multidão de turistas que invadem a pista do Rockefeller Center, e funciona de outubro a março com aluguel de patins por menos de $10 dólares. Vale à pena se aventurar, e se cair não tem problema porque eu ainda não disse isso, mas em Nova Iorque você pode ser quem quiser e até você mesmo. Ninguém está preocupado em reparar, tem muito mais coisa interessante para fazer.

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Bryant Park na 40th St com a 42nd St entre Fifth e Sixth Aves – Metrô: B, D, F, M para 42nd St–Bryant Park; 7 para Fifth Ave

Já o guia de museus, sejam mais ou menos famosos, é imperdível. Durante um dia no ano, normalmente em junho, você pode aproveitar a ‘Free Night Museum’ para visitar todos os museus localizados no Lower East Side: destaque para Poets House, Anne Frank Center, 9/11 Tribute Center e The Skyscraper Museum.

Outra dica para não gastar muito e escapar das filas gigantescas e teatros lotados de turistas, a Sleep No More é off-Broadway, uma peça de imersão aonde você interage com os artistas e com o local, um antigo hotel em Chelsea. O sucesso de crítica da troupe inglesa Punchdrunk é surpreendente e imperdível, com enredo inspirado em MacBeth, de Shakespeare, que te leva pra dentro de um film noir.

Do Bryant Park vamos rumo a outro parque da cidade, com uma história surpreendente. O High Line Park foi construído com reaproveitamento de detritos industriais e com o objetivo de ser um respiro na cidade de concreto que tinha uma linha de trem suspensa abandonada em um dos locais mais lindos da cidade, atravessando o Meatpacking District, Chelsea e Hudson Yards. A primavera e o verão são os melhores momentos para passear por seus jardins, seguindo de um extremo a outro da cidade, em meio a prédios, Whitney Museum, hotéis badalados, a vista do Hudson River e do skyline de Nova Iorque.

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High Line, Washington St e Gansevoort St – Metrô: A, C, E para 14th St; L para Eighth Ave

Como estamos no High Line, com extensão de mais de 10 quarteirões, descemos em um ponto estratégico e em poucos minutos caminhando podemos nos aventurar pelas ruas moderninhas do Meatpacking District, passando por Chelsea e West Village. Separe um dia todo pra desbravar essa região, e escapulir além dos cafés e lojinhas bacanas, sem medo de errar o caminho porque o legal é se perder e fazer grandes descobertas. Você precisa conhecer também o Chelsea Market, uma espécie de mercado moderno com comidas diferentes e apetitosas, pequenas lojas de roupas, acessórios, alimentos frescos e bebidinhas.

Partimos agora pra um dos passeios mais legais se você estiver disposto a andar bastante (aliás, Nova Iorque é uma cidade bem convidativa pra longas caminhadas, escolha então a máxima ‘less subway, more foot’, ou ‘menos metrô, mais pé’). Vamos atravessar a Brooklyn Bridge partindo do lado de Manhattan em direção ao Brooklyn. Se você quiser, a dica é se inscrever em um free walking na Free Tours By Foot e fazer a travessia guiada por uma pessoa local. Além de curtir o passeio, você ainda aprimora sua conversação. Indo com o guia ou não, aprecie com calma toda a travessia, tire fotos, pule, sorria, se emocione porque é lindo demais.

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Brooklyn Bridge – Metrô (só pra chegar até a entrada da ponte): 4, 5, 6 para Brooklyn Bridge/City Hall Stop ou J e Z para Chambers St

Ao aterrissar no Brooklyn, uma das regiões consideradas mais “cool” de Nova Iorque, vá ao Brooklyn Heights Promenade para uma vista de arrepiar da cidade que você só vê em filmes. Sente em um dos bancos, fique apreciando por um tempo pra guardar na memória. Ainda na região, caminhe por todas as ruelas históricas que encontrar. Depois de passear bastante, e se for sábado ou domingo, ache uma estação de metrô – apenas porque não dá para andar até lá – e desembarque na Fulton Street pra assistir a um culto gospel no Brooklyn Tabernacle. Independente da sua religião ou se você tem uma, esse é um dos programas mais imperdíveis e representa muito bem uma parte da cultura negra americana. Você vai querer voltar várias vezes pra cantar junto com o coral maravilhoso e empolgante.

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Brooklyn Tabernacle, 17 Smith Street entre Livingston e Fulton Streets – Metrô: 2, 3, 4 e 5 para Borough Hall; A, C, F e R para Jay St; G para Hoyt St.

Pra fazer comprinhas diferentes, não deixe de passar pelo Flea Market (176 Lafayette Ave entre Clermont e Vanderbilt Aves) e conferir as barraquinhas com peças vintage, arte e bijoux que você não encontra em outros lugares. Tome sorvete orgânico e coma cookies integrais deliciosos. De lá, Williamsburg é uma ótima pedida e um dos lugares preferidos de quem não quer rolê de turista. Se curte cerveja, tem a clássica Brooklyn Brewery, um dos ícones do bairro de muros grafitados. Se ama brechós, lá é o verdadeiro paraíso: corra para o maravilhoso Beacon’s Closet (74 Guernsey St ou 92 5th Ave) e mude seu conceito de brechó com uma infinidade de peças imperdíveis, separadas por cores, tomando cuidado para não deixar todo seus ricos dólares por lá.

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Mas não para por aí, tem mais. O Buffalo Exchange (504 Driggs Ave), uma opção bem diversificada, o Gruvnor’s (178 Fifth Avenue Park Slope), e o Monk (496 Driggs Ave), o mais carinho de todos, mas vale a visita.

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Brechó Beacon’s Closet – Metrô: L para Bedford Avenue ou East River Ferry: pegue o barco no Pier 11 (entre a 33 e 35th St)

Dos modelitos vintage, mergulhamos agora no mundo dos livros. Nova Iorque tem livrarias incríveis para você garimpar livros antigos, raridades e muitos e muitos exemplares do nosso tema preferido: o feminismo. Nem tem como dizer qual é a melhor, vá em todas e decida a sua favorita. Comece pela Strand Book Store (828 Broadway), o reduto indie dos livros a partir de $1, e vá em seguida para todas as outras: Bluestockings (172 Allen St), a livraria e café com leituras e discussões sobre raça, gênero, classes e sexualidade; Berl’s Poetry Shop (126A Front St), Archestratus (160 Huron St) e Idlewild Books (170 7th Ave South), especializada em línguas.

E ainda, se quiser encontrar vinis de todos os preços e pros melhores gostos, vá até o quarteirão da A1 Record Shop (439 East 6th St) para sair dançando pelas ruas com discos na mão.

Nova Iorque é uma metrópole com muitas outras dentro, com gente do mundo todo e o mundo todo espalhado por suas ruas. Esse guia é uma amostra das milhares de coisas bacanas que a cidade abriga, e se você já teve a sorte de perambular por lá e conheceu outros lugares fora do circuito turístico, conte nos comentários e compartilhe conosco.

Fotos: Juliana Lima

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