Estamos Vivendo (entre) os Melhores e os Piores Momentos da História

Estamos vivendo (entre) os melhores e os piores momentos da história da humanidade. Tenho sido bastante inspirado pela física quântica para entender esse novo mundo, e pela astrologia — principalmente por ser uma ciência que acredita na conexão (e na influência) entre homem e natureza — para entender esse momento de transição que estamos passando. Por isso tanta mistura de luzes e sombras, incoerências e fatos que não se entendem. Estamos entre histórias. Entre a lógica linear e a exponencial. Entre a escassez e a abundância. A fome e a obesidade. A disseminação de drogas sintéticas para estimular o autoconhecimento, a criatividade e a felicidade e a reconexão consigo (e a natureza) através da ayahuasca.

Lembra que a primeira grande previsão de fim do mundo neste século foi em 2012? Pois bem, ainda estamos aqui. Mas muitos acreditam que naquele momento o mundo começou a acabar. O mundo que conhecíamos se foi, abrindo caminho para um novo mundo e para um importante momento planetário. O “fim do mundo” dava conta de uma alegoria astrológica (mal interpretada) da transição de uma era.

É que, a cada 2160 anos, o Sol nasce na frente da constelação de um signo. Durante esse período, o planeta Terra passa a ser regido pelas características de tal signo (o que caracteriza a sua era). Saímos de Peixes e agora é a vez de Aquário (a sequência de signos vai no sentido inverso da que conhecemos). Mas, além dessa “troca de era”, estamos encerrando um ciclo de eras (já rolaram eras de todos os signos), o que acontece a cada 26 mil anos (!). Por isso a astrologia diz que não estamos vivendo apenas uma era de mudanças, e sim uma mudança de eras.

Mas a nova era ainda não chegou (e pensar assim nos liberta bastante). A data de início exato de cada era varia muito dentro de várias linhas de pensamento, e basta olharmos para os lados para perceber que ainda estamos em transição. A “nova era” ou a “era de Aquário” vem sendo esperada há bastante tempo, desde o movimento hippie da década de 1960 ou antes (e talvez lá é que ela tenha começado a
chegar mesmo).

Publicidade

Assim como a passagem do dia para a noite não acontece de uma hora para outra, existe uma transição, com sobreposição de luzes e sombras, entre as eras. Para alguns, o novo mundo (ou nova era) já chegou e para outros ainda vai chegar. Isso faz com que a gente viva com sentimentos misturados. Enquanto algumas pessoas estão lá na frente, outras estão bem lá atrás. Assim muitos de nós já temos consciência de uma nova era (por isso ela anda cada vez mais sendo tão falada por aí), mas ainda estamos praticando valores do velho mundo.

Não é à toa que cada vez mais pessoas vêm buscando respostas além das ciências, das tecnologias e da matéria. Buscam equilíbrio na alimentação, com a valorização da produção local e a desvalorização de produtos de origem animal, no autoconhecimento, na astrologia, na ioga e na meditação (atividades presentes em muitas organizações e instituições de ensino, para auxiliar no desenvolvimento humano).

Olhe para a timeline de qualquer rede social e você verá frases de autoajuda, fotos de ioga e meditação, trilhas e outros modos de contato com a natureza. Mesmo que as pessoas não se deem conta ou muitas vezes estejam somente acompanhando uma modinha (é bem verdade dizer), a transformação do ser tem valor. Talvez seja o início para muita gente.

 

“Viva o fim: Almanaque de um novo mundo” é o terceiro livro depois de “A moda imita a vida” e “Moda com propósito”.

 

Por outro lado, ainda há exemplos de sombra. O religioso Marcelo Crivella foi eleito prefeito do Rio de Janeiro em 2017, enquanto falamos de separar religião e política. Al Gore, ex-vice-presidente de Bill Clinton e ambientalista, não conseguiu se eleger como presidente, e Donald Trump com suas ideias à moda do “velho mundo” sim. A cantora drag Pabllo Vittar estourou nas paradas musicais, levantando a bandeira lgbtqs, e figurou em diversas campanhas publicitárias (inclusive para a Coca-Cola), enquanto o Brasil lidera o ranking mundial de homicídios a transexuais (ong Transgender Europe, 2016).

Por mais incoerentes que sejam (e muito difícil para alguns aceitar ou compreender), esses movimentos têm o valor da transição. Todos vão nos ajudar a chegar a um novo mundo. Assim como na natureza, nada acontece sozinho ou por acaso. Nas palavras de Mitchell Waldrop:

“Essa dança da coevolução produz resultados que não têm nada de caóticos.
No mundo real, ela produziu flores que são fertilizadas por abelhas,
e abelhas que evoluíram recebendo néctar de flores. Produziu tigres que
evoluíram perseguindo gazelas, e gazelas que evoluíram fugindo dos
tigres. Produziu milhões de criaturas que estão adaptadas umas às outras
das formas mais estranhas e também ao ambiente no qual vivem.”

 

Também me sinto inspirado pelo que dizem filósofos, cientistas e empresários, que estão de olho neste momento. O que os astrólogos chamam de era de Aquário é o mesmo que os economistas chamam de “capitalismo consciente” (e de que os taoistas já falam há muito tempo). É a era do conhecimento para os filósofos, ou era caórdica ou digital para os intelectuais. Enquanto os humanistas chamam de “revolução humana” (um novo humanismo). E os varejistas de “crise”. Quando olhamos de maneira holística e sem preconceito, vemos que existe uma convergência entre tudo, e a certeza de que estamos vivendo modelos ultrapassados.

Estamos num ponto do tempo em que uma era de quatrocentos anos está morrendo e outra está lutando para nascer — uma mudança de cultura, ciência, sociedade e instituições muito maior do que qualquer outra que o mundo já tenha experimentado. Temos à frente a possibilidade de regeneração da individualidade, da liberdade, da comunidade e da ética como o mundo nunca conheceu, e de uma harmonia com a natureza, com os outros e com a inteligência divina como o mundo jamais sonhou.

Quem disse isso foi Dee Hock, fundador da Visa. Já Michael Porter, papa do marketing e da administração de empresas, diz que o velho modelo do capitalismo e da estratégia corporativa está morrendo. “Estamos vivendo uma mudança de paradigma do prejudicar para o ajudar e isso transforma não só as empresas, mas principalmente o mundo.” Com isso, o próprio conceito de lucro e a finalidade das empresas (que sempre pareceu ser somente faturar) começam a se transformar (ou pelo menos ser questionados).

O último ciclo do velho mundo ficou conhecido como era moderna. Por mais de meio milênio, ela se desenvolveu com base em valores como o humanismo, hedonismo, materialismo, capitalismo, racionalismo, cientificismo, individualismo e outros “ismos”. Ela pariu a economia industrial e capitalista, a política estatista e colonial, alimentando-se do pensamento cartesiano — racional e analítico, mecanicista e determinista.

Com a revolução digital e a chance de conexão entre (quase) todos, aumenta a possibilidade de circular informação. Assim temos a chance de estabelecer uma nova consciência, para que a vida humana ganhe um novo sentido. De individuação e integração. Hoje existem condições mais favoráveis para que as pessoas assumam a sua autenticidade, sua autonomia e sua responsabilidade em relação a si mesmo, ao outro, à natureza e ao mundo, libertando-se assim das instituições que criou (Estado, leis, política…). Mas tudo isso de forma oposta ao humanismo narcisista que já existiu. Agora com a consciência de que somos parte do todo (integrado), e viemos a serviço dele.

 

Esse texto foi retirado do livro “Viva o Fim”, de André Carvalhal, com autorização da Editora Paralela. O livro já está à venda em todas as livrarias do Brasil e você pode comprar o seu aqui

Publicidade

André Carvalhal tem como propósito transformar pessoas e organizações, abrindo os olhos, a cabeça e o coração delas. Autor do best-seller A moda imita a vida: Como construir uma marca de moda (2014), é graduado em comunicação social, pós-graduado em marketing digital e especialista em design para a sustentabilidade.

Gostou dessa matéria? Compartilhe.
Tags

.