Uma Reflexão Sobre o Papel Social da Moda

“Backstage
O Backstage é o podcast do Modefica para falar sobre moda a partir de diversos pontos de vista e para muito além do que vemos nas passarelas, nas revistas, no Instagram e nas manchetes. Sempre com convidadxs especiais contando sua trajetória, e junto com nossa editora Marina Colerato, o Backstage debate indústria, carreira, questões de gênero e raça, temas quentes e futuro da moda. Ouça no Spotify ou iTunes.

 

O que é moda? Foi com esse questionamento que Marina Colerato começou o papo com Carolina Delgado, a carioca por trás do Puxadinho, um laboratório de experimentações antropológicas para um mundo mais plural. A missão da Carol é usar todas as ferramentas do conhecimento antropológico para transformar a moda e a beleza, retomando seu papel social de expressão e identidade. Uma missão difícil, mas que, segundo ela própria, é possível. “A moda é um campo de disputa de poder… um lugar de muito enfretamento”, afirma ela. E é exatamente por isso que é, também, “um lugar de muitas possibilidades”.

 

 

Sua tragetória mistura mão na massa dentro de movimentos sociais, como Afroreggae, com fazeção em grandes agências de publicidade. É por isso que Carol já trabalhou com algumas gigantes, como Nike e L’oreal, tentando transformar não só as campanhas, mas mostrar as diversas possibilidades que essas marcas têm de promover transformação social, gerar valor e garantir a própria relevância, sem precisar de greenwashing, socialwashing e todos os “washings” que nós bem conhecemos.

Num papel que ela chama de “consultora da vida real”, a antropóloga tem essa habilidade de aproximar as marcas das pessoas de forma honesta. Falando parece fácil, mas Carol garante que não é. O mercado está mudando porque o mundo está mudando. As marcas estão em crise e não sabem realmente dialogar com seu público, e isso está atrapalhando os lucros. “O mercado de moda nasceu, cresceu e está tentando se equilibrar totalmente num sistema de apropriação”, lembra ela. Com as redes sociais e uma articulação feminista e antiracista, principalmente, essa apropriação já não é bem vista e longe de ser bem quista. “Enquanto essas marcas e agências procuravam as tendências da próxima estação, o mundo se reconfigurou, e agora elas não sabem como agir”.

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No papo, foi impossível não olhar para a formação do Brasil – e da ecomonia capitalista global – como a grande fundamentadora das questões mais perversas da moda e do mercado. “A moda em sua essência é democrática, o mercado é antidemocrático”,  ressaltou Carol. Esse lugar democrático, vale ressaltar, tem a ver com identidade e não necessariamente com preço das roupas.

Em resumo, muita coisa para ouvir e pensar. Dá o play e compartilha nos comentários suas reflexões sobre o tema desse episódio.

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