Economia Afetiva e as Possibilidades Para a Moda Transcender a Si Mesma

“Backstage O Backstage é o podcast do Modefica para falar sobre moda a partir de diversos pontos de vista e para muito além do que vemos nas passarelas, nas revistas, no Instagram e nas manchetes. Sempre com convidadxs especiais contando sua trajetória, e junto com nossa editora Marina Colerato, o Backstage debate indústria, carreira, questões de gênero e raça, temas quentes e futuro da moda. Ouça no Spotify ou iTunes.

 

 

É possível pensar moda a partir de um outro prisma econômico? Para Jackson Araújo, sim. Nos últimos anos o consultor criativo, responsável por carregar uma bagagem de vasta experiência na moda, tem se dedicado a fazer e a espalhar a ideia de Economia Afetiva ou Economia do Afeto por ai. Ao contrário do que você pode pensar, quando Jackson fala sobre afeto, ele não fala (apenas) sobre afetividade no sentido completamente emocional da palavra. “É a possibilidade de você afetar o outro e ser afetado pelo outro em prol de alguma transformação”, explica ele. Para ele, a economia afetiva pode ser entendida também como a valorização do coletivo como forma de encontrar soluções de impacto para questões que não estão postas dentro do seu próprio modus operandi.

Desde 1980 trabalhando com moda, nas suas mais variadas vertentes, Jackson já fez um pouco de tudo e viu a indústria se transformar e sofrer mudanças significativas nas últimas 3 décadas. Uma parte da contribuição histórica de Jackson, principalmente pela sua familiaridade e trabalho com a escrita, foi ajudar a tirar a moda do caderno de fofoca das revistas e colocá-la em outros lugares: comportamento, economia, arte e cultura. Apesar de continuar escrevendo (você pode acompanhar os textos do Jackson pelo Medium), hoje ele faz consultoria criativa para marcas e projetos que querem experimentar novas formas de existir no mercado. “Eu ajudo marcas a se entenderem como protagonistas nestes processos, não é [sobre] chamar alguém para resolver um problema, porque isso não existe”, reforça.

Esse processo de se entender como protagonista é uma mensagem que Jackson manda para todos os profissionais de moda. Gravamos o podcast no ápice do derramamento de óleo no Nordeste e, para ele, não dá mais para quem trabalha com moda se colocar à parte dos acontecimentos e fingir que o mundo lá fora não está acontecendo. De olho no presente e no futuro, uma das problemáticas sobre as quais Jackson tem se debruçado e para a qual tem se colocado à serviço da solução, numa perspectiva de inovação, é a questão do lixo. É difícil ignorar o volume de resíduos têxteis produzidos anualmente pela indústria da moda e Jackson vem tentando trabalhar e olhar para isso de outras formas. Inclusive, uma das provocações que ele traz é que os resíduos gerados pela moda não são só os têxteis.

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Numa análise bastante certeira sobre qual a principal dificuldade da indústria hoje, o consultor traz a ideia de que “a moda está num momento de muita doença. E pela primeira vez, a moda não é sobre futuro. A moda não está conseguindo ser sobre futuro. Sabe por que? Por que é a primeira vez que a moda não consegue nem potencializar processos disruptivos nem criar novos processos. Porque a moda sempre foi sobre ter”. Hoje, qualquer tendência comportamental leva para o autoconhecimento que está diretamente mais ligado com o ser e menos ligado com o ter. “Então a moda não sabe mais o que dar para as pessoas”, completa ele. Ao não conseguir encontrar o caminho, a moda se volta para o passado, tentando recuperar a autocracia e o autoritarismo que antes funcionavam tão bem e, agora, não são mais aceitos pela maior parte da sociedade. Para superar e transcender essa crise, que é muito mais existencial do que econômica, a moda vai precisar descer do pedestal e ouvir o campo.

Mas essas ideias todas foram só o começo da conversa entre Jackson e Marina. Para ouvir tudo é só dar o play. Acompanhe o Jackson também no Instagram.

 

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