Tem Muita Moda Consciente Sendo Feita Por Mulheres No Brasil

Desde o início da conquista de espaços no mercado de trabalho, as mulheres vêm se destacando em cargos importantes, mesmo com as dificuldades e as desigualdades de gêneros impostas pela sociedade. Com a moda, desde sempre, não foi diferente. Basta pensarmos por alguns segundos que nos vem à cabeça nomes como Gabrielle Chanel e Mary Quant, revolucionárias em adequar, à beleza e estilo das roupas que criaram, uma necessária e já tardia liberdade.

Décadas mais tarde, com o avanço do fast-fashion e de suas enormes corporações, a consciência de uma moda mais justa, humana e ambientalmente eficiente começou a ganhar força no trabalho desenvolvido por mulheres. A britânica Vivienne Westwood, que, desde a época do punk incorporava às suas coleções mensagens de ativismo e insatisfação com as regras de conduta de uma sociedade desigual e intolerante, começou a agir com o mesmo entusiasmo em prol de uma moda menos insustentável.

Ela passa a questionar o consumo desenfreado, criar e apoiar campanhas ambientais – como sua Climate Revolution e outras tantas em defesa ao meio ambiente. Sua frase “Buy Less, Choose Well, Make It Last” (Compre Menos, Escolha Melhor, Faça Durar), já é lema entre os defensores da moda slow e do consumo consciente.

Também de Londres e igualmente renomada, a designer Stella McCartney praticamente dispensa apresentações de seu “ativismo fashion”. Vegetariana convicta e defensora da causa, assim como seu pai, o Beatle Paul McCartney, deixa claro que não usa matéria prima animal, como couro e peles. Frequentemente participa de eventos e campanhas pela moda cruelty free, apoiando ONGs como o Fashion Revolution, ITC Ethical Fashion Initiative e o PETA – People For The Ethical Treatment of Animals (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais). Em seu site, é possível acompanhar todas as ações e projetos que recebem seu suporte.

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As duas estilistas, que se encontram no topo da pirâmide da moda consciente, são, felizmente, inspirações e incentivo para a criação de uma moda com responsabilidade harmonizada ao estilo, elegância, identidade, estética e luxo – características que fizeram com que a área se transformasse, ao longo dos anos, nessa arte notória. No Brasil, já temos nossas representantes, exemplares da moda consciente. Designers que inovaram com coragem e persistência e agora, mais do que nunca, começam a se destacar e ganhar reconhecimento, também inspirando novas gerações de profissionais.

Flávia Aranha

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Foto: Reprodução Valor // Regis Filho
Das pioneiras no país, em sua marca Flávia Aranha se especializou em modelagens atemporais, tecidos de algodão puro e linho e tingimento com corantes naturais, como folhas, cascas de árvores e chá. Desenvolve projetos com comunidades para a troca de experiências e o desenvolvimento de novas matérias primas, preza pelo artesanal e a busca da brasilidade, perdidos pelo ritmo acelerado da moda e pela globalização e massificação do estilo. Flávia representa o slow fashion brasileiro exportando suas peças para a Europa e o Japão.

Fernanda Cannalonga

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Foto: Reprodução // FFW
Estilista, empreendedora, engajada e antenada, ainda novinha, com apenas 13 anos, Fernanda criou a marca Violet Shop, pioneira loja virtual voltada ao público adolescente. Depois de alguns anos de muito sucesso e já formada em moda, criou a Canna, marca de acessórios 100% brasileiros que são produzidos de forma artesanal e em pequena escala, privilegiando o design minimalista. Sua matéria prima é produzida em unidades fabris ecológicas na Bahia e no Rio Grande do Sul, que realizam reciclagem de matéria prima e de resíduos industriais, além de reaproveitamento quase total da água. As peças da Canna também são vegan-friendly, feitas apenas com materiais sintéticos e vegetais. O comércio justo também é prioridade da designer e seus artesãos recebem pagamento acima da média e um horário de trabalho flexível.

Gabriela Mazepa

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Foto: Cortesia Gabi Mazepa

Nós já falamos aqui do trabalho com upcycling dessa estilista curitibana, que, em seu ateliê no Rio, onde mora, (des)costura e transforma com sua marca Gabriela Mazepa, reaproveitando o que já está pronto e “abrasileirando” suas criações, para que cada uma delas carregue sua própria história. Ela já chegou a fazer parceria com uma das maiores facções do Sri Lanka, transformando peças com pequenos defeitos e coleções passadas em roupas e acessórios novos. Seu talento com o reaproveitamento na moda foi reconhecido no Prêmio Brasil Criativo, onde foi semifinalista, e, atualmente, faz parte do movimento Roupa Livre.

Ana Sudano

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Foto: Reprodução
Estilista há 15 anos, a mineira de Nova Lima, logo ao lado de Belo Horizonte, já trabalhou com profissionais e marcas de renome, como Graça Ottoni, Printing, Patricia Motta, Alphorria, Gilda Midani e Animale. No ano passado, seguindo a proposta consciente da moda em que acredita, lançou sua própria marca, a Grama Roupas Ecológicas, onde ações e políticas empresariais socioambientais são o foco. Atuam com diversas comunidades e ONGs em Nova Lima, incluindo um grupo carcerário, para empoderamento e comércio justo. A marca já participou, com premiações, do Minas Trend Preview e do Paraty Eco Fashion. Também desfilou seu Inverno 2015 no Vancouver Fashion Week, em março desse ano, no Canadá.

Pamela Magpali e Bárbara Mattivy

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Foto: Pamella, Bárbara e Laura // Reprodução
A Insecta Shoes, outra marca presente em diversos momentos aqui no Modefica não teria como ficar de fora dessa lista, pelo trabalho cada dia mais reconhecido das sócias gaúchas Pamela Magpali e Bárbara Mattivy, que agora contam também com Laura Madalosso. A ideia surgiu quando Barbara não sabia o que fazer com algumas roupas XXL que tinha comprado e veio o clique de reutilizar o tecido das peças produzindo sapatos artesanais, veganos, ecofriendly e feitos no Brasil. O mix de boas atitudes deram tão certo que, além da loja virtual que entrega em todo o mundo, elas inauguraram, há pouco tempo, a primeira loja física da Insecta em Porto Alegre. O espaço também segue a proposta e mantém práticas sustentáveis diversas. Como elas não param, já vem mais novidade por aí: uma linha criada com tecidos de garrafas pet recicladas e com as estampas, desenvolvidas por elas, impressas em tintas à base d’água.

Débora Nardello

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Foto: Reprodução
Gaúcha que mora no Rio de Janeiro, Débora escolheu trabalhar com o upcycling em sua marca Lusco Fusco para colocar em prática a consciência para questões ambientais. Sua base é o aproveitamento total de tecidos e retalhos vindos de confecções, para o mínimo possível de desperdício e o apoio à mão de obra local. Além das roupas, ela mantém um blog da marca onde escreve sobre os conceitos da moda sustentável e o consumo consciente. Nesse ano, lançou também o FanZine Semente, uma publicação independente que aborda moda, design e sustentabilidade mostrando projetos sustentáveis que estão fazendo a diferença pelo Brasil. É gratuito para os assinantes de sua newsletter.
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  • maravilhosas <3

  • Sílvia S.

    Caramba! Eu fui colega da Debora Nardello na faculdade há 5 anos e não sabia que ela tava nesse caminho tão legal agora!! Parabéns pra ela!