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A Relação Entre Guerras, Commodities e Crise Climática

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  • Bárbara Poerner
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Conflitos criam pressão sobre preço de commodities e territórios, gerando maior destruição ambiental, violência contra mulheres e vulnerabilidade social.

Há pouco mais de um mês, parte do mundo voltou sua atenção para Rússia e Ucrânia. Foi o início de uma guerra, ainda em curso, entre ambos países. Esse tipo de conflito, além de desviar a atenção da crise climática e do que precisa ser feito em relação a ela, também impacta o meio ambiente e afeta populações já vulneráveis de outras formas. 

Isso porque falamos de um espaço físico onde os combates se desenvolvem, implicando na mobilidade, acessibilidade e segurança humana e não-humana. “Existe um grande acúmulo de resíduos, de emissões de gases tóxicos, bombas, armas, resquícios das estruturas destruídas e do atingimento de estruturas básicas, além de substâncias químicas nocivas ao meio ambiente”, explica a internacionalista Marianna Oliveira. “São danos que vão permanecer por muito tempo”, continua ela, que é professora de geopolítica e segurança internacional e pesquisadora associada ao Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE). 

Guerras nessa configuração têm como mecanismo principal os contingentes bélicos. Em outras palavras, como explica Marianna, “a ferramenta principal são as tecnologias militares, de finalidades diversas, como conquista de território, atingir alguma estrutura básica de funcionamento e redes energéticas”. Em síntese, ela elenca os fatores de proporção, número de atores envolvidos e o uso deliberado de forças militares como principais critérios para definir uma guerra.

Tudo isso provoca uma enorme ruptura social, instaurando novas dinâmicas de violência. Para a diretora científica adjunta do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) Patrícia Pinho, esse é mais um fator de exposição e vulnerabilidade dos ambientes e ecossistemas, e consequentemente das populações humanas aos eventos climáticos extremos. A cientista acrescenta que “no caso de uma guerra, a gente sabe que toda e qualquer emissão piora o aquecimento global, então tem esse [agravante] tanto na produção de gases aéreos como também no impacto que diz respeito à destruição ambiental. A dimensão de uma bomba ou ataque é de uma magnitude de 50 quilômetros de extensão”, explica ela, que faz parte da elaboração do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) no Brasil.

Rússia e Ucrânia

No conflito atual entre Rússia e Ucrânia, Marcelo Rocha vê a transição energética como um dos motivadores, pois existe um interesse grande dos países do leste europeu em explorar os reservatórios de petróleo na região. Por outro lado, parte da mídia tradicional e alguns esperançosos dizem que essa pode ser uma possibilidade para a União Europeia (UE) pensar em formas de migrar para “energias verdes”. Marcelo, que é diretor executivo do Instituto Ayika, que atua conectando gênero, raça, clima e território, até acha possível, mas não vê disposição política. Ele diz que existe um discurso midiático acerca do tema, mas acrescenta que discorda do conceito muitas vezes exposto de “energia limpa”. No caso do que pode surgir a partir do conflito entre Ucrânica e Rússia, fica claro o porquê. “Não tem como falar que produz energia limpa se ela tem sangue de pessoas. Isso não é uma transição justa. Isso mantém um processo que não envolve justiça climática e só pensa em sistema econômico. Existe a possibilidade de transição, mas receio que ela não seja justa”, afirma ele. 

A visão do diretor é semelhante a de Marianna, que vê pouca probabilidade da UE mudar sua matriz energética no momento. “Não sei dizer o quanto eles querem e estariam dispostos nessa conjuntura para conduzir essa mudança, não vejo como prioridade coletiva, é possível os estados estabelecerem matrizes verdes, mas o custo é muito alto”, complementa a internacionalista. “Essa guerra tem mostrado que existem empecilhos que podem tornar o custo dessa energia alto”.

Ouro, sangue e abuso sexual de meninas e mulheres 

Para além da “energia verde”, o ouro foi outro recurso que despendeu atenção – e alta de preços. Em março, a cotação do minério subiu mais de 14% quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Com isso o risco de garimpo e exploração no Brasil também. O país é um dos maiores exportadores ilegais de ouro. Conforme apontado pelo Instituto Escolhas, entre 2015 e 2020, 229 toneladas (mais de 4 Titanics) de ouro com indícios de ilegalidade, quase metade da produção nacional, foram comercializadas. A pressão sob os preços acontece num momento particularmente ruim para o Brasil, que já vim com alta na exploração de ouro ilegal. Marcos Sabarú, assessor político da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), aponta que “com o preço do [minério] lá em cima, FUNAI desmantelada, IBAMA sem força de fiscalização e com uma bancada dando apoio a esse tipo de gente… está feito, é o país das maravilhas, o ouro vai ser garimpado e vendido”.

Sabarú diz ver um impacto direto da guerra na população indígena e destaca que “não tem um governo que fiscaliza, mas pelo contrário, temos um que flexibiliza”, ao se referir a gestão de Jair Bolsonaro, que é declaradamente a favor da exploração e da não demarcação dos territórios de povos originários. O garimpo em Terras Indígenas (TI) segue em alta na Amazônia legal. Só em terras Yanomami, a prática avançou 30% em 2021, destruindo o equivalente a 500 campos de futebol. “Quem perde é a sociedade, mas as pessoas acham que são só os indígenas”, sinaliza o assessor. 

Um relatório recente da Hutukara Associação Yanomami sobre a devastação que o ouro tem causado nas terras Yanomami revela como os garimpeiros ilegais têm usado de violência contra os indígenas, sobretudo meninas e mulheres. Os relatos de abuso sexual são explitos e mostram que os garimpeiros exigem que as famílias dêem meninas e jovens para serem estupradas em troca de comida. Para os indígenas, “depois que os garimpeiros cobiçaram o outro, estragaram as vaginas das mulheres, fizeram elas adoecer”. Três crianças de 13 anos morreram em decorrência dos abusos sexuais sofridos.

Mas porquê o preço do ouro aumentou? Marianna explica que os motivos não acontecem no vácuo e não ocorrem em todos os embates armados globais. Mundialmente, as reservas do mineral não são as mais utilizadas. Mesmo que cada banco e Estado preservem a sua, são outras moedas que têm prioridade. Por isso, a internacionalista avalia que essa é uma particularidade impulsionada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, pois a primeira, “se vendo estrangulada pelas sanções e reservas congeladas, busca outro meio de conseguir negociar. [O país] não pode usar dólar, euro, rubros… então usa ouro”, analisa. 

O equivalente a 4 Titanics de ouro foram extraídos com índicio de ilegalidade entre 2015 e 2020

Fonte: Raio X do Ouro: Mais de 200 toneladas podem ser ilegais – Instituto Escolhas

As possibilidades para outras commodites 

Ainda, outro fator relacionado ao conflito foram os fertilizantes. O Brasil, um dos maiores consumidores, depende quase 100% da importação do aditivo. A Rússia fornece boa parte desse total, mas com a guerra atual e respectivas sanções econômicas à nação russa, as exportações estão incertas e o setor do agronegócio apreensivo. Bolsonaro, há poucas semanas, declarou que essa era uma boa “oportunidade” para explorar potássio, um dos componentes dos fertilizantes, e voltou a apoiar o Projeto de Lei 191/2020, que prevê a mineração em TI, ao afirmar falsamente que dessa forma não faltaria o químico agrícola. 

“O governo disse que precisa garimpar as TI por elas terem grandes reservas de potássio, mas isso não é verdade. Você aumenta a pressão para TI quando diz que vai faltar produtos agrícolas para produção”, pondera Sabarú. O presidente mentiu ao dizer que o macronutriente deve ser, invariavelmente, explorado em terras indígenas e por isso a urgência em aprovar o PL – que, agora, está em tramitação no Senado. 

Outras guerras

O combate entre Rússia e Ucrânia não é o único existente, embora pareça ser pelo excesso de repercussão na mídia ocidetal.Patrícia aponta o conflito na Síria, que começou em 2011, e destaca um capítulo do IPCC onde discorreu sobre a questão. “[O país] se tornou um lugar emblemático. Milhares saíram da região por causa da guerra, de perseguição política, social e étnica. Isso não deixa de estar vinculado ao estresse hídrico e à erosão do processo de agricultura, já que as pessoas não têm como se manter em determinada área”, explicou ela. 

A fome é uma mazela que atinge, principalmente, países com sistemas agrícolas dependentes do clima. Em 2018, em média, a agricultura representou 37% do PIB em nações afetadas por conflitos. Ou seja, quando uma área é destruída em um embate armado, parte da subsistência das comunidades locais também se deteriora. O Lago Chade, tema de pesquisa de Marianna em seu mestrado e responsável por fornecer água para mais de 20 milhões de pessoas, foi duramente atingido pelos longos períodos de guerra. 

A enorme concentração hidrográfica inclui os países Níger, Nigéria, Chade e Camarões, mas tornou-se, nas últimas quatro décadas, um enorme espaço seco ao perder mais de 80% da sua superfície de água. O motivo são vários e perpassam a construção de hidrelétricas, má gestão ambiental e também o intenso fluxo migratório causado pelos conflitos na região, impulsionados pelo grupo Boko Haram. Isso configura, segundo a internacionalista, uma guerra hídrica, onde o recurso transforma-se em algo a ser disputado.

Outros episódios podem ser observados na Guerra do Vietnã (1959-1975), onde militares estadunidenses disseminavam químicos para destruir, deliberadamente, as matas nativas da região e impedir combatentes vietnamitas de proteção e camuflagem, prática que ficou conhecida como Agente Laranja. Ou ainda a Guerra do Afeganistão (2001-2021), que resultou em um desflorestamento de até 95% durante as décadas de guerra no país; e em embates na região do Iraque, que ao longo de anos drenaram parte dos pântanos da Mesopotâmia, no Oriente Médio.

É por território

Inúmeros conflitos, entre guerras ou não, são motivados por disputas territoriais. Elas, por sua vez, são agravadas pelos efeitos da crise climática. Para Marcelo, “todas essas proporções aumentam e abastecem as desigualdades, deixando as pessoas à margem da humanidade”, avalia ele. “Com as mudanças climáticas, temos perdido territórios, e o grande chamado global é para que a gente possa nos entender enquanto humanos e comunidade, entender que vivemos no mesmo planeta, mas temos visto quem está no cruzeiro e navio está querendo eliminar quem está do lado na tempestade. E isso já esperávamos”, continua o diretor. 

Em consonância, Marianna complementa que o ponto de partida é, quase sempre, o mesmo: disputa por território, controle de recursos e controle de rotas; com isso, a imigração torna-se recorrente. A internacionalista explica que: “a guerra deteriora o ambiente no qual as pessoas vivem. São milhares que não eram imigrantes climáticos, mas se tornam por causa da guerra”. 

O número do primeiro, inclusive, têm superado os daqueles que migram por conta de conflitos armados. Conforme o relatório Global Peace Index 2019, de 2017, 61,5% das migrações humanas no mundo foram causadas por desastres climáticos, enquanto 38,5% dessas movimentações foram provocadas por conflitos armados. Voltando à questão Síria, o clima, não o conflito, levou muitos refugiados sírios ao Líbano. 

No caso específico entre o país russo e o ucraniano, ela diz se preocupar com os imigrantes na Europa, dado o histórico recente de racismo e xenofobia de diversas nações, além dos núcleos e expansão nazista na própria Ucrânia e todo leste europeu. Isso ficou evidente até na cobertura midiática do Norte global. Não faltou comoção para dizer que a Europa não merece passar pela guerra, afinal, essa prática é “coisa de países africanos” ou “subdesenvolvidos”. Em vídeos no país ucraniano, foi possível ver pessoas negras sendo barradas de entrar em locomoções para deixar o Estado. Para Marcelo, esse tipo de mecanismo pode ser visto também no Brasil e na América Latina. Na visão do diretor, está tudo ligado ao “pacto narcísico da branquitude”, conceito da teórica Cida Bento.

Vale destacar, nas palavras de Patrícia, que a imigracao não é homogênea. “As pessoas que têm mais recursos, níveis de conhecimento e meios econômicos migram para diferentes regiões por opção. Já as mais pobres e suscetíveis, têm migrado de forma caótica e ocupando áreas que já são vulneráveis e propensas a múltiplos perigos”. No Sul global, países com histórico de colonização e exploração somatizam os deslocamentos: são imigrantes do clima e imigrantes de guerra. Por exemplo, no ano de 2018, na Etiópia, Somália, Sudão do Sul e Sudão, 3,8 milhões de pessoas migraram por conflitos e pouco menos de um milhão de pessoas por desastres climáticos extremos, como inundações, conforme a Oxfam. Os quatro países também estão enfrentando impacto de uma série de secas intensas em 2011, 2017 e 2019, que destruiu grande parte de sua subsistência com a agricultura e pecuária. 

O impacto das guerras para as mulheres

O estupro e outras formas de abuso se tornam armas durante os conflitos bélicos. As mulheres são abusadas, ora como forma de premiação, ora como demonstração de domínio e poder sobre o corpo-território. Um exemplo é o ocorrido em Ruanda, no ano de 1994. Conforme o artigo O Tribunal Penal Internacional Para Ruanda E A Proteção De Mulheres Vítimas Do Genocídio, meninas e mulheres sofreram com um intenso massacre durante a guerra que aconteceu no país. Já na década atual, a ONU Mulheres alerta para um cenário violento. Estimativas mostram que 54% daqueles que precisam de assistência, devido à crise, são mulheres. Quanto aos refugiados, mais de 2,3 milhões dos advindos da Ucrânia são em grande maioria mulheres e crianças. 

Como as guerras agravam a crise climática, elas também são um dos grupos mais duplamente afetados. Esse é um consenso de alta confiabilidade, explica Patrícia. “No âmbito da crise climática e de conflitos, sejam ambientais, fundiários e de guerra, mulheres são o grupo mais vulnerável”, diz. A pesquisadora cita o exemplo de algumas regiões do continente africano, como Moçambique, que sofrem com secas extremas. “Elas ficam para trás porque estão cuidando das crianças, idosos. Abandonam as mulheres e deixam elas ali. Elas são as últimas a irem”, completa a cientista. 

Há tempo para guerrear em meio a crise climática?

Guerras “não só aumentam a vulnerabilidade dos ecossistemas e espécies, mas pioram a crise climática com o agravante de desviar atenção e esforços coletivos para o assunto”, explica Patrícia. O último IPCC, divulgado em fevereiro de 2022, deixou bastante grifado que as ações necessárias ainda não foram tomadas para lidar com o problema. “A crise climática já está impactando ecossistemas e pessoas sem precedentes, mas temos um déficit de estratégia de adaptação. As pessoas precisam se adaptar, só mitigar não adianta. Já é alertado que uma pessoa com 25 anos vai ter um mundo com 50 vezes mais ondas de calor do que o atual”, aponta a cientista.

Gastos em armamento bélico em 2020

Estados Unidos US$ 778 Bilhões
Rússia US$ 61,7 Bilhões
Fonte: Military Spending by Country 2022 – World Population Review

Emissões de gases do efeito estufa desde 1850

Estados Unidos 20%
Rússia 7%
Legenda
Estados Unidos Rússia Restante do mundo
Fonte: Analysis: Which countries are historically responsible for climate change? – Carbon Brief

Ou seja, as atenções deveriam estar concentradas nesse temas, mas Marianna complementa ao dizer que “quanto mais [os países] se envolvem numa guerra, menos gastam esforços em mitigar os efeitos da crise climática. Não que estivessem de fato engajados, mas acho que em termos diplomáticos e institucionais são dois dos países [Rússia e EUA] que incitavam esforços coletivos. Sem a atenção dessas grandes potências voltadas para essa questão, ela tende a ficar congelada e estagnada, e a gente leve mais tempo até retomar”, explica ela, ao apontar também como a diretriz da maioria dos Estados não inclui o meio ambiente no seu planejamento e reproduz o pensamento conservador do tripé “economia-política-defesa”.

O orçamento despendido para conflitos bélicos é enorme. Estados Unidos e Rússia aparecem entre os cinco países que mais emplacaram recursos econômicos com gastos militares em 2020, com US$ 778 bilhões e US$ 61,7 bilhões, respectivamente. Ambas nações estão envolvidas com o cenário atual na Ucrânia, ao mesmo tempo em que fazem parte da lista de maiores poluidoras do planeta. Historicamente, o norte-americano foi responsável por 20% do total global de emissões de GEE desde 1850, conforme análise do Carbon Brief. O país russo não fica muito atrás, aparecendo na terceira posição, concentrando 7% das emissões. Ao mesmo tempo, o relatório O Estado das Finanças para a Natureza no G20 da ONU, concluiu que, em 2020, os países do G20 investiram US$ 120 bilhões em NbS (soluções baseadas na Natureza, em tradução livre). 

Sabarú acrescenta que além de tirar o foco da crise climática, a guerra também mina as estratégias de adaptação e mitigação. “A busca por inventar a roda é uma tese vencida. A roda já foi inventada. Como salvar o planeta? A TI é onde tem a parte verde, onde tem [a maior parte] de preservação e proteção da fauna e flora, água limpa e oxigênio. A solução não seria demarcar mais TI, pra baixar um grau na temperatura? Ter os quilombos regularizados, mais partes ecológicas sendo feitas?”, questiona ele. No entanto, ele reforça que a responsabilidade de salvar o mundo não é dos indígenas, é da sociedade em seu conjunto – reconhecer o papel, demarcar e proteger TIs é uma forma de assumir tal responsabilidade. 

Porém, nada do que acontece é ao acaso, na visão do assessor. Ele avalia que, no caso do conflito entre Rússia e Ucrânia, o petróleo e o gás estão no centro do embate enquanto o pano de fundo é a economia europeia, por isso também grande interesse dos EUA no embate. “[Eles são] o único país do mundo que usou bomba atômica. A economia gira em torno da guerra, eles fabricam armas, a guerra é um negócio, política e economicamente”, finaliza ele.

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