Roupateca Cria Novas Possibilidades de Relacionamento com a Moda e com as Roupas

“Backstage O Backstage é o podcast do Modefica para falar sobre moda a partir de diversos pontos de vista e para muito além do que vemos nas passarelas, nas revistas, no Instagram e nas manchetes. Sempre com convidadxs especiais contando sua trajetória, e junto com nossa editora Marina Colerato, o Backstage debate indústria, carreira, questões de gênero e raça, temas quentes e futuro da moda. Ouça no Spotify ou iTunes.

Daniela Ribeiro traz para o novo episódio do Backstage uma proposta de repensar consumo e quebrar a barreira da posse com sua biblioteca de roupas, a Roupateca. Fundada há cinco anos, o guarda-roupa compartilhado fica no bairro de Pinheiros, em São Paulo, e, apesar de ter um formato parecido com uma loja convencional, busca provocar as mulheres a exercitarem uma nova relação com as roupas. Nossa editora-chefe, Marina Colerato, conversou com Daniela sobre sua trajetória com a Roupateca, as dificuldades e ganhos de pensar um novo modelo de negócio na moda. 
 

 
Em 2013, a gravidez e licença maternidade foram uma quebra da vida agitada da publicitária, que decidiu realizar um curso de consultoria de estilo e se apaixonou pela ideia de usar a moda como ferramenta para impactar a vida das pessoas. Após perceber que muitas clientes consumiam demais, tinham os guarda-roupas abarrotados, mas continuavam se sentindo infelizes, ela criou, junto com sua sócia na época, um bazar para que elas trocassem ou vendessem as peças. 

A experiência foi um sucesso, teve três edições, mas a dificuldade de monetizá-lo e o surgimento de outras iniciativas do gênero lhe deram uma outra ideia. “Era uma oportunidade de pensar em uma nova dinâmica porque, querendo ou não, o bazar continua estimulando que a pessoa consuma a roupa”, conta. Foi após se inspirar em um projeto em uma viagem à Amsterdã, a biblioteca de roupas Lena, que Daniela concebeu uma versão beta da Roupateca em 15 dias. 

Em setembro de 2015, o guarda-roupas compartilhado disponibilizou 50 assinaturas e recebeu respostas positivas. Desde então, o negócio já passou por vários momentos, mentorias, e segue sendo, como Daniela define, “um processo educacional que desconstrói muitas camadas da relação com as roupas e com o consumo”. A motivação do Roupateca é que as roupas tenham o ciclo de vida útil muito mais prolongado e as mulheres rompam com o estímulo ao consumo desenfreado. 

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Quem chega à biblioteca encontra o acervo principal, com peças novas e diferenciadas. Daniela explica como é feita as escolhas das roupas, como, por exemplo, a preferência por peças com caimento mais diverso possível, para atender o maior número de corpos e gostos. Existem três planos mensais, que diferem em preços e quantidades de peças que a pessoa pode tirar por vez. Há também a  opção de “mala de final de semana” e “mala de viagem”, no qual a cliente usa o serviço pontualmente para a ocasião específica. 

Marina pontua que o modelo de negócio é inovador e o que temos de mais parecido no mercado são as lojas de aluguel de roupas de festa, mas com fluxos totalmente diferentes da Roupateca. Daniela nos conta sobre as maiores dificuldades de manter um negócio que não tem antecedentes para se basear, o fluxo de assinantes e a desconstrução e conscientização da mente de clientes que sempre querem novidades no acervo. “Aqui tem quase duas mil peças. Mesmo que você use a mesma peça duas vezes, por que essa necessidade de, toda semana, precisar ver uma coisa nova no acervo?”, questiona. 

 

Democratização do serviço

O empreendimento vê, atualmente, maior abertura tanto de clientes quanto do mercado para entender esse modelo educacional de gestão de roupas e diminuição de consumo. “A mudança só é possível com essa mistura. Quanto mais você fica dentro da bolha, mais você fica imerso nas tuas questões, na tua zona de conforto”, afirma Daniela. 

Depois de muitos estudos, incluindo uma aceleração em 2019, o próximo passo do Roupateca, para abril, é abrir sua versão online, que promete democratizar mais o serviço para pessoas em outras localidades da cidade. A versão beta contará com 300 peças e será um experimento para entender como essa interface e dinâmica funcionará entre os assinantes e o negócio. Por fim, Daniela também compartilha sobre o projeto Roupateca Social, que está sendo estudando junto com a Carol Delgado, para atender demandas práticas de mulheres que tenham alguma deficiência social em relação à roupa. 

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