Viktor & Rolf Fall 2016: Um Exercício De Upcycling À La Couture

Em se tratando de moda, Viktor & Rolf é uma dupla que nunca desaponta. Desfile após desfile, toda a magia de uma boa criação de moda, vez ou outra com direito à sátira, sem trair o belo e a usabilidade, se faz presente. Afinal, essa é (ou deveria ser) a essência das passarelas, ainda mais de alta-costura: make a statement (fazer uma afirmação).

Porém, nessa temporada de inverno 16, a dupla Viktor Horsting e Rolf Snoeren olhou para o passado para criar as peças do presente. Mas salve lá, sem nostalgia. “Você olha para o passado de uma maneira neutra. Tudo se torna equivalente nessa nova textura”, disse Rolf à Vogue. De fato, esse é poder do upcycling: pegar o velho, ou o que está em desuso e, com habilidade, transformar em algo totalmente novo.

Algumas das calças da extinta marca masculina Monsieur foram decoradas e transformadas em novas peças. Sobras de tecidos de uma coleção de 1993 viraram jaqueta, assim como retalhos de peças da coleção de verão 2015 e Red Carpet foram transformados em saias e vestidos. Como Amy Verner disse em seu review: “o ateliê fez um trabalho tão incrível desses [tecidos] remanescentes, que o resultado pairou entre arte e artesanal – isso era um tweed em arte póvera ou pontilhismo têxtil?”.

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De fato, é importante ressaltar que o exercício do upcycling é algo que precisa ser, essencialmente, criativo. É isso que vemos nessa coleção, muito mais do que qualquer relação com sustentabilidade que possamos desejar; o upclycing nas passarelas é, acima de tudo, um desafio de técnica e criatividade para os estilistas, além de ser, obviamente, uma influência dos tempos atuais.

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No topo disso, em se tratando de estética, as cartolas pontuaram os looks com referências à estética dandy misturadas a muitas camadas de tecido, no melhor jeitão “girls meet boys meet girls”. Tudo bastante “usável”, considerando que as referências e as formas vieram das roupas.

No final, seja pela sustentabilidade ou pela criatividade, ver mais uma coleção a partir do upcycling na passarela, e ainda mais tão bem executada, é uma situação de ganha-ganha para a moda. Para os designers, segundo Rolf, foi igualmente positivo dar novo uso ao que estava acumulado: “É uma sensação boa, como um novo começo”.

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Para ver a coleção completa, acesse vogue.com.

Imagens: Reprodução

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