5 Passos Simples Para Não Cair no Greenwashing na Moda

Com a moda “verde” em ascensão, infelizmente o greenwashing [1] também ascende. E é fácil cair nele. Seja aquela linha de calçados veganos que todo mundo pensa ter sido feita localmente (mas confira a sola e você vai ver que foi feito na China) ou aquela bem sucedidada marca ecofriendly que bem discretamente está produzindo suas roupas cada vez mais longe (em condições sob as quais não sabemos) ou até mesmo aquela designer famosa muito celebrada por seu comprometimento com a causa animal e sustentabilidade, mas que não é vegana muito menos pode garantir uma produção ética.

Existe uma lista crescente de exemplos tanto de marcas grandes quanto de marcas pequenas praticando propaganda enganosa e disseminando conceitos equivocados sobre sustentabilidade. Eu compartilho da sua frustração. Assim como você, eu também já fui enganada e fiquei desapontada com algumas empresas “sustentáveis”, e aprendi bastante sobre greenwahsing no meio do caminho. Mas como saber em quais empresas confiar? Aqui estão algumas dicas que podem te ajudar nesse processo (afinal, é um processo).

Confira o país de origem.

Não há absolutamente nada inerentemente errado com marcas fabricando suas roupas na China, Bangladesh ou Índia. O que é errado é uma empresa tentar fazer os consumidores acreditarem que ela fabrica seus produtos em um lugar quando, na verdade, sua produção está alocada em outro. Se você estiver comprando online, verifique a página do produto para obter informações sobre onde algo foi produzido. Se não estiver listado ou se o idioma for vago (“importado”), isso deve levantar uma bandeira vermelha. Se o seu marketing promocionar uma produção “feita nos EUA” ou “feita no Brasil”, mas seus produtos estão listados como “feito na China”, você tem razão para ser cético. País de origem é uma informação legalmente requerida nas etiquetas de qualquer peça de roupa (e de qualquer produto) no Brasil, então basta checar a etiqueta para confirmar o marketing. Uma vez que você sabe, então você pode determinar se é o que você esperava.

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Procure por fatos e especificações.

Palavras como “sustentável”, “verde” e “ecológico” não significam nada na moda. Ou, mais precisamente, elas podem significar absolutamente qualquer coisa que uma marca queira que esses termos signifiquem. Não fique satisfeito com as generalidades – em vez disso, procure marcas que ofereçam informações verificáveis. Afirmações como comércio justo e orgânico têm agências de certificação que devem ser listadas. A PETA tem um selo de aprovação para marcas veganas. A maioria das empresas se esforçando para fazer algo de bom irá informá-lo, então procure informações sobre coisas como compromisso com o desperdício ou redução de água ou energia, ou como eles estão dando de volta de maneiras realmente necessárias (veja abaixo). A escolha de palavras é importante e as marcas que estão fazendo um trabalho diferente terão como falar sobre suas ações com mais profundidade.

Pense além.

Os modelos empresariais de compre-um-doe-outro estão vivendo seu momento e, embora sejam ótimos em teoria (quem não quer vestir os necessitados ou reciclar seu armário?), eles nem sempre são o que parecem ser. Essas “doações” são geralmente indesejadas, desnecessárias e geram impactos negativos ao invés de positivos. Muitas vezes, a “reciclagem” pode significar vender essas roupas para países em desenvolvimento como forma de descarte. Para ser clara, não estou dizendo que esses modelos de negócios são sempre uma má idéia (há alguns que estão realmente fazendo um ótimo trabalho), mas, em se tratando de doações e reciclagem, é importante gastar um pouco mais de tempo cavando mais fundo antes de comprar a ideia.

Faça perguntas.

As marcas estão mais acessíveis do que nunca. Contate-as por e-mail, Facebook, Instagram, Twitter ou qualquer outro canal e faça suas perguntas. Depois preste atenção às respostas. Se uma marca não sabe respondersua pergunta ou não lhe dá a resposta certa, você tem o direito de ser cauteloso.

Eu me considero uma compradora bastante experiente, mas ainda tenho que entrar em contato com as empresas para fazer perguntas o tempo todo. Recentemente, recebi algo cuja informação online dizia ser um produto vegano, mas, quando o produto chegou, a etiqueta dizia outra coisa. Eu escrevi para a empresa e perguntei sobre essa discrepância e eles insistiram que o produto era totalmente vegano. Ou eles não sabem o que significa vegano ou não estão supervisionando de perto a fabricação das suas peças. De qualquer forma, esse não é o tipo de empresa que eu quero apoiar. Moral da história: não tenha medo de fazer perguntas e depois estar disposto a fazer algo sobre as respostas.

Apoie marcas nas quais você confia.

Conheço as pessoas por trás de todas as marcas disponíveis na Bead & Reel, e isso me garante um alto nível de confiança. Eu tenho um senso de quem eles são e quais são suas intenções, e eu sei que eles tentam o máximo para fazer as melhores escolhas possíveis e corrigirão os erros cometidos ao longo do caminho. É o que espero que a Bead & Reel possa oferecer para as pessoas. Talvez você não conheça os proprietários das empresas que você compra, mas entre em contato, faça perguntas e veja se você consegue estabelecer uma relação de confiança.

Pode parecer muito assustador saber o que é real e o que não é nesse universo da sustentabilidade e do consumo, mas tenha certeza: o aumento do greenwashing significa um aumento no desejo de produtos mais éticos e sustentáveis, o que é uma coisa excelente. Nosso trabalho agora é tentar fazer as melhores escolhas que podemos e continuar a demandas às marcas de moda que façam o mesmo.

Texto por Sica Schmitz para Vilda Magazine. Sica é ativista, estilista, figurinista e empreendedora. É fundadora da boutique de moda ética Bead And Reel, se dedica a ajudar mulheres se amarem por meio do que vestem e amar o mundo por meio do que compram. Ela vive em Los Angeles e passa seu (raro) tempo livre em busca de sobremesas veganas, se voluntariando em casas que lhe são caras e tentando limitar sua adoção de gatos.

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