8 Matérias para o #8M: a História do Modefica se Constrói com a História das Mulheres

O Modefica nasceu em 2014 com o propósito de pautar a indústria da moda para além das passarelas, revistas e glamour. Usando o jornalismo como ferramenta para expandir a compreensão desse universo, ao longo dos últimos 6 anos, passamos a pautar política, meio ambiente, direitos humanos, a fim de mostrar as relações complexas que se estabelecem para muita além da moda e a urgência em construirmos vínculos, sistemas e mundos mais justos e equitativos.

Nesse 8 de março, te convidamos a revisitar algumas matérias-chaves que simbolizam a missão do Modefica. Elas foram feitas por muitas mãos, visitam ambientes de norte a sul do país, abordam vozes de mulheres brancas, negras, indígenas, latinas, mestiças. Confira nossa galeria com uma seleção de 8 matérias e artigos nesse Dia Internacional da Mulher.

 

1. Mulheres e MST: as Múltiplas Facetas do Feminismo no Campo

As mulheres não são a maior parte da força de trabalho na agricultura familiar — representam 1/3 dos trabalhadores. No entanto, elas têm uma função fundamental nas propriedades familiares: cuidar da família. Isso inclui a casa, os pequenos animais, a horta — uma parte importante e não remunerada da agricultura, que diz respeito às atividades relacionadas à produção que não é comercializada, e sim consumida pela família. O trabalho não remunerado e de autoconsumo ocupa 74.9% das mulheres no mundo rural.

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O que os dados revelam é que, assim como a cidade, o campo precisa do feminismo. Mas o feminismo chega até o campo? Nesta quarta matéria da série sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), examinamos as relações de gênero e como aparecem no dia a dia do movimento. A partir das constatações de que sem terra não é possível praticar agricultura, que sem a mulher não existe agricultura familiar, e que seu trabalho é prioritariamente não remunerado, como o principal movimento que pauta a redistribuição de terras no Brasil aborda as questões de gênero?

 

2. Marcha das Margaridas: Conheça o Maior Movimento de Mulheres do Campo da América Latina

O evento, considerado pelo Ministério Público Federal a maior ação organizada na América Latina por mulheres do campo, da floresta e das águas, articula todos os eixos políticos, levantando bandeiras como democracia, soberania popular, direito à terra, água, agroecologia e fim do racismo e violência contra às mulheres. Realizada de quatro em quatro anos desde 2000, a Marcha é coordenada pela pela Comissão Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Contag (CNMTR) da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura).

A denominação “mulheres do campo, florestas e águas” surgiu a partir da marcha de 2015 como forma de afirmar a diversidade das mulheres rurais, que são camponesas; sem-terra; acampadas; assentadas; assalariadas; artesãs; extrativistas; quebradeiras de coco; seringueiras; pescadoras; ribeirinhas; quilombolas; indígenas. A data escolhida para a ação faz referência ao assassinato de Margarida Maria Alves, trabalhadora rural, líder sindical e defensora dos direitos humanos, que foi brutalmente assassinada em 1983, na Paraíba.

 

3. 5 Razões Pelas Quais Você Deve Se Importar Com Justiça Ambiental Se Você Se Importa Com Mulheres

A interseccionalidade é uma ferramenta bastante utilizada pelo movimento feminista por ser capaz de identificar as intersecções dos diversos “sistemas de dominação” (machismo, racismo, especismo, etc). E quando olhamos para o meio ambiente por meio da lente de justiça social e de gênero, podemos reconhecer o impacto desigual sofrido por mulheres e pessoas não-brancas frente à destruição ambiental e alterações do clima. Ao mesmo tempo, percebemos também o protagonismo e a importância dos grupos vulnerabilizados frente às ameaças.

A mudança climática deve ser uma preocupação se você reivindica ser uma feminista porque as mulheres estão na linha de frente das mudanças climáticas. Elas são as mais vulneráveis, as mais propensas a morrer, e elas também estão fazendo um monte de trabalho para mitigar as piores consequências das mudanças climáticas. Confira o artigo aqui.

 

4. A Lógica da Dominação Explica o Porquê Sexismo e Especismo Andam Juntos

A partir de conceitos e argumentos, a filosofia ecofeminista busca compreender as interconexões entre a opressão dos animais, da natureza, das mulheres e de outros grupos em situação de vulnerabilidade. As interconexões são diversas: histórica, empírica, ética, política e conceitual, por exemplo. Embora todas sejam importantes para evidenciar a necessidade de perceber o que há em comum entre as diferentes formas de dominação, a filosofia ecofeminista trabalha especialmente com a conexão conceitual.

Tendo gênero como categoria de análise, a filosofia ecofeminista entende que sexismo, especismo e outros “ismos” de dominação (classismo, heterossexismo, racismo etc.) funcionam sob a mesma lógica. É justamente por isso que a filosofia ecofeminista pode contribuir com argumentos em favor da superação da discriminação e opressão, seja contra humanas/os ou outros que não humanas/os.

 

5. 7 Mulheres Indígenas Contam Sobre Como Entraram e Porquê Permanecem no Ativismo

Em uma sociedade tão heterogênea, mas aficionada pelos modos de vida do Norte Global, ser indígena e vivenciar sua cultura é um ato de resistência diário. A luta pelo reconhecimento, pelo direito à terra, pelo respeito à história milenar dos povos originários acontece pelas vozes de muitas etnias, em diversas regiões. Podemos ver exemplos concretos no Mapa de Conflitos da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Convidamos 7 ativistas indígenas que, por meio da comunicação, da música, das artes cênicas, visuais e plásticas, levam o ser indígena no século XXI para outros espaços. Inspirada pelo trabalho de cada uma delas e, ao mesmo tempo, descrente face ao cenário atual, não poderia haver pergunta mais pertinente do que: por quê você entrou no ativismo e o que te faz permanecer nele? As respostas foram diversas, algumas contam da infância, das primeiras experiências com racismo ou de eventos que aconteceram antes de nascerem, com seus pais e avó. Leia os relatos completos aqui.

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6. Mulheres Imigrantes Na Costura: A Cadeia Produtiva de Moda em São Paulo sob uma Perspectiva de Gênero

A indústria da moda concentra um efetivo enorme de mulheres. No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) afirma que 75% dos 1,5 milhões de trabalhadores da indústria têxtil brasileira são mulheres. É na linha de produção das confecções que as ágeis mãos femininas se fazem presentes. Por causa da informalidade nas relações de trabalho na indústria do vestuário no Brasil é difícil estimar números que tracem precisamente o perfil das mulheres nas confecções brasileiras, mas, em São Paulo, uma volta no Brás e no Bom Retiro, bairros paulistanos conhecidos por formar o maior polo produtivo de roupas do país, nos ajuda a ter uma ideia de quem são elas: majoritariamente bolivianas imigrantes entre os seus 20 e 30 e poucos anos.

Até mesmo nas reportagens especiais sobre os imigrantes na área da costura em São Paulo, não encontramos recortes de gênero que sejam satisfatórios para entender os problemas que atingem especificamente as mulheres dentro dessa cadeia produtiva. Parece não haver espaço para essas mulheres protagonizarem uma pauta que é igualmente delas. Quem melhor do que elas mesmas para nos contar por que imigraram, por que ficaram aqui, as relações dentro das oficinas, a relação com a sociedade brasileira, o medo, o desconforto e o abuso que sofreram e sofrem por serem mulheres e imigrantes?

 

7. Duas Assistentes Sociais Compartilham suas Trajetórias no Serviço de Aborto Legal

Trabalhar na área da saúde não é uma tarefa fácil. No caso do aborto legal, além de lidar com pacientes fisicamente e mentalmente fragilizados, os profissionais também precisam enfrentar mais um desafio: o preconceito de parte da sociedade, que vê com maus olhos a legalidade do procedimento. Mas nada disso foi problema para a assistente social Irotilde Gonçalves, 74, e é para Fernanda Avelino, 33, em ajudar mulheres que buscam o serviço de aborto legal na cidade de São Paulo. Leia a matéria completa aqui.

 

8. Ciência Sob Uma Perspectiva de Gênero: 5 Pesquisadoras Falam Sobre Desmonte, Assédio e Racismo

Não é segredo para ninguém que investimentos na pesquisa reverberam em avanços da medicina, tão fundamentais para o bem estar social, e, ainda sim, o Brasil tem dado vários passos para trás com o fomento no setor nos últimos anos. O cenário promissor da expansão de universidades para o interior, dos incentivos com bolsas fora do eixo Sudeste-Sul e para o exterior deu lugar ao enxugamento de recursos, diminuição de bolsas e outros incentivos.

Buscando entender como a precarização dos órgãos, corte de bolsas e baixos incentivos afetam o fazer intelectual, o Modefica conversou com cinco pesquisadoras sobre suas experiências nos últimos anos. Elas são mestrandas, doutorandas e pós-doutoras que lidam desde o desconhecimento de outras pessoas do que é ser pesquisadora, a assédio, racismo, dificuldades financeiras e de conciliar maternidade com a academia.

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