Charlene Spretnak, a Ecofeminista Responsável Pelo Partido Verde Americano

modefica-IDENTIDADE-SELO-ECOFEMINISMO“Ecofeminismo: Mulheres e Natureza” é um série de matérias que busca discutir a importância da conexão das mulheres com os seres não-humanos e o meio-ambiente. A série tem como objetivo abordar as questões éticas e morais, além das questões culturais, sociais e econômicas relacionadas ao feminismo, veganismo e ecologia.

 

Você pode ouvir essa pauta no player abaixo. Todos os textos da série Ecofeminismo: Mulheres e Natureza estão disponíveis para audição no Spotify, iTunes, Google Podcast ou no seu player preferido.

 

Charlene Spretnak é uma personalidade fruto do século 21. Ativista em várias frentes, é talvez melhor definida como uma pensadora que assimilou a interdisciplinariedade de vários assuntos atuais, incluindo o seu gosto pela arte.

Escritora, palestrante e militante interessada nos recentes desdobramentos do mundo físico e nos movimentos sociais emergentes, Charlene assume um importante papel ao criar um quadro eco-social de referência e visão sobre temas que incluem o feminismo, a história da cultura e da religião e da espiritualidade, e de como isso vem afetando o corpo e a mente humana.

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Sua capacidade inter-relacional sobre tais assuntos aponta não só as mudanças que os movimentos sociais e as múltiplas crises da modernidade vêm determinando no conhecimento humano, e consequentemente nas instituições políticas e econômicas, como propõe alternativas práticas e esforços para minimizar esses impasses.

Desde meados da década de 1980, todos os livros de Charlene Spretnak tem como objeto de estudo a dinâmica e os efeitos da modernidade. Visto que a modernidade intensificou a percepção de que no Ocidente, presente desde os gregos, há uma descontinuidade radical entre (1) o corpo e a mente, (2) os seres humanos e natureza, (3) eu e o mundo, e (4) imanente e transcendente. Para Spretnak, o caminho para corrigir e retificar a sociedade moderna é cultivar o ecológico, o relacional e a sabedoria, pois o pensamento relacional tem sido praticado em tradições espirituais e por mulheres, que também são fundamentais para o esforço de correção na cura e transformação desses aspectos da modernidade que provaram ser destrutivos.

Green Politcs: The Global Promise, escrito em parceria com Fritjof Capra, talvez seja o melhor exemplo da potência catalisadora dessa aglutinação de ideias que resultou na formação do Partido Verde Americano (The Green Party US) do qual ela é co-fundadora. O livro descreve o principal desafio imposto por eles, como partido, para reverter a centralização do poder político e econômico diante do capitalismo financeiro e do estado socialista; como resposta apelam à proteção do meio ambiente, à não violência e a restauração da democracia da escala humana em todos os sistemas econômicos.

Já o seu mais novo livro, The Spiritual Dynamic In modern Art: Art History Reconsidered, está focado na investigação da história cultural, mais precisamente da era moderna. Charlene vai a fundo no entendimento da produção de arte moderna, fugindo totalmente do formalismo hermético da crítica, que geralmente entende a era moderna como uma estrutura sólida de ruptura com toda a tradição, as normas convencionais e a religião.

Em contrapartida, a autora nos oferece uma exploração da dimensão espiritual da vida atrelada à arte no período, baseada nas entrevistas que realizou com diversos artistas modernos e contemporâneos. Ela convincentemente demonstra que a espiritualidade habita o terreno da arte moderna em trabalhos cujos autores possuem estilos diferentes, mas que vêem a obra como uma personificação de uma experiência sagrada e como um meio de evocá-la no espectador.

Cada um de seus livros é resultado de uma imersão em áreas até então inexploradas. Isso significa que ao invés de reproduzir sínteses sobre fenômenos isolados, Spretnak, através de dados co-relacionados, desenha o esqueleto de um tema e sugere uma maneira nova de compreensão, de forma coerente, sobre determinado movimento social, ou orientação intelectual, ou área inexplorada da história cultural.

No seu primeiro livro, Lost Goddesses of Early Greece: A Collection of Pre-Hellenic Myths, ela aborda a questão feminista ao reconstruir os mitos pré-olímpicos da Grécia, elementos fundamentais da cultura ocidental. Por milhares de anos antes dos mitos clássicos serem registrados por Hesíodo e Homero, a presença espiritual da ‘deusa’ em suas múltiplas formas foi o foco da religião e da cultura. Charlene Spretnak recria os mitos originais centrados na deusa e informa a emergência contemporânea de uma espiritualidade baseada na nossa imersão na natureza. A partir dessa pesquisa irreverente, a autora sugere a orientação de enquadramento para o coro de vozes do início do movimento feminista, seu desenvolvimento e suas muitas facetas.

A autora usa do berço da cultura e civilização ocidental para esclarecer a importância histórica e simbólica do papel feminino nesse processo de transformação, revelando uma história de empoderamento que a ‘deusa’ significa para as mulheres, símbolo mítico da heroína e modelos de força e sabedoria.

Depois disso, em The Politics of Women’s Spirituality, publica uma antologia de ensaios divididos em três partes, focando no fenômeno da espiritualidade da mulher no movimento feminista em três âmbitos diferentes: o histórico, o pessoal e político. Esse estudo, baseado em comprovações científicas e observações das próprias tendências sociais, forma um conjunto de relações entre a natureza, o feminismo e o espiritual.

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Portanto é ela quem, pela primeira vez, enxerga as implicações políticas de tais correntes na nossa cultura atualmente. Segundo alguns críticos, essa é uma antologia de textos indispensáveis para estudiosos de ambos os sexos entenderem que a literatura espirituosa das mulheres e o ecofeminismo são a chave para uma análise mais fundamental da crise do patriarcalismo industrial e da tecnocracia.

Com todo esse talento em linkar as transformações positivas e negativas do passado ao presente, Charlene conduz todo o seu trabalho à um lugar de esperança, um pensamento em direção à mudança social e visões alternativas importantes de espírito e poder.

 

Nota De Esclarecimento: Ecofeminismo é um movimento filosófico que liga o feminismo com a ecologia, baseado em argumentos que provam conexões particulares e significativas entre mulheres e a natureza. Portanto o termo interpreta a repressão e exploração feminina em termos de exploração e repressão do meio ambiente. Ecofeministas acreditam que essas conexões são ilustradas através de valores tradicionalmente “femininos”, como a reciprocidade, cooperação e carinho, que estão presentes tanto entre as mulheres como na natureza. As mulheres e a natureza também estão unidos através de sua história comum de opressão por uma sociedade ocidental patriarcal.

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