Lições Climáticas da Pandemia: Vírus, Degradação Ambiental e a Carne no Prato

O novo Coronavírus tomou o mundo de assalto – nenhum líder de governo, população ou país estava preparado para lidar com o potencial devastador da doença, comprovado diariamente no número de mortes, notificação (e subnotificação) de casos e pressão sobre os sistemas de saúde. Pelo menos é isso o que nos foi dito. Mais do que isso, as empresas e economias globais mostram não estarem preparadas para lidar com grandes crises.

Isso não significa, porém, que uma série de lideranças políticas e econômicas não sabia sobre o risco eminente de sofrermos com uma pandemia mundial. Na realidade – como acontece com a crise climática – um grande número de pessoas e pesquisadores vinha alertando há anos sobre a letalidade potencial de doenças infecciosas emergentes e sua ligação com a degradação ambiental crescente, incluindo grandes órgãos internacionais como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas os avisos, bem como as ideias e alternativas ao necroliberalismo, foram sumariamente ignorados e nos trouxeram a um mundo de confinamento e ansiedade sobre um futuro desconhecido e ainda inimaginável. Talvez agora – confinados, observando de forma clara e inegável as consequências das relações predatórias que estabelecemos com a Natureza e com os animais – seja momento de fazer o oposto das lideranças globais: assumir responsabilidades e falar sobre a urgência de mudar nosso modelo de relação com o ambiente natural e os seres não-humanos se quisermos, pelo menos, estar mais preparados para as epidemias e consequências da crise climática por vir.

Uma mudança dessa magnitude exige desde o repensar de hábitos alimentares, padrões de consumo, entender como direta e indiretamente apoiamos a exploração dos ecossistemas e, acima de tudo, não ter medo de questionar o capitalismo dominante, cada vez mais totalitário, destrutivo e incapaz de nos oferecer qualquer tipo de solução real.

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Novas doenças e destruição de habitats

Em 2015, Bill Gates afirmou em um TED Talk que não deveríamos temer mísseis, mas o desenvolvimento de novos vírus. Em sua fala, ele ressaltou também que não estávamos preparados para uma próxima epidemia, mas que era possível tomar algumas ações de prevenção e preparação. Por sua vez, o escritor e jornalista científico David Quammen está sendo considerado por muitos um profeta da pandemia do Covid-19. Em Spillover – Animal Infections and the Next Human Pandemic (“Transbordamento – infecções animais e a próxima pandemia humana”, em tradução livre), de 2012, o autor destrinchou a relação entre as pressões e rupturas ecológicas causadas pelo homem e suas consequências para a saúde pública global – em especial, como estas nos expõe a novos vírus letais. Ele ainda revela que, dentro da comunidade científica, uma pandemia como a atual já era esperada e temida. “The Next Big One” [A próxima grande] é o termo usado para se referir ao que agora vivemos. Em recente entrevista à InfoAmazonia, o ambientalista se diz frustrado para o quão despreparados estamos enquanto sociedade, uma vez que os sinos de alerta soam há décadas.

Doenças infecciosas emergentes (DIE) são novas doenças (ou antigas, mas que estão se espalhando a uma velocidade rápida demais) para as quais os humanos não têm imunidade suficiente desenvolvida. [1]. A maioria destas doenças tem origem zoonótica, isto é, tem entre seu hospedeiro e reservatório um animal não-humano. Além disso, 70% delas estão ligadas a animais selvagens.

Em seu livro, Quammen explica que cada vez mais patógenos animais estão em contato com populações humanas e que a tecnologia e o comportamento humano os estão espalhando de maneira cada vez mais ampla e rápida. Isso acontece, primeiro, porque as atividades humanas estão causando a desintegração dos ecossistemas naturais a uma taxa catastrófica. Ações como exploração madeireira, construção de estradas, caça e consumo de animais selvagens – tanto para sobrevivência de populações quanto para alimentar gostos chamados “refinados” com carnes “exóticas”. Adicione também a extração mineral para fins, inclusive, chamados de sustentáveis; assentamento urbano, poluição química, escoamento de nutrientes para os oceanos; poluição por plástico e gases tóxicos e a comercialização internacional e poluente dos produtos exportados cuja produção requer qualquer dos itens acima.

Apesar do argumento de que já praticamos a maioria dessas atividades usando ferramentas simples há séculos, a atual escala nos coloca frente a uma falsa simetria. A comunidade científica em peso aponta para o que tem se convencionado chamar de Antropoceno [2], uma era geológica marcada pelas mudanças na natureza causadas por nós, homo sapiens. Com 7 bilhões de habitantes e tecnologia moderna em nossas mãos, os impactos cumulativos estão se tornando críticos.

Quammen exemplifica como as florestas tropicais, apesar de não serem os únicos ecossistemas comprometidos, são os mais ricos e os mais complexos. “Dentro desses ecossistemas, vivem milhões de tipos de criaturas, a maioria desconhecida para a ciência, não classificada em uma espécie, ou mal identificada e mal compreendida”. Dentre estas milhões de criaturas desconhecidas, temos vírus, bactérias, fungos, protistas e outros organismos, muitos dos quais são parasitários. As relações ecológicas entre cada espécie são sutis, frágeis e seu equilíbrio limita a abundância de cada organismo, bem como sua abrangência geográfica.

 

 

“Mas agora, a perturbação dos ecossistemas naturais possibilita a dispersão destes microorganismos. Quando as árvores caem e os animais nativos são abatidos, os germes nativos se espalham. Um micróbio parasitário, assim empurrado, despejado, privado de seu hospedeiro habitual, tem duas opções – encontrar um novo hospedeiro, um novo tipo de hospedeiro, ou ser extinto. Não é que eles visem humanos especialmente. É que somos o que há agora de mais abundantemente disponível na terra”, explica ele no livro. Para se ter uma ideia, há apenas cerca de 30-40 anos, a população planetária era apenas a metade da atual.

Como evidencia o escritor, existe uma relação direta entre disrupção de ecossistemas e a erupção de doenças infecciosas. A fauna e a flora natural abrigam milhões de microorganismos coexistindo orquestradamente sob uma regência invisível para nós. Cada ecossistema suporta um determinado nível de perturbação ou variação, ou seja, seus níveis de sensibilidade não são iguais. Na ecologia, isto é chamado de resistência. Uma floresta em pé, em equilíbrio, com seu ecossistema intacto atua como uma proteção para humanos. Esta proteção e segurança é a música que não ouvimos.

Doenças que tem como vetores mosquitos como zika e dengue são excelentes exemplos para elucidar como a degradação ambiental não tem a ver apenas com extinção de espécies que você nunca ouviu falar antes, mas está muito próxima de afetar a sua saúde e de sua família. Alguns estudos sobre a malária evidenciam que o crescimento vertiginoso de mosquitos carregando o protozoário é ainda mais intenso em áreas recém desmatadas, em comparação com o mesmo ecossistema saudável na região. Similarmente, um estudo de 2010 na região Amazônica apontou que um crescimento de 4% no desmatamento aumentou em quase 50% a incidência da doença. Outro estudo no Peru identificou um aumento na taxa de picadas do mosquito portador da malária em humanos 278 vezes maior do que quando a região tinha sua área predominantemente arborizada.

Isso acontece, em grandes linhas, porque em um ecossistema equilibrado, diversas variáveis atuam como ferramentas naturais de controle populacional do inseto, por exemplo, temperatura e quantidade de predadores naturais. Ao destruir ou reduzir um habitat, a diversidade de fauna e flora invariavelmente se reduzem. Isso geralmente leva à extinção de alguma espécie responsável pelo controle populacional de uma (ou várias) outra(s) e mesmo a temperatura e umidade da área podem se alterar. Neste movimento, é possível a explosão de uma população que carrega doenças ou a diminuição de outra ao ponto de um vírus precisar migrar para uma espécie chamada amplificadora, que mais facilmente transmite o vírus para humanos, levando a epidemias, pandemias e crises sérias como a que estamos vivendo.

 

A carne no prato…

Apesar desses temas serem grande novidade para a maioria da população, os riscos dos quais estamos falando aqui têm baixíssima probabilidade de serem desconhecidos dos governantes mundiais. Um relatório de 2016 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) já trazia a informação de que doenças transmitidas de animais para seres humanos (doenças zoonóticas) estavam em ascensão, com tendência a piora à medida que habitats são destruídos pela atividade humana. Um artigo de 2015, publicado na renomada revista científica Nature apontava, inclusive, o enorme risco potencial de uma mutação de vírus corona vindo da população de morcegos da região de Wuhan, para o qual os pesquisadores não haviam conseguido criar anticorpos ou vacinas em testes in vitro.

Quammen foi outro que descreveu com precisão assombrosa, derivada de suas muitas conversas com cientistas do mundo inteiro, que a próxima pandemia teria origem possivelmente em morcegos como mutação de um vírus do tipo corona ou influenza, e se alastraria a partir de um local como os mercados de carnes na China.

Em um texto visceral, Soledad Barruti, autora do livro Malcomidos y Malaleche [3], ressalta, porém, a necessidade de lembrarmos que o novo Coronavírus nada tem a ver com o discurso xenofóbico do presidente americano Donald Trump de que este é um “vírus chinês” ou outros que seguem na mesma linha, como aqueles apontando para hábitos alimentares da população asiática como anti higiênicos e excêntricos, explicando que, no que tange à ética, empatia e saúde pública, a diferença em nosso imaginário entre o que é oferecido em Wuhan e nas gôndolas de nossos supermercados não existe.

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A forma como galinhas – amplamente aceitas na culinária ocidental – são criadas, por exemplo, tornam essas fazendas industriais uma antro propício para o surgimento de vírus e, consequentemente, pandemias. Enquanto a produção extensiva se apoia sobre o desmatamento, a produção intensiva facilita mais ainda o contágio. Soledad resume: “as pessoas intensificam a produção de animais, rompendo a distância saudável entre espécies — cada uma com seus micro-organismos específicos — para criar um novo mundo bizarro e cada vez mais perigoso. […] Vacas, porcos, galinhas, morcegos, não importa de qual animal estejamos falando. Se não os extinguimos com destruição de seus habitats, os engaiolamos, acumulamos, mutilamos, transportamos, engordamos, medicamos e deformamos para aumentar sua produtividade”.

Rob Wallace, biólogo evolucionista, se posiciona da mesma maneira. Autor de Pandemia e o Agronegócio, Rob escreve desde 2007 sobre a origem e causa de vírus como SARS, gripe aviária e suína. Há uma década, ele vem alertando sobre a emergência de repensarmos a maneira como criamos animais para consumo e a ligação intrínseca de fazendas industriais com o surgimento de epidemias como a Gripe Espanhola de 1918, que fez 50 milhões de vítimas. A teoria mais aceita é que esta teve como espécie amplificadora os porcos de uma criação no Kansas.

Seja pela expansão de pessoas, fazendas industriais ou pasto, os animais selvagens se aproximam uns dos outros, com cada vez menos espaço para existir. Eventualmente, se aproximam de aves, bois, vacas leiteiras e porcos amontoados em pequenos espaços. Para a natureza, esta é uma aberração. Uma superpopulação de animais, em termos naturais, é uma praga, e normalmente a natureza dá conta de exterminá-las ou controlá-las a sua própria maneira, por meio de patógenos.

Soledad e Rob escrevem também sobre a outra grande ameaça à nossa espécie decorrente destas práticas: o uso de antibióticos nos animais e o consequente desenvolvimento de superbactérias a eles resistentes. Barruti revela que os antibióticos e outros medicamentos são usados para conter ou disfarçar “manifestações de saúde esperadas quando os animais vivem nessas condições: azia, alergias, ataques cardíacos, infecções das mais variadas”. Mais de 80% de toda a produção mundial é administrada para combater doenças que só se desenvolvem exatamente por estarem submetidos à condições extremas, degradantes e antinaturais. Com os traços destes produtos nas fezes, rios e nas pessoas que se alimentam desta carne, leite e ovos, as bactérias se adaptam, evolutivamente, e ficam cada vez mais difíceis de combater. O resultado atual é de até setecentas mil mortes por ano – o dobro do atual número de óbitos por Covid-19 no mundo até a publicação desse texto. O uso de antibióticos em animais para abate é, inclusive, uma preocupação antiga da OMS, mas não houve consenso entre países ou evolução significativa desde a década de 60, quando este assunto começou a ser debatido”.

 

E o dinheiro no bolso

A derrubada de florestas e alteração de ecossistemas têm aumentado a frequência de epidemias. Outro exemplo é a pesca predatória, principalmente em busca de frutos do mar, que resulta em catástrofes semelhantes. Contudo, contra todos os alarmes, em 2019 vimos a Amazônia queimar e ser desmatada mais do que nos anos anteriores. No mês passado, o desmatamento foi o maior em 10 anos.

Durante a crise das queimadas de 2019, quando a fumaça chegou a São Paulo, muito se falou sobre os maiores fatores de estresse e degradação de ecossistemas – o gado, o pasto, a soja. Isso porque, dos 10 produtos mais exportados pelo Brasil em 2019, metade deles é carne ou está ligada à indústria animal, compondo mais de 26% do valor total de exportações. O Atlas da Carne, publicado pela Fundação Heinrich Böll no Brasil em 2016, detalha cada um dos efeitos do agronegócio mundial sobre a biodiversidade, ecossistemas, desmatamento e comunidades.

 

 

Os espaços de poder que hoje abrigam debates sobre a contenção do novo Coronavírus – governos, ONU, OMS, entre outros – parecem pouco interessados em, como fala Soledad, “nomear de maneira clara e contundente o principal fator desencadeante dessas doenças: a relação abusiva e predatória que estabelecemos com a natureza, em geral, e com os outros animais, em particular”. Uma explicação reside nos lucros pornográficos de empresas atuantes no segmento e com ampla capacidade de lobbying como Cargill, JBS, Tyson, Nestlè e Danone.

No Brasil, a JBS, investigada por diversos escândalos de corrupção e crimes ambientais, é a maior empresa de carne do mundo e a segunda empresa brasileira com maior receita líquida em 2018, atrás apenas da Petrobrás. A americana Tyson Foods ficou logo atrás da marca brasileira no ranking de maiores empresas de alimentação globais em 2018. Estas indústrias continuam encontrando escoamento no consumo massivo, excessivo e cada vez maior em todos os países do planeta.

Nosso desejo insaciável por comer animais, selvagens ou domesticados, já nos custou bilhões de vidas animais e milhões de vidas humanas e a tendência não apresenta sinais de desaceleração. O número de animais criados para alimentação hoje cresce quase duas vezes mais rápido que a população humana. Estes se alimentam de mais de um terço da produção de cereais, ocupam dois terços das terras aráveis do planeta, mas representam só 12% das calorias ingeridas. Alimentam, contudo, um mercado global e altamente concentrado de bilhões de dólares em que animais, rios, florestas, pessoas e trabalhadores são apenas mais um insumo dentro do ciclo de produção.

Agora, em meio à pandemia, parece que o mundo mudou. Mas os supermercados continuam abertos, “e fazemos filas eternas para comprar as coisas (nuggets, ovos, iogurte) com as quais continuamos a cozinhar pandemias que mais tarde nos parecerão inevitáveis”, conclui Barruti.

 

Como levar a degradação ambiental a sério?

Existem algumas ações individuais possíveis para quem entendeu que a luta ambiental é uma luta de todos. Esse artigo de Amy Rich aponta 5 maneiras simples de fazê-lo, mas considerando as diferenças entre nossas possibilidades e reconhecendo privilégios. Da próxima vez que for ao supermercado comprar carne, queijo, leite, ovos – uma atividade quase automática na vida da maioria das pessoas – vale à  pena pensar que o consumo e a cultura de comer produtos de origem animal, de alguma forma, estão ligados ao fato de estarmos enclausurados em casa, ansiosos e nos perguntando como será a vida pós-pandemia. A pergunta que vale ser feita é: dado que já há alternativas simples vegetais para basicamente todos os ingredientes de origem animal na maioria das culturas mundiais, continuar o churrasco sob o risco de novas pandemias, mais letais, mais assustadoras, mais devastadoras que esta compensa? Talvez o próprio churrasco de fim de semana no formato como conhecemos esteja sob risco de deixar de existir, uma vez que não poderemos mais nos reunir exatamente pelo excesso de churrascos e pratos com animais ao redor do mundo.

Mas reciclar nosso lixo, deixar de consumir carne e comprar produtos verdes não vai resolver todos os problemas ambientais. É necessário ir além de ações individuais e, para isso, o engajamento comunitário é essencial. Essa crise nos mostrou como estamos mais conectados do que nunca e dependemos cada vez mais uns dos outros. Criar ou apoiar ações em seu bairro para retomar o senso de coletividade como criar uma horta comunitária e retomar a noção de que estamos, mais do que nunca, no mesmo barco, é um dos ingredientes essenciais para superarmos o momento atual.

Outra forma prática de se engajar é aproximando-se de instrumentos políticos. Apoiar organizações ativistas e partidos que lutam ativamente contra ações que vão na contramão da justiça ambiental e social, e não votar em políticos que consideram o agronegócio mais importante que a sustentabilidade ecológica e social do país. Fazer frente e pressionar pela derrubada da chamada “MP do Desmatamento” (a antiga MP910 e atual Pl2633), por exemplo, é uma forma excelente (e urgente) de agir. Sugerir projetos de leis de maior controle sobre o desmatamento, o confinamento de animais, a produção de proteína animal. Tudo isso pode ser o início de um movimento que leve em conta o sofrimento que estamos experimentando com a pandemia e se transforme em ação prática para nos protegermos das próximas, visualizando com maior facilidade um horizonte em que ninguém vomite absurdos como “sem economia não há vida”.

A esse respeito, alguns grupos antes relegados às margens da academia e ao escárnio de economistas mainstream estão aproveitando o momentum para mostrar que já há uma massa de críticas contundentes ao sistema capitalista como está posto e, também, uma série de ideias e alternativas. A cidade de Amsterdã, por exemplo, foi a primeira a afirmar que pretende adotar um modelo econômico alternativo como saída para a crise do coronavírus, priorizando a prosperidade social e bem estar das pessoas em consonância com os limites ecológicos do planeta.

Um dos conceitos mais difundidos sobre alternativas ao paradigma do crescimento infinito, já debatido por aqui antes, principalmente no cenário europeu, é o de decrescimento econômico. Uma carta aberta, publicada esta semana pela Rede Internacional de Decrescimento e assinada por mais de 1000 pessoas e 70 organizações, aponta os caminhos para iniciarmos uma transição: uma sociedade que valoriza a vida boa e digna para todas as pessoas, em todos os países, com solidariedade entre os povos como valor essencial e verdadeira democratização dos instrumentos de poder.

Pensar que tais princípios são utópicos só escancara quão enraizados estão em nós valores egoístas e sem sentido que nem sempre estiveram aqui. Nós construímos e desconstruímos padrões de crenças, leis e culturas desde o princípio de nossa organização social humana. O que foi aceito e considerado normal no passado, hoje é considerado absurdo e irracional.

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É preciso parar para considerar que nos apoiamos, atualmente, sobre um sistema que valoriza a acumulação de riqueza – dinheiro, papel, bens – acima de todas as outras coisas como a vida de pessoas, de animais e a felicidade e bem viver de comunidades. O próprio sistema cria destruição, morte, desigualdade, pobreza e violência. E quem o criou fomos nós, humanos, um coletivo de pessoas. São estes os valores que decidiremos perpetuar após suplantar a primeira verdadeira crise de dimensão planetária? Em uníssono, a degradação ambiental continuará fazendo vítimas de pandemias e climáticas, até que seja tarde demais e alcancemos a façanha de levar nossa própria espécie à extinção. Esta crise é o momento de dizer basta à destruição da diversidade ambiental, nosso único instrumento de defesa e de controle de pragas realmente eficaz. 

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