Cooperativismo, Agroecologia e Novas Relações de Produção e Trabalho na Moda

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“Backstage O Backstage é o podcast do Modefica para falar sobre moda a partir de diversos pontos de vista e para muito além do que vemos nas passarelas, nas revistas, no Instagram e nas manchetes. Sempre com convidadxs especiais contando sua trajetória, e junto com nossa editora Marina Colerato, o Backstage debate indústria, carreira, questões de gênero e raça, temas quentes e futuro da moda. Ouça no Spotify ou iTunes.

 

Nelsa Nespolo é fundadora da Justa Trama, uma cooperativa de costura que começou no Rio Grande do Sul, há 14 anos, e que, atualmente, se estende até o sertão cearense e Mato Grosso do Sul, na plantação do algodão agroecológico em assentamentos e pequenas propriedades rurais. Além disso, a Justa Trama também se relaciona com produtores de Rondônia, por conta da transformação de sementes de açaí e tucumã para produção de botões. Hoje, a cooperativa virou uma marca responsável por aproximar o campo da roupa e incentivar uma outra relação entre os diversos atores da rede produtiva da moda.
 
 
Na primeira parte do programa, Nelsa contou como funciona a Justa Trama hoje, pontuou a diferença de algodão orgânico e agroecológico, ressaltando que a agroecologia tem como centro de sua atuação a vida, tanto das pessoas quanto do planeta. Para quem nunca ouviu falar sobre algodão colorido naturalmente, ela explicou sobre ele, além de esclarecer como é possível uma cultura sedenta como o algodão ser plantado de forma agroecológica no sertão nordestino.

“Mas não tem algodão agroecológico pra todo mundo” e “algodão orgânico é caro” são duas questões bastante comuns e levantadas durante o papo. Quem ouvir, vai conseguir entender por que não tem algodão orgânico para todo o mercado (ainda) e por que é “caro” (ainda). Marina aproveitou para destacar a importância de entender o funcionamento da produção de algodão no Brasil para conseguir responder ambas as perguntas, ressaltando o modelo de negócio agrário estabelecido no país há séculos.

Na segunda parte do programa, o papo foi sobre como a Justa Trama foi criada e se organiza até hoje. “Quem é que está nos ouvindo que pode pegar uma roupa dentro do seu armário e dizer: ‘eu sei de onde veio a matéria-prima dessa roupa’. Muito menos imaginar quem costurou. Então termos uma marca sem exploração, sem jornada excessiva… Mas não fazemos isso para se encaixar em nenhum conceito. É porque a gente realmente acredita nisso. E pensar mais que tudo: não teve ninguém explorado nessa cadeia, a gente conseguiu distribuir [a renda] de forma justa”, contou Nelsa.

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Depois de trabalhar em chãos de fábricas diferentes, o que a empurrou para a costura foi uma demissão após ter feito um movimento bastante revolucionário na última empresa que trabalhou para conseguir creche e salários iguais para as mulheres operárias. Nelsa aprendeu a costurar em casa e começou a atender clientes para fazer consertos e roupas sob medida. “Foi um período de encontro pessoal, de não ter que cumprir uma jornada, não ter ninguém te explorando e poder estar junto dos filhos. Mas também era uma vida que eu ia até às 3 da manhã costurando”, lembrou ela. “Porque isso é o que todas as mulheres fazem. Eu nunca trabalhei por facção, mas muitas mulheres na comunidade que eu estou hoje ainda trabalham por facção. E facção tira a vida das mulheres. Tira a vida não só do ponto de vista social, mas afetivo também”, explica.

Tempos depois, Nelsa entendeu que havia uma possibilidade de abrir uma empresa de costura, mas trabalhando de forma coletiva, algo que ela aprendeu numa época de atuação cidadã bastante intensa no processo de orçamento participativo do bairro. A partir daí, ficar de pé e chegar em 2019 com uma série de prêmios não foi simples. Atuar no coletivo às vezes é mais complicado do que parece, numa trajetória de altos e baixos e que, por diversas vezes, fez os olhos da Nelsa encherem de lágrimas durante a conversa. “É um livro de desafios e conquistas”, afirmou ela. Agora, a Justa Trama está num desafio de aumentar a comercialização, chegar em mais lugares e pessoas para conseguir ampliar a rede de produção tanto no campo quanto na cidade.

 

Este episódio do Backstage é apoiado pela Mercur. Presente nas áreas de Saúde e Educação, a proposta da Mercur hoje é atuar em função das pessoas. Sua forma de trabalho é centrada em atender necessidades específicas para a promoção de autonomia, bem-estar social e ambiental. Feita com matérias-primas 100% renováveis, como o algodão agroecológico da Justa Trama e caroço de açaí da palmeira Juçara, a nova bolsa térmica natural da Mercur prioriza a geração de impacto social positivo por meio do comércio solidário e fomento à agricultura familiar, preservação da palmeira Juçara, o autocuidado e protagonismo da saúde. Com funcionalidade atestada pela Anvisa, a bolsa utiliza a tecnologia da termoterapia e traz benefícios para o tratamento de dores, lesões musculares e articulares, processos inflamatórios e alívio de estresse muscular e cólicas. Conheça mais em mercur.com.br

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