Politicamente #12: Os 10 Assuntos de 2020 com Paulina Chamorro

Chegou aquele momento do ano de fazer o Top 10 assuntos de Meio Ambiente de 2020, um ano marcado pela pandemia do novo coronavírus, mas também por desmatamento, destruição ambiental, negacionismo climático e conflitos territoriais. Junto da nossa editora-chefe, Marina Colerato, participam desse episódio a editora-assistente, Juliana Aguilera, e a jornalista com mais de duas décadas na cobertura de temas socioambientais, Paulina Chamorro. O episódio é extenso, mas se acomode e vem com a gente.

 

 

Nosso 1º tema já foi abordado no ano passado e segue esse ano em curso, que é o contínuo desmonte de entidades como Ibama e ICMBio. Trazemos as trocas de cadeiras importantes dos órgãos ambientais – de profissionais experientes no ramo a militares que desconhecem do assunto ambiental; o enfraquecimento das leis ambientais – que Paulina destaca terem sido, no passado, referência mundial -; a falta de investimento da pasta do meio ambiente em medidas para preservação e mais planos de corte para 2021. Paulina aponta que, apesar da vitória da sociedade civil para a permanência da Resolução nº 303, do Conama, que estabelece parâmetros para Áreas de Preservação Permanente, em especial restingas e manguezais, o desmonte é tamanho que é “assustador o que estamos vendo”.

Assustador também é o nosso 2º tema, o fogo incontrolável que tomou o Pantanal, assunto do nosso episódio #10, e agora representa uma área queimada de 10 vezes as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro juntas. Já sabemos onde esse incêndio teve início, o porquê ele tomou a magnitude que tomou e os impactos na fauna e flora que ainda são incalculáveis. Paulina, que esteve no Pantanal, comenta que nunca viu fogo com tamanha intensidade. “Eu ouvi relatos de que as chamas eram tão violentas que atravessavam rios”, afirma. O papo se estende sobre o aquecimento da temperatura terrestre, marinha, o desmatamento da Amazônia e, com isso, caímos no terceiro tópico que é: as emissões de gases do efeito estufa (GEEs) na pandemia.

No início do ano, chegamos a acreditar que a parada total de setores-chaves, como a aviação, proporcionaria uma queda de GEEs recorde, o que de fato aconteceu, mas que não é muito digno de palmas. Explicamos porquê essa queda não significa muita coisa e como estamos distantes das metas do Acordo de Paris para a contenção do aumento da temperatura terrestre. Discutimos junto com Paulina sobre a necessidade de responsabilizar empresas que mantêm o modelo econômico atual, de extração de recursos naturais e de consumo excessivo.

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O 4º tema é, claro, incontornável: o desmatamento da Amazônia. Em 2020 foi registrado o maior índice de desmatamento desde 2008, de 9,5%. Isso significa mais de 7 cidades de São paulo, 626 milhões de árvores cortadas, 3 árvores por brasileiro. As informações são do Greenpeace Brasil, também responsável por apontar que esse cenário era sabido, mas que o governo federal preferiu, ao longo do ano, maquiar a realidade e militarizar cada vez mais os órgãos ambientais. A situação é ladeira abaixo, mas levantamos os principais pontos desse desgoverno e antipolítica ambiental.

É impossível falar de 2020 sem citar a pandemia do novo coronavírus, logo, nosso 5º tema é sobre a pandemia e futuras pandemias. Comentamos sobre as evidências que apontam a disseminação do coronavírus para humanos por conta do nosso sistema extrativista, de invasão de habitats, e alimentar – pelo consumo de carne de animais exóticos e não exóticos. A próxima pandemia vai vir, isso é sabido e já dito pelos cientistas. Paulina aponta como causa principal nossa sociedade de consumo frenético e absurdo e a falta de responsabilização de governos e empresas. Lembramos aqui na nossa série Lições Climáticas da Pandemia.

Aproveitamos também para discutir sobre a falta de água encanada e a privatização dela. Tendo em vista que uma das recomendações principais para evitar a contaminação da Covid-19 foi a de lavar as mãos e o Brasil ainda apresentar um déficit muito grande na água encanada e tratada na maioria de seus municípios, a aprovação do PL 4.162 gerou discussões a favor e contra intermináveis. Linkamos esse momento com a queda de energia no Amapá e te explicamos porque ambos assuntos têm pontos em comum. O “novo” marco do saneamento básico também foi pauta no nosso episódio #8.

Nosso 7º assunto é o aumento dos conflitos em terras indígenas, pauta do nosso último episódio. Trazemos dados do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o completo abandono e silêncio do governo federal frente às diversas violências sofridas pelos povos indígenas e discutimos como trazer a Amazônia para mais perto dos brasileiros. Paulina divide conosco um pouco da sua experiência e o que ela tem buscado trazer tanto para seu podcast Vozes do Planeta, como em suas reportagens: abrir espaço para lideranças indígenas jovens. Aproveitamos a brecha para conversar sobre a experiência que tivemos ao longo do ano em produzir pautas com ativistas indígenas no Modefica. E a dica é: comunicador, faça isso também.

Podemos definir o 8º tema como: um golpe no estômago. Falamos da situação atual de Mariana, após 5 anos do crime ambiental cometido pela Vale – que segue sem punição. Ao longo desses anos, muito conteúdo sobre o que sobrou da vida das pessoas da região foi publicado, mas elencamos alguns pontos essenciais: a desassistência do governo, a impunidade, a deterioração da saúde mental e as heranças da mineração, o que muitos chamam de projeto de morte. Paulina divide conosco uma verdade muito difícil de aceitar: tais empresas preferem pagar multas do que pagar pela prevenção desses desastres. Esse crime ambiental é o reflexo nu e cru de um sistema que faz cálculo para escolher quais vidas valem ser salvas.

Voltamos a falar de mudanças climáticas, mas agora focando nas migrações que acontecem em território brasileiro – cada vez mais comuns devido a chuvas fortes e secas. Segundo o Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno, o IDMC, de 2008 a 2019, mais de 2 milhões de novos deslocamentos aconteceram no Brasil. Apenas no ano passado foram 295 mil pessoas. Esse número dá pra encher mais de 3 Maracanãs e meio. Refletimos sobre a importância de trazer esse assunto para mais próximo dos brasileiros e tirar a imagem do urso polar ou enchentes em países do Sul Asiático do imaginário popular. A crise climática acontece aqui e agora.

E, ufa, chegamos no 10º assunto desse podcast que foi o mais longo do ano: a perda do protagonismo brasileiro na agenda ambiental global. Esses 2 anos certamente derrubaram o Brasil do posto de referência no combate ao desmatamento ilegal para o posto do excluído da Cúpula de Ambição Climática da ONU, no 5º aniversário do Acordo de Paris. Lembramos alguns momentos de vergonha internacional, o descaso e inação do vice-presidente Hamilton Mourão e se esse isolamento brasileiro pode servir de freio para as próximas ações ambientais do Governo Bolsonaro em 2021.

Não é fácil, mas nós acreditamos que apenas a mobilização de base é capaz de refrear esse desgoverno. E começamos essa mobilização não pelas ações, mas pela divulgação de informação. Nessa era de fake news, onde presidentes das principais potências mundiais são eleitos pela propagação de notícias falsas, ter o conhecimento da verdade é a verdadeira força para mudar as injustiças ambientais e sociais. Então, aproveita que você chegou até aqui, e divulga esse conteúdo entre seus amigos, familiares, põe pra tocar na ceia de natal, na festa de Ano Novo e não esqueça de tomar as medidas preventivas de distanciamento social e pouca aglomeração.

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