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Ecofeminismo Mulheres e Natureza

Práxis Ecofeminista: Erosão, Salinização e Escuro no arquipélago do Bailique

Publicada em:
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Daniela Rosendo

29 min. tempo de duração
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No episódio desta semana, Daniela Rosendo nos transporta para a realidade do arquipélago do Bailique, um conjunto de 8 ilhas que representa o maior colégio eleitoral do Amapá. É nessa localidade, também, que a população sofre com o processo de erosão natural, salinização da água do rio Amazonas e falta de energia elétrica. Daniela narra a realidade local, se amparando em estudos que, há décadas, apontam para as alterações na paisagem e afirma um fato interessante: “eu nunca estive em Bailique”.
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A filósofa passa, então, a falar sobre se comprometer a falar da região no ponto de vista que lhe cabe: como uma pesquisadora, filósofa engajada, militante, comprometida com uma práxis ecofeminista. Olhando para si, e discorrendo sobre sua presença na sociedade, Daniela parte para o outro, suas dores e a importância de não cair no “imperialismo cultural”. Ou seja: a importância de não achar que ela tem as soluções certas para a realidade do Bailique. “Não é falar sobre, é falar com. É para isso que nós estamos aqui”, afirma.

O episódio se aprofunda em literaturas como o livro Feminismo em comum: Para todas, todes e todos, de Marcia Tiburi, sobre a ética do cuidado – já falada em outros episódios desta série – e sobre dualismos presentes no dia a dia, como o homem e a Natureza, o homem e a mulher. Daniela também ressalta textos e conhecimentos de Carol Gilligan e Tânia Kuhnen e relembra que um grande diferencial da ética ecofeminista é “enfatizar a prevenção por meio do compromisso coletivo que reconhece a importância das relações, a interdependência e a vulnerabilidade”.

E como relacionamos tudo isso à Bailique? Daniela responde que “a primeira coisa que fica evidente na reportagem é que, sem dúvida, há um descuido por parte do poder público”. O que na prática se desdobra em diversas realidades, como a diminuição do território por conta do avanço da erosão sobre às ilhas. Ela também levanta a questão das dificuldades ambientais, pois a erosão, por exemplo, derruba postes de energia. O que fica é a escuridão, ou, como a filósofa salienta sobre um dos relatos da matéria, “o abandono, como disse a Geovana. Fica o descuido”. 

Daniela compara a condição de vida no arquipélago do Bailique com os dados apresentados no Grupo de Trabalho II sobre impactos climáticos, adaptação e vulnerabilidade do IPCC (o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Como o relatório dispõe – e as ecofeministas afirmam há décadas-, as mudanças climáticas afetam diferentes grupos de maneira desigual, conforme gênero, renda, classe, etnia, idade ou capacidade física.

Retomando pensamentos de Marcia Tiburi, Daniela fala sobre a opção de sair de Bailique – o que isso invoca e o que isso significava para todos nós, como sociedade. Aproveitamos para lembrar, neste episódio, que dia 25 de março tem Greve Global Pelo Clima! No Momento Dica da Semana, Daniela convida para que todos leiam a matéria especial sobre o Arquipélago do Bailique, que conta também com fotos de Iana Moreira. 

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