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Práxis Ecofeminista: Guerras, Commodities e Crise Climática

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Daniela Rosendo

24 min. tempo de duração
No último episódio da primeira temporada do Práxis Ecofeminista, Daniela Rosendo explica como entender as lógicas que impulsionam as políticas de guerra através da perspectiva ecofeminista e movimentos decoloniais.
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Chegamos ao último episódio da temporada de estréia da série Práxis Ecofeminista. Nosso objetivo aqui é construir análises que nos possibilitem diagnosticar os problemas dos sistemas de exploração – o patriarcado, o capitalismo, o colonialismo e todas as opressões interconectadas que decorrem deles – e, ao mesmo tempo, tanto reconhecer as práticas que já existem, quanto ajudar na construção de um presente e futuro onde haja sustentação da vida, ao invés de sua exploração e destruição.

Nesse último episódio, Daniela Rosendo adentra um tema extremamente urgente: as guerras oficiais e não oficiais em curso a partir dos conflitos Rússia e Ucrânia e dos garimpeiros e os povos Yanomami, na Amazônia. Como vimos, há pouco mais de um mês, parte do mundo voltou sua atenção para Rússia e Ucrânia. Foi o início de uma guerra, que para facilitar o entendimento vamos chamar aqui de guerra oficial, declarada pelo Estado Russo. 

O conflito ainda em curso e sem data para acabar tem efeitos humanitários que impactam o meio ambiente e afetam as populações já vulneráveis de outras formas, na medida em que falamos de um espaço físico onde os combates se desenvolvem, implicando na mobilidade, acessibilidade e segurança humana e não-humana. Para além desses efeitos mais visíveis, a guerra também desvia a atenção da crise climática e do que precisa ser feito em relação a ela. 

Mas há consequências que extrapolam o território onde as guerras acontecem, Entre elas, a alta do ouro e como o aumento do valor da commodity no mercado internacional impulsiona a mineração. O Brasil, que já registrava alta na exploração de ouro ilegal, sofre ainda mais com essa pressão sobre os preços, em especial o garimpo em Terras Indígenas (TI) na Amazônia legal. Só nos territórios Yanomami, a prática avançou 30% em 2021, destruindo o equivalente a 500 campos de futebol. 

Os relatos de abuso sexual são explícitos e mostram que os garimpeiros exigem que as famílias dêem meninas e jovens para serem estupradas em troca de comida. Para os indígenas, abre aspas, “depois que os garimpeiros cobiçaram o ouro, estragaram as vaginas das mulheres, fizeram elas adoecer”, fecha aspas.

Outro fator relacionado a essa guerra não oficial são os fertilizantes. O Brasil, um dos maiores consumidores, depende quase 100% da importação do aditivo, fornecida em boa parte pela Rússia. Bolsonaro, há poucas semanas, declarou que essa era uma boa “oportunidade” para explorar potássio, um dos componentes dos fertilizantes, e voltou a apoiar o Projeto de Lei 191/2020, que prevê a mineração em Território Indígena, ao afirmar falsamente que dessa forma não faltaria o químico agrícola. 

Como podemos entender as lógicas que impulsionam essas políticas e práticas a partir de uma perspectiva ecofeminista e que dialoga com as teorias e práticas dos movimentos decoloniais? Antes ainda, o que podemos entender como decolonial? Segue com a gente que a Daniela explica todas essas questões nesse episódio que encerra a primeira temporada do Práxis Ecofeminista aterrada nos saberes latino americanos e feministas. 

No momento Dica da Semana, Daniela recomenda o ciclo de estudos Selvagem, idealizado pela Editora Dantes e orientado por Ailton Krenak. Você pode conhecer a iniciativa através do Instagram, Youtube e site. Bons sonhos e boas imersões!

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